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Terça-feira, 06 de outubro de 2009 - 20h26m

Agricultura > Trigo

Brusone do trigo e o excesso de chuvas



Por Gustavo Hiroshi Sera (1) e Lauro Akio Okuyama (2)

O Brasil consome 10,2 milhões de toneladas de trigo anualmente. As previsões para 2009 indicavam produção de 5,7 milhões de toneladas no país, com a participação de 3,2 milhões de toneladas do Paraná, cerca de 56% da produção nacional. Em função de adversidades climáticas que ocasionaram problemas de acamamento, germinação na espiga e sanidade em várias regiões produtoras, a necessidade de importação do país deverá ser ainda maior no próximo ano.

As chuvas excessivas no norte do estado (3,8 vezes a mais do que o esperado), especialmente na fase entre o início do espigamento e enchimento de grãos, favoreceram a multiplicação de fungos na lavoura e impossibilitaram o controle de doenças no momento correto. Os agricultores tiveram perdas significativas, ocasionadas principalmente pela brusone, doença de difícil controle no trigo, causada pelo fungo Pyricularia grisea.

A brusone pode afetar várias partes da planta, mas é conhecida como doença de espigas. A sua ocorrência é verificada principalmente em regiões mais quentes como no norte do Paraná. O dano pode ser parcial ou total, dependendo do ponto de infecção. Os grãos afetados ficam pequenos, enrugados, deformados e com baixo peso específico e são, na maioria, eliminados na colheita e beneficiamento.

A disseminação ocorre, principalmente, pelo vento. Esse patógeno pode sobreviver em hospedeiros como gramíneas, sementes e em plantas de trigo que permanecem no campo. As condições ambientais requeridas à infecção são temperaturas entre 21 e 27oC e, no mínimo, 10 a 14 horas de molhamento das espigas, quanto maior esse período, mais severa a intensidade da doença.

Um manejo integrado é essencial para que o controle da brusone seja eficiente. As principais medidas recomendadas são:

1. Semeadura após 10 de abril, para que o período entre o início do espigamento e o enchimento de grãos coincida com os meses mais secos, que historicamente no norte do Paraná são julho e agosto;

2. Somente os fungicidas tebuconazole e metconazole estão indicados, porém com eficiência de menos de 50%. Em anos com baixa intensidade da doença, a eficiência pode ser mais alta. A opção pelo controle químico deve ser feita por meio do monitoramento do clima e seguindo os seguintes critérios: a) se, da emergência até o estágio de emborrachamento (antes da espiga emergir), houver condição favorável à infecção, justifica-se o controle, com uma aplicação preventiva no final desse estágio; b) uma segunda aplicação deve ser feita no florescimento para proteger a fase de maior risco de dano à cultura; c) uma terceira aplicação (12 dias após a segunda) só se justifica se persistir o clima favorável à doença e a lavoura apresentar elevado potencial produtivo. Essas aplicações devem ser preventivas e antes das chuvas. Na safra 2009, os fungicidas não foram eficientes para muitos agricultores, pois o excesso de chuvas aumentou a multiplicação da brusone e dificultou a aplicação no momento correto.

3. Uso de cultivares mais resistentes é a principal medida de controle. As cultivares podem ser classificadas como moderadamente resistentes (MR), moderadamente suscetíveis (MS), suscetíveis (S) e altamente suscetíveis (AS). As MR podem apresentar um eficiente controle em anos de baixa ou média intensidade da brusone. Porém, nos anos de alta intensidade, essa medida deve ser complementada com as anteriores. Nesta safra, como essas duas medidas foram pouco eficientes, o uso de cultivares MR foi muito importante.

Avaliações realizadas no IAPAR e na Embrapa Soja, na safra 2009, indicaram as cultivares BR 18, BRS 229, BRS Pardela, IPR 128, IPR 130 e IPR 144 com um bom nível de resistência à brusone. Essas reações de resistência podem mudar dependendo das condições ambientais como a alta frequência de chuvas.

No IAPAR verificou-se que somente a cultivar BRS 229 se manteve MR em todas as avaliações. As demais foram MR na maioria dos ensaios, porém MS ou S em algumas avaliações. Outros materiais também apresentaram um bom nível de resistência à brusone, mas essa confirmação depende de mais avaliações. Nesses casos, as informações podem ser obtidas junto às detentoras.


(1) - Fitopatologista, doutor em Agronomia pela UEL
E-mail: gustavosera@iapar.br


(2) - Fisiologista vegetal, doutor em Agronomia pela UFRGS
E-mail: okuyama@iapar.br


Fonte: Instituto Agronômico do Paraná
















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