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Quinta-feira, 30 de julho de 2009 - 08h53m

Política Agrícola > Seguro Agrícola

Os riscos da produção rural



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Pedro Arantes

Foto: Divulgação / Faeg



Por Pedro Arantes

Pelo fato de os alimentos serem bens que atendem às necessidades de sobrevivência do homem, os riscos em sua produção e suas consequências para a sociedade são tratados com preocupação desde os textos do velho testamento bíblico. Conta a história que quando o sonho do Faraó sobre os sete anos de vacas gordas e sete anos de vacas magras foi interpretado por José, o Faraó ordenou formar estoques de produtos agrícolas nos anos de boa produção (vacas gordas). Atitude que salvou o povo egípcio da fome durante os anos de seca (vacas magras). Milhares de anos depois, os riscos na produção agrícola ainda são incompreendidos pelas autoridades públicas brasileiras, que mantêm uma visão unidirecional de abastecimento.

A visão das autoridades brasileiras que cuidam da gestão financeira do país, quanto ao risco das perdas na produção agrícola, ainda é míope. Só encaram o lado do abastecimento pelo risco de faltar produto e os preços subirem, e assim, afetarem a meta do controle da inflação. Nesta ótica, num mundo de comércio globalizado, a solução é simplista, basta importar e o problema está solucionado.

Porém, a situação se torna muito mais complexa quando levamos em consideração as perdas econômicas que podem ser ocasionadas por uma frustração de colheita. Num país em que o agronegócio corresponde a cerca de 30% da produção interna (PIB), que é responsável por 35% dos empregos gerados, contribui com 45% dos valores exportados e com 80% do saldo positivo das exportações, as perdas seriam não só para quem está na atividade produtiva rural, mas para toda a sociedade.

O impacto de uma frustração de produção sobre o agricultor é imediato. Cria graves quadros de endividamento que provocam, ao longo dos anos, a exclusão de vários agropecuaristas do processo produtivo. Cenários como este, abrem margem para a concentração da produção, o que não é saudável numa atividade responsável por bens fundamentais à sobrevivência do homem.

A atividade produtiva rural está à mercê de riscos ainda mais amplos. Afinal, o nível de controle dos fatores de produção - como clima, pragas e doenças - ainda é muito baixo. Está suscetível a variações inesperadas no volume produzido e, consequentemente, na evolução dos preços. Por isso, uma boa safra pode não significar uma boa remuneração para quem produz.

Diante de todos esses fatores que envolvem a produção rural é fundamental que haja um seguro eficiente da atividade produtiva e que seja compatível com as características do setor. Também se tornam urgentes políticas de sustentação de preços que amenizem as grandes variações de produção e beneficiem o produtor e o consumidor, como ocorre em muitos países do mundo.

É nesse sentido que criticamos as autoridades públicas brasileiras, que preferem gastar muito tempo e recursos financeiros na administração de decisões emergenciais – como renegociações de dívidas rurais - em vez de instituírem políticas sólidas, de médio e longo prazo para fortalecer tanto o abastecimento interno, como consolidar o crescimento da economia, dos empregos e garantir a balança comercial positiva.

A presente crise financeira mundial está deixando uma lição clara; está rompendo preconceitos em relação à importância de segmentos da economia que atendem as necessidades básicas do homem para o desenvolvimento dos países. Mesmo em meio à crise esses segmentos demonstram maior estabilidade e menores perdas. É o momento de o Brasil criar condições mais sólidas para a nossa produção rural e aproveitar a grande oportunidade de um crescimento sustentável baseado no agronegócio. 


Economista e analista de mercado da Federação da Agricultura e Pecuária de Goiás (Faeg).

E-mail: pedro@faeg.com.br


Fonte: Página Rural
















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