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Sexta-feira, 10 de julho de 2009 - 19h50m

Agronegócio > Trigo

Conjuntura Trigo



Por Tarcisio Minetto


O Rio Grande do Sul, em 2008, plantou 980 mil hectares de trigo e obteve uma produção de 2,05 milhões de toneladas. A demanda no estado, somando o uso industrial, reserva de semente e outros usos é da ordem de 1 milhão de toneladas. Somando o volume de importações que entraram no Rio Grande do Sul de 544 mil toneladas, temos um suprimento de 2,5 milhões de toneladas. Esses são os números em relação ao cereal na temporada 2008/09. Exportamos em 2008 o equivalente a 640 mil toneladas, que subtraindo do volume de 2,5 milhões considerando as importações, significa que temos que encontrar mercado para mais de 1 milhão de toneladas de trigo gaúcho. Seja no mercado interno, outros estados ou fora do país. Essa é a dura realidade que o setor enfrenta.

Os produtores neste ano estão enfrentando problemas na comercialização da safra 2008 de trigo, diante da falta de liquidez. São vários os fatores apontados como restrição ao trigo gaúcho: Frete caro, restrição da indústria pelo trigo brando do estado, tributação, segregação, logística entre outros.
Segundo a Embrapa de Passo Fundo, 50% do trigo produzido no RS em 2008 é trigo pão o equivalente a 1 milhão de toneladas. O restante de 1 milhão de toneladas é considerado trigo bando com dificuldade de liquidez no mercado, portanto, preços baixos e rejeição na compra.

De outra parte, o governo federal, deu reajustes diferenciados, no preço mínimo para safra 2009, e a disponibilidade de semente é de apenas 43% de variedades tipo pão para repassar aos produtores o plantio desta safra. Isso significa que o restante do que foi semeado, é trigo brando. Essa condição poderá refletir em menor renda aos produtores de trigo em 2009. Ou seja, o trigo gaúcho ser menos competitivo em relação à produção nacional.

Particularmente, não concordo com a idéia de que o trigo do RS, não serve para atender a demanda da indústria. Até porque apenas 55% da moagem do trigo nacional são destinados para a fabricação de pão. Não podemos aceitar a pecha de que nosso trigo não serve para o mercado. É um trigo que pode ser utilizado para mistura para outros usos que não seja o pão. De outra parte, estamos avançando em variedades que atendem a demanda do mercado.

Em relação ao mercado, os preço praticado no primeiro semestre de 2009 não ultrapassou a cifra de R$ 25,00 a saca, contra um custo de produção de R$ 34,28 e aquém dos preços mínimos. Graças aos instrumentos de apoio a comercialização adotada pelo governo federal que os produtores encontram mercado para 867 mil toneladas entre PEP, Contrato de Opção, AGF ou seja, para uma parcela do volume produzido. Segundo a Federação das Cooperativas Agropecuárias, existe no estado ainda um estoque de trigo grão mais de 500 mil toneladas que restam para ser comercializadas.

Diante das dificuldades na venda da safra, o setor solicitou junto ao governo do estado, a prorrogação do decreto que reduz o ICMS de trigo em grão, cujo prazo venceu em 30 de junho. O beneficio de 12% para 2%, vale na venda do cereal do Rio Grande do Sul para os estados de São Paulo, Rio de Janeiro e Minas Gerais. Os produtores reivindicam a prorrogação por mais tempo até que seja escoado o restante do produto armazenado no Estado. A volta da alíquota de ICMS interestadual de 12% iria dificultar ainda mais a comercialização para fora do estado.

O reflexo das dificuldades encontradas pelos triticultores na falta de liquidez, fez com que a área plantada neste ano tenha uma redução superior a 10% o que projeta uma queda na produção para patamar de 1,7 milhões de toneladas se as condições climáticas forem favoráveis até a colheita.
Frente a quebra da safra Argentina, nosso maior fornecedor o setor esperava que os preços seriam melhores o que não vem ocorrendo.

O setor moageiro, vem tencionado o Ministério da Industria e Comércio para que seja retirada a TEC de 10% para importação de trigo de terceiros mercado frente a redução do volume a ser exportado pela Argentina. A produção nacional em 2008 foi superior a 5,5 milhões de toneladas, contra a demanda de 10,5 milhões. O incentivo a produção é importante para manutenção de emprego e principalmente diluição dos custos fixos da máquinas e equipamentos em consonância com as lavouras de verão que segundo estudos técnicos reduzem os custos das lavouras de verão milho e soja em até 20%, além de evitar a evasão de recursos.

Consultor da Federação das Cooperativas Agropecuárias do Rio Grande do Sul (Fecoagro)

E-mail: tarcisio.minetto@al.rs.gov.br


Fonte: Página Rural
















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