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Sexta-feira, 20 de novembro de 2009 - 18h40m

Agricultura > Horticultura e Olerícolas

Avanços tecnológicos para a cultura do tomate indústria



Imagens

Hellen Geórgia Santana e Cecília Czepak

Foto: Divulgação



Por Cecília Czepak (1)  e Hellen Geórgia Santana (2)


Na América do Sul, o Brasil lidera a produção de tomate para processamento industrial, sendo o maior mercado consumidor de seus derivados industrializados. Atualmente, a produção de tomate para processamento vem se concentrando na região Centro-Oeste, onde se localizam indústrias com grande capacidade de processamento.

Nos últimos nove anos, a cultura do tomateiro para processamento industrial passou por grandes transformações, entre as quais, a mecanização do transplante e da colheita, uso intensivo de cultivares híbridas e melhoria global do sistema de produção.

Estas transformações foram as grandes responsáveis pelo aumento da produtividade média verificada principalmente a partir de 1997. Em algumas áreas nos Estados de Minas Gerais e Goiás a produtividade média é superior a 80 toneladas por hectare, o que vem viabilizando acultura do ponto de vista econômico.

O Brasil é o nono produtor de tomate no mundo, com uma safra de 3,3 milhões de toneladas em 2007, conforme informações da Organização das Nações Unidas para a Agricultura e a Alimentação (FAO). Goiás lidera a produção nacional de tomate industrial e tem a maior área plantada do país, aproximadamente 15.000 hectares.

O estado de Goiás tem doze unidades de produção. O clima seco do estado nos meses de março a setembro favorece o cultivo do tomateiro. Os solos profundos e bem drenados e a topografia plana facilitam a mecanização e permitem o uso de grandes sistemas de irrigação.

A cadeia produtiva do tomate industrial apresenta grande importância
socioeconômica no contexto do agronegócio principalmente por sua elevada capacidade de geração de emprego e renda em todos os setores da economia. O crescimento da demanda nacional por produtos oriundos do tomate e seus derivados tem sido suprido com o aumento da produtividade industrial, processo facilitado pela concentração da produção em áreas de cerrado (GO e MG) favorecidas pelo solo e clima, pela adoção de tecnologias avançadas e por novos métodos de manejo na cultura, incluindo técnicas mais eficientes de irrigação associadas às novas fórmulas para nutrição de plantas.

Entretanto, existem alguns problemas que merecem especial atenção, como a mosca branca (Bemisia tabaci raça B), as doença bacterianas causadas por bactérias do gênero Xanthomonas, o uso excessivo de agrotóxicos, excesso de perdas pós-colheita e o grande consumo de água dos pivôs centrais.

Hoje em dia as instituições de pesquisa, universidades, serviços estaduais de extensão, empresas processadoras, e produtores estão focados para garantir o sucesso na solução desses problemas.

O principal desafio hoje para os pesquisadores de tomate industrial é a
obtenção de materiais que apresentem tolerância às bactérias do gênero Xanthomonas.

Várias indústrias iniciam os seus plantios na época chuvosa, ou seja, nos meses de fevereiro e março. Com essa necessidade, e com chuvas intensas logo no transplante das mudas, a incidência de bactérias é muito grande, fazendo com que as plantas sejam contaminadas. E uma vez contaminada a planta terá o seu desenvolvimento comprometido seriamente, pois a planta diminui a sua taxa fotossintética, devido a sua desfolha, e consequentemente, a quantidade de frutos produzidos será afetada e também a sua qualidade.

A utilização de uma ferramenta chamada Yield Max tem feito um grande
diferencial nas lavouras de tomate industrial. Yield Max é uma estação meteorológica que especifica as condições climáticas e de solo de uma determinada lavoura. O Yield Max, que em português significa Máximo Rendimento, é uma tecnologia que chega ao campo para indicar ao produtor o momento exato da aplicação dos fungicidas, e outros fatores que facilitam o acompanhamento da evolução do clima e sua interferência na ocorrência dos patógenos. Antes dessa ferramenta ser disponibilizada, as aplicações eram definidas por calendário, o que levava facilmente ao erro. Mas com o Yield Max, tem-se a certeza do momento mais adequado para a aplicação, e assim a otimização dos resultados de eficiência dos produtos.

