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Quinta-feira, 06 de agosto de 2009 - 11h43m

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Amigo oculto do agricultor



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Harley Nonato de Oliveira

Foto: Divulgação / Embrapa



Por Harley Nonato de Oliveira

Os insetos-praga são responsáveis por perdas significativas na produtividade de inúmeras culturas. Entre os principais métodos de controle, destacam-se o controle químico e o controle biológico, que utiliza patógenos, predadores e parasitóides para a supressão de populações dos insetos-praga. O controle biológico vem a cada dia recebendo maior importância em programas de manejo integrado de pragas (MIP), devido à preocupação e conscientização da necessidade de manutenção da qualidade ambiental e segurança humana.

Esses inimigos naturais podem ser utilizados através do Controle Biológico Clássico, onde os organismos benéficos são coletados numa área de exploração e introduzidos na área onde se pretende controlar uma determinada praga. De maneira geral, essas liberações são realizadas com pequeno número de insetos (liberações inoculativas) por uma ou mais vezes no mesmo local.

Já no caso do Controle Biológico Aplicado, os parasitóides e predadores são criados em grande quantidade em laboratório, sendo então liberados para obter efeito de controle imediato da praga alvo. No Controle Biológico Natural, os organismos benéficos que ocorrem naturalmente em uma determinada área são conservados e ou incrementados através da manipulação do ambiente.

Entre os diversos inimigos naturais, destacam-se os parasitóides de ovos, que têm como grande vantagem o fato de poderem reduzir a população da praga antes que a mesma cause dano à cultura. Entre esses, os himenópteros, também conhecidos como vespas, têm como principais familías os Trichogrammatidae, Scelionidae e Encyrtidae. No entanto, por apresentarem tamanho diminuto (apenas alguns milímetros), ou seja, de difícil visualização, o seu efeito benéfico muitas vezes não é percebido pelos agricultores.

Entre os Trichogrammatidae, especial atenção é dada ao parasitóide do gênero Trichogramma, que apresenta tamanho entre 0,5 a 1,5 mm de comprimento, sendo um dos insetos mais estudados em todo o mundo, estando presente nas mais diferentes regiões e sendo encontrado e utilizado em programas de controle biológico, especialmente de lepidópteros, em diferentes culturas. No Estado do Mato Grosso do Sul, as culturas de soja, algodão, cana-de-açúcar, milho, eucalipto e mandioca estão entre as culturas que possuem relatos de espécies de Trichogramma, parasitando naturalmente ovos de insetos-pragas.

Os parasitóides da família Scelionidae possuem tamanho que variam entre 0,5 a 10 mm, e diversas espécies estão associadas em diferentes culturas. Em Mato Grosso do Sul, os parasitóides do gênero Telenomus são bastante comuns, sendo encontrados parasitando ovos dos percevejos Dichelops melacanthus, Piezodorus guildinii e Euchistus heros na cultura da soja e recentemente encontrado atacando ovos do percevejo Pachycoris sp. na cultura do pinhão manso.

Entre as vespas da família Encyrtidae, podem ser encontrados parasitóides de ovos e de fases imaturas e adultos de insetos pragas. A soja em Mato Grosso do Sul, tem registros dessas duas situações, onde Ooencyrtus sp. foi encontrado parasitando ovos e Hexacladia smithii adultos do percevejo E. heros, sendo que esse último parasitóide também foi encontrado parasitando o percevejo do pinhão manso em outra região do Brasil, mas que poderá também ser encontrado no Estado de Mato Grosso do Sul.

Apesar da vantagem que os parasitóides de ovos apresentam, é importante salientar que todo o complexo de inimigos naturais presentes numa determinada cultura são importantes para manter a população de insetos pragas abaixo do nível de dano. No entanto, esses inimigos naturais têm o desempenho afetado por uma série de produtos químicos como os inseticidas, fungicidas e herbicidas.

Dessa forma a utilização de produtos seletivos, quando for necessário ser aplicado na cultura é de extrema importância para a conservação desses agentes benéficos, atuando de forma natural, ou mesmo para que possam ser coletados, criados em laboratório e liberados nas áreas de plantio.

A associação entre métodos de controle poderá reduzir o número de aplicações de inseticidas químicos nas culturas, proporcionando redução do custo de produção e melhoria ambiental.


Pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste - Dourados/MS

Email: harley@cpao.embrapa.br



Fonte: Embrapa Agropecuária Oeste
















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