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Quinta-feira, 17 de setembro de 2009 - 09h54m

Educação > Agricultura Familiar

Convivência familiar: educação para o meio rural



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José Leon Macedo Fernandes

Foto: Divulgação / Afubra



Por José Leon Macedo Fernandes

A educação de jovens e crianças passa por três segmentos: a família, a escola e a comunidade, que são instituições fundamentais na formação do cidadão e na sua preparação para o trabalho. Dessa forma, sendo a família a primeira escola do ser humano, é responsabilidade dos pais suprir necessidades básicas de seus filhos, formar atitudes e valores. A função da família é fundamental para a formação do futuro cidadão, preparando-o para a vida e para o trabalho. A família deve ser a base e a principal colaboradora das atividades desenvolvidas pela escola na comunidade.

A Constituição Federal determina que é dever da família, da sociedade e do Estado assegurar à criança e ao adolescente, com absoluta prioridade, o direito à vida, à saúde, à alimentação, à educação, ao lazer, à profissionalização, à cultura, à dignidade, ao respeito, à liberdade e à convivência familiar e comunitária... (Art. 227). Portanto, cabe aos pais orientar, assistir e educar seus filhos, tendo a convivência familiar como um importante instrumento para o desenvolvimento do ser humano. Neste contexto, na agricultura familiar, tem-se um exemplo bem claro da importância da convivência familiar na educação da criança e do adolescente. A convivência é, sem dúvida, a estrutura fundamental da família, e este direito, deve ser preservado e usado para a formação moral e ética do grupo familiar. E, nesta formação, está a preparação para o trabalho, item fundamental para a formação de um cidadão consciente.

A tarefa da família de preparar para o trabalho deve ser vista e executada como uma atividade de educação, onde os pais têm o compromisso de passar o seu conhecimento, levando em consideração os aspectos culturais e sociais da sua comunidade. O Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA), diz que é proibido qualquer trabalho a menores de quatorze anos de idade, salvo na condição de aprendiz (Art.60). Ensinar a trabalhar não é o mesmo que colocar a trabalhar, pois, entende-se como trabalho infantil aquele que a criança faz para garantir o seu sustento ou de sua família, e, por isso, tem características de trabalho continuado, comprometedor da frequência escolar e da aprendizagem, das possibilidades de fazer coisas de criança, da saúde e desenvolvimento físico e psicológico.

Com base nisso, entende-se que cabe aos pais respeitar a lei e dar condições aos filhos de estudar e de fazer as coisas de criança. Mas, entende-se também que toda a atividade desenvolvida por uma criança ou um adolescente que não prejudique a sua estrutura física ou psicológica, que não prejudique a aprendizagem e que possibilite a criança de fazer coisas de criança e que não seja caracterizado como trabalho continuado, pode ser considerado como educação familiar e preparação para a vida. Portanto, é com base neste conceito, que a convivência familiar torna-se um fator importante para a formação da criança e do adolescente.

A educação no campo, desenvolvida pelos pais, baseia-se na convivência familiar, onde cada membro da família desenvolve suas atividades na propriedade, visando o crescimento da mesma seja nas atividades de subsistência ou de diversificação, contribuindo com o crescimento e desenvolvimento da unidade familiar. Em algumas destas atividades o envolvimento de crianças e de adolescentes são vistas como de educação familiar, onde a presença dos pais, como principais agentes da ação, tem a função de educador. Segundo o dicionário, educar é ... formar inteligência, o coração e o espírito de: Educai bem vossos filhos. Educai-os com elevados conselhos e bons exemplos...Doutrinar, instruir dar conhecimento... (Michaelis, 1998).

Na sequência de uma educação para o trabalho e para o desenvolvimento do processo de ensino aprendizagem, a escola tem um papel importante, pois ela se torna para o educando um laboratório de ações práticas para desenvolver a cidadania, o trabalho, seus valores morais e éticos, que visam a sua formação pessoal e profissional. É nas atividades educacionais promovidas pela escola que as pessoas aprendem a viver em sociedade e em harmonia com seus semelhantes, respeitando a união da coletividade e as individualidades de cada um. A Lei de Diretrizes e Bases da Educação Brasileira (LDB) determina que, na oferta da educação básica para a população rural, os sistemas de ensino promoverão as adaptações necessárias à sua adequação às peculiaridades da vida rural e de cada região... (Art.28).

Cabe à escola o compromisso de adaptar suas disciplinas conforme as necessidades dos alunos e da comunidade na qual a escola está inserida, bem como às necessidades e à realidade de vida dos alunos e de suas famílias. Esse artigo proporciona que a escola possa desenvolver uma educação diferenciada para o meio rural, valorizando as coisas da terra, presentes na vida diária dos educandos, seus pais e da comunidade local.

A LDB determina o trabalho interdisciplinar, onde a transversalidade permite o desenvolvimento conjunto de todas as disciplinas, de forma a preparar a criança para a ética, trabalho, cultura, saúde e meio ambiente (PCNs). Portanto, cabe a todos os professores, seja no meio rural ou urbano, independente da disciplina, trabalhar com seus alunos a preparação do trabalho, entre outras atividades, visando com isso a formação cidadã.

À escola cabe debater esse tema com seus alunos, com os pais e com a comunidade, discutindo a realidade local e o perfil dos educandos, levando em conta a experiência dos pais e das pessoas da comunidade. É essencial que essa realidade possa ser trabalhada na proposta pedagógica da escola, tornando-se desse modo, um instrumento importante para o esclarecimento e o desenvolvimento dos alunos e para inserção desses no mercado de trabalho e na sociedade. Cabe também à escola, trabalhar com os alunos, orientar e informar os pais e a comunidade em geral a respeito da existência da legislação em vigor e ter na atividade extraclasse um instrumento para o complemento da educação na escola.

Neste contexto, é importante definir o papel de cada um (estado, família, escola e sociedade) no processo de educação para o trabalho, onde cada setor deve identificar seus compromissos e obrigações, antes de apontar a falha dos outros. Educar para o trabalho, como diz a Constituição Brasileira, é função e compromisso do estado, da família e da sociedade.


Professor, biólogo, mestre em Desenvolvimento Regional e
coordenador pedagógico do Projeto Verde é Vida, programa de ação socioambiental da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra)

E-mail: leon@afubra.com.br


Fonte: Página Rural
















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