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Terça-feira, 28 de julho de 2009 - 13h59m

Agricultura > Trigo

PIT, qualidade e rastreabilidade



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Casiane Salete Tibola

Foto: Divulgação



Por Casiane Salete Tibola

No mercado de grãos há uma crescente tendência para a diferenciação e segregação de produtos, visando atender exigências específicas do mercado. No setor tritícola, podem ser formados lotes homogêneos de trigo de acordo com a especificidade de indicação de uso em produtos finais (pães, massas, biscoitos).

Os lotes podem ser segregados de acordo com a cultivar, a classe comercial e resultados de análises, como: umidade, peso do hectolitro, número de queda, entre outros atributos que definem a qualidade e à aptidão tecnológica. Essas características podem variar conforme o genótipo, às condições climáticas e à região produtora. A segregação possibilita agregar maior valor ao trigo, minimizando perdas e incrementando a qualidade, com melhor planejamento da produção, desde a escolha da cultivar até a definição de lotes para armazenamento e comercialização.

Dentre as iniciativas que fomentam parcerias entre agentes da cadeia produtiva, visando a segregação e a qualificação, destaca-se o projeto Produção Integrada de Trigo (PIT), que envolve etapas que inferem caráter de sustentabilidade ao sistema produtivo, à rastreabilidade e à certificação de produtos.

A primeira versão das normas da PIT foi elaborada por equipe multidisciplinar, baseando-se nas indicações técnicas de trigo, na legislação disponível para a cultura e nas tecnologias consolidadas nas diferentes áreas da fase de produção e de pós-colheita. As normas da PIT contém procedimentos obrigatórios, como exemplo a adoção do monitoramento de pragas/doenças para justificar o controle, visando racionalizar a utilização de agroquímicos; procedimentos proibidos, como o uso de agroquímicos não registrados para a cultura; e procedimentos recomendados como a adoção do plantio direto na palha e a utilização de informações de sistema de modelagem que emite alerta quando as condições climáticas favorecem a ocorrência de doenças no trigo.

Esses procedimentos estão sendo testados através de projetos-piloto para verificar sua adequação e viabilidade na promoção da sustentabilidade do sistema produtivo e na garantia de qualidade dos produtos. Além dos critérios de manejo de produção e de pós-colheita, a norma também contém a relação de agroquímicos permitidos, o caderno de campo e de pós-colheita para os registros visando a rastreabilidade e as listas de verificação que possibilitam as auditorias para verificar se os parâmetros exigidos na norma estão efetivamente sendo adotados com a finalidade de certificação.

No caderno de campo são efetuados os registros das etapas que influenciam a qualidade do trigo na produção. Cada usuário poderá adaptar os registros, mas algumas informações como o monitoramento de pragas e doenças, a aplicação de agroquímicos e de fertilizantes são registros compulsórios. O preenchimento destas planilhas do caderno de campo poderá ser manual ou digitalizado. Com o objetivo de conferir agilidade e confiabilidade no sistema de rastreabilidade da PIT foi elaborado o caderno de campo digital, que permite a transmissão automática dos registros, bem como a integração de informações entre os agentes da cadeia produtiva.

O caderno de campo digital é específico para cada gleba e contém as informações do manejo adotado na lavoura, como: identificação, resultado da análise química do solo, planejamento de rotação de culturas, preparo do solo e semeadura, tratamento de sementes, adubação de base e de cobertura, controle de plantas invasoras e aplicação de reguladores de crescimento, monitoramento e controle de doenças e pragas, aplicações de fungicidas e de inseticidas, e informações meteorológicas.

O caderno de campo digital foi associado à Application Programming Interface (API’s), como exemplo, aquelas disponibilizadas no GoogleMaps, vinculando os registros com a posição geográfica, por cultura, gleba e ano. Os registros podem ser efetuados através de equipamentos móveis como computador, palmtop ou celular que possibilitam o registro e a transmissão automática das informações para o banco de dados. O banco de dados armazena todas as informações de forma segura e eficiente, viabilizando a captura, análise, processamento e transmissão dos dados, visando melhorar a exatidão e velocidade de acesso às informações do trigo rastreado.

O acompanhamento do sistema de rastreabilidade é realizado através de um sistema Web, com restrição de acesso de acordo com o interesse e/ou necessidade. No caderno de campo digital, foram associadas outras fontes de informação disponíveis na Internet, como o sistema de alerta para a ocorrência de giberela e brusone no trigo – Sisalert e as informações para diagnose virtual de doenças, que são ferramentas importantes para auxiliar na tomada de decisão pelos produtores e técnicos.

Complementando o sistema de rastreabilidade, que armazena informações de procedência e de qualidade aos lotes de trigo na produção, na fase de armazenamento os registros são digitalizados no caderno de pós-colheita. Esta fase abrange todas as etapas que influenciam a qualidade do trigo na fase de recebimento, de padronização e de armazenamento. Como exemplo, referente a etapa de secagem deve-se registrar: data, número do secador, capacidade, temperatura e umidade do ar ambiente, temperatura do ar de secagem, umidade inicial e final. Além desta, também estão previstas planilhas para sistema de termometria, aeração, monitoramento de pragas, aplicação de inseticidas, controle de qualidade e classificação do trigo, limpeza/higienização e controle de roedores na unidade armazenadora de grãos.

Nas safras 2007 e 2008, foram envolvidos aproximadamente 225 produtores na PIT, totalizando 6.101 ha e foram produzidas 15 mil toneladas de trigo. Os lotes foram segregados de acordo com as seguintes características de interesse: uma cultivar (BRS 220) da classe Trigo Pão, com cor de farinha amarela, para ser destinada à fabricação de massas alimentícias; e outra cultivar (Fundacep Raízes), da mesma classe comercial, mas com farinha branqueadora, para ser usada na indústria de panificação. Os resultados obtidos nas cooperativas permitiram destacar os principais benefícios do projeto-piloto que foram a liquidez na comercialização e o incremento no valor agregado, resultando em prêmio pelos lotes de trigo segregado.

Na industrialização, a segregação de Trigo Pão com farinha amarela possibilitou a fabricação de massas alimentícias com a coloração natural, dispensando o uso de corante, melhorando a aparência do produto após o cozimento. Além disso, os lotes de trigo homogêneo proporcionaram melhor rendimento na moagem e melhoria na qualidade reológica da farinha, dispensando misturas para obter as características demandadas pela indústria. 

Mais informações poderão ser obtidas na Embrapa trigo e no link produção integrada de trigo: www.cnpt.embrapa.br/pit


Engenheira Agrônoma e pesquisadora da Embrapa Trigo - Passo Fundo/RS

E-mail: casiane@cnpt.embrapa.br


Fonte: Embrapa Trigo
















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