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Sexta-feira, 03 de julho de 2009 - 08h22m

Animais > Apicultura

Osório e as abelhas africanas



Por Edegar da Silva


Na década de 70 chegaram aos cinemas de todo o mundo alguns filmes que tinham como tema ataques de abelhas africanas. Abelhas assassinas, aquelas que atacavam cidades, levando as populações a um absoluto caos. Os jornais da época estampavam títulos sensacionalistas: “Abelhas assassinas”, “Terror no céu”, “As abelhas selvagens”. Tudo parecia muito sensacionalista, uma histeria sem fundamento, até o dia em que Osório viveu uma situação parecida.

Foi em 20 de setembro de 1966, quando houve o ataque a vários animais domésticos por um enxame de abelhas africanizadas, num terreno no centro de Osório. O terreno ficava nos fundos da casa do empresário Deolindo Maggi, na rua Marechal Floriano, onde também haviam galinhas, coelhos, perus e até suínos. As peles de coelhos que tinham sido abatidos ficaram estaqueadas ao sol suspensas em árvores no terreno e motivaram o furor das abelhas que atacaram os animais e ameaçavam as pessoas da residência.

No dia seguinte o local foi visitado pelo Prof. Hugo Muxfeld com uma viatura da Cia. Jornalística Caldas Júnior e repórteres daquela empresa. Recolhidas pelo apicultor Dorval Marques da Silva, do então Instituto de Educação Rural “Ildefonso Simões Lopes”, o mesmo que havia feito a captura do enxame no dia anterior, as abelhas foram colocadas em caixas teladas e levadas para Porto Alegre onde ficaram expostas à visitação pública por vários dias na Praça da Alfândega. Os jornais da época estampavam: “Africanas chegam ao Estado”, “Abelhas assassinas no Rio Grande do Sul” e outras manchetes equivalentes.

Para entender melhor é preciso contar que em 1956, 46 rainhas foram trazidas da região de Pretória, na África do Sul e uma de Tabora, na Tanzânia e foram levadas para Rio Claro no estado de São Paulo.

Existem cerca de 11 raças africanizadas da abelha melífera e parece que a espécie trazida foi a Apis melífera scutelatta que habita as savanas da África oriental e meridional. Essa pequena abelha é muito produtiva, porém muito agressiva e imaginava-se que, bem adaptada aos trópicos, ela seria superior às cepas européias de Apis melífera.

Estas abelhas eram mantidas em colônias, cujas entradas tinham portas especiais para evitar que escapassem. Um ano depois, 26 exemplares conseguiram iludir as medidas de segurança e partiram para uma invasão acelerada de novos territórios.

O pesquisador responsável por este trabalho com as abelhas africanas era o Dr. Warwik Estevan-Kerr, um cientista de renome e que estava fazendo pesquisas científicas. Ao perder o controle dos insetos viu ao longo do tempo a africanização das cepas de abelhas em toda a América, desde o Norte, no Alasca, até a Patagônia argentina. Ao Rio Grande do Sul as africanas levaram 10 anos para chegar (de 1956 a 1966) desde que fugiram no interior de São Paulo.

Hoje praticamente todas as abelhas existentes no Rio Grande do Sul são cruzadas e tem um percentual de africanização. Há muitas lendas sobre a chegada das africanas e a espécie que se disseminou é frequentemente identificada como Apis adansonii.O importante e indiscutível é que no Rio Grande do Sul as africanas chegaram por Osório, em 1966!


Técnico Agrícola e Jornalista Diplomado

E.mail: edegar.dasilva@gmail.com


Fonte: Página Rural
















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