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Terça-feira, 11 de agosto de 2009 - 13h20m

Agronegócio > Leite

Impactos da crise mundial no mercado de lácteos



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Bruno Barcelos Lucchi e Rodrigo Sant’Anna Alvim

Foto: Wenderson Araujo / CNA



Por Rodrigo Sant’Anna Alvim (1) e Bruno Barcelos Lucchi (2)

A crise financeira mundial originada nos Estados Unidos espalhou-se pelo mundo, criando uma situação adversa ao mercado de lácteos. Sem crédito, os países importadores reduziram suas compras, deprimindo expressivamente as cotações, com repercussões nos preços internos de todos os países exportadores, inclusive o Brasil. Os preços médios do leite em pó na Oceania e União Européia, no primeiro semestre de 2008, cotavam acima de US$ 4.000/ton., mas até a primeira semana de junho deste ano a média não chegou a US$ 2.200/ton.

O comportamento de queda nos preços, observado na maioria das commodities agrícolas, se deve em grande parte à recessão vivida pelos países desenvolvidos e em desenvolvimento. Aliado a isso, há ainda o fato da retomada de subsídios por parte dos Estados Unidos e União Européia. Os primeiros seis meses de 2008 apresentaram um incremento de 13,9% na produção formal de leite, comparado a igual período do ano anterior, proporcionado principalmente pelos estímulos de mercado ocorridos em 2007. No entanto, a partir do segundo semestre, a baixa atratividade no cenário internacional somado ao excedente de produção no mercado interno, desencadearam a redução nos preços recebidos pelo produtor.

Segundo dados do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), da Universidade de São Paulo, houve redução de quase 18% no preço corrigido do leite, em 2008. No entanto, de acordo com os painéis realizados pelo projeto Campo Futuro da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA), nos principais Estados produtores de leite, os custos de produção aumentaram quase 10%.



Esta relação inversa entre preço e custo, prejudicou de maneira significativa a situação econômica do produtor, que se viu obrigado a reduzir o uso de tecnologias na tentativa de baixar seu custo de produção. E foi dessa forma que 2009 começou - com custos altos, preços baixos e estagnados e queda na produção de leite. O Índice de Captação de Leite (ICAP-L) do Cepea registrou redução de 7% na captação, de janeiro a abril desse ano, ante o mesmo período do ano passado. Se não bastasse a desaceleração do mercado, a forte estiagem que ocorreu no sul do País, somada às enchentes nas regiões Norte e Nordeste também contribuíram para a redução da produção de leite.

Diante desse cenário pessimista, a boa notícia é o aumento no consumo de alimentos que, no primeiro trimestre desse ano, cresceu 0,7% frente ao último trimestre de 2008, cuja redução foi de 1,8%. O bom desempenho no consumo das famílias se deve, entre outros fatores, à valorização do salário mínimo em relação aos produtos da cesta básica. A análise da quantidade de cestas básica adquiridas com um salário mínimo mostra um incremento de 22% no poder de compra dos alimentos entre junho do ano passado, quando iniciou a queda nos preços do leite, e abril de 2009. Neste período, essa relação de troca passou de 1,69 cestas/salário, em junho de 2008, para 2,06, em abril deste ano.

Com redução na oferta e aumento na demanda, os preços tendem a se elevar e, desta vez, estimulados pelo leite longa vida, que apresenta estimativa de crescimento de 5% no ano. Grandes indústrias de laticínios realizaram investimentos consideráveis neste tipo de produto. Vale salientar que, como o leite em pó, o longa vida é um dos derivados lácteos que possuem maior correlação com o preço pago ao produtor.

No entanto, entre abril e maio desse ano, os preços do leite UHT nas gôndolas de supermercados apresentaram valores maiores que a inflação, medida pelo IPCA. Em algumas regiões do País, os aumentos foram acima de 24% ao longo do mês de maio, enquanto a variação no preço pago ao produtor foi de 5,8%, tendo sido a melhor do ano até o momento.

A valorização do leite UHT, aliado ao aumento do consumo de alimentos, é vista como fator positivo para a recuperação dos preços de leite ao produtor. No entanto, é preciso certa ponderação, pois elevações constantes no preço do longa vida não se estendem, na mesma proporção, aos demais produtos lácteos, a exemplo do leite em pó. Outro ponto a ser analisado é a reação dos consumidores à elevação dos preços, que os levam a substituir o leite por outro produto ou a reduzir seu consumo. Por outro lado, maior equilíbrio deve ser dado na distribuição das margens entre os elos da cadeia, do produtor a rede varejista, pois caso contrário dificilmente o mercado se ajustará.

(1) Engenheiro Agrônomo, presidente da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA

E-mail: contato@cna.org.br



(2) Zootecnista, assessor técnico da Comissão Nacional de Pecuária de Leite da CNA

E-mail: bruno.lucchi@cna.org.br


Fonte: CNA
















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