A mosca branca (Bemisia tabaci raça B) também é um grande desafio para os pesquisadores. Apesar de existir no mercado excelentes produtos para o seu controle, este não é feito adequadamente.

Este inseto-praga provoca prejuízos diretos na sucção de seiva, injeção de toxinas e desenvolvimento de fumagina nas folhas, reduzindo a taxa fotossintética das plantas, bem como a desuniformidade na maturação dos frutos, redução da produção, além de interferir na qualidade da pasta durante a industrialização da polpa. Os danos indiretos se concentram na transmissão de viroses, em especial do gênero Begomovirus (Geminiviridae). Estes fatos transformaram a mosca branca num dos insetos de maior impacto na entomologia agrícola, tendo sido denominada de “a praga do século XX” e, possivelmente, esta denominação se manterá também no século XXI.

As áreas onde o tomate industrial é cultivado, geralmente são áreas provenientes de plantios de soja, ou próximas a essas áreas. A soja é uma cultura muito atraente para a mosca branca, sendo assim, o manejo desse inseto deveria começar na pré-colheita e pós-colheita da mesma. Mas os produtores não fazem nenhum tipo de controle nessa época, visando reduzir os custos de produção.

Outro grave problema consiste em que os produtores, após a colheita, não se desfazem dos restos culturais de forma correta, o que proporciona a multiplicação dos insetos e daí a sua migração para as lavouras de tomate industrial.

Ainda se falando da mosca branca, existem os chamados “mercadeiros”, que são os produtores de tomate para o mercado fresco, que plantam o ano inteiro e não respeitam o calendário de plantio designado pelos órgãos de defesa agropecuária do estado, provocando a perpetuação da praga no campo.

Outro avanço tecnológico importante para a cultura do tomate industrial está o MIP, Manejo Integrado de Pragas. Há alguns pesquisadores se dedicando em desenvolver metodologias para a implantação desse manejo na cultura do tomate industrial. Esse trabalho é de grande importância, pois visa reduzir o número de aplicações de inseticidas na lavoura. Sabemos que hoje as aplicações chegam a ser realizadas uma vez a cada semana, e às vezes, até em um espaço de tempo menor.

Com essa prática, além do custo para o controle de pragas ser alto, ainda está contribuindo para a degradação do meio ambiente. E outra grande vantagem deste projeto é em relação ao manejo da resistência das pragas aos inseticidas. Assim, os produtos apresentam maior tempo de vida dentro do processo. Esses avanços tecnológicos são importantes para o produtor, para a indústria e para o consumidor final.

O produtor se favorece por ser no campo onde tudo acontece. Com as pesquisas ele terá acesso às informações necessárias para se conduzir a sua lavoura da melhor forma possível, e com isso aumentaria a sua lucratividade, pois o produtor é remunerado pela quantidade de matéria-prima produzida. Sendo assim, quanto mais se produzir com um menor custo, a sua lucratividade será maior. E estando de posse de novas tecnologias e informações, o produtor estará contribuindo para a preservação ambiental, que nas condições atuais são bastante precárias.

Para a indústria processadora é muito interessante, pois ela quer sempre trabalhar com a matéria-prima de melhor qualidade. Quando isso acontece, além da indústria trabalhar em sua performance máxima, ela obtém lucros pelo rendimento industrial, ou seja, quando o rendimento industrial é alto, ela gasta uma menor quantidade de matéria-prima para se produzir uma tonelada de produto acabado. Se ocorrer o contrário, ela utiliza uma maior quantidade de matéria-prima para se produzir essa mesma tonelada.

E finalmente com esses benefícios, a indústria coloca no mercado um produto acabado com melhor qualidade e com preços mais acessíveis ao consumidor final. Este por sua vez estará garantindo uma melhor alimentação e qualidade de vida a sua família.



(1) engenheira agrônoma, D.Sc, professora da Universidade Federal de Goiás - Goiânia/GO
E-mail: ceciczepak@yahoo.com.br


(2)
engenheira agrônoma, integrante do Departamento de Pesquisa da AHL - Quero - Goiânia/GO
E-mail: hellen@ahldistribuidora.com.br


Fonte: Página Rural
















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