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Segunda-feira, 30 de novembro de 2009 - 16h32m

Pesquisa > Cana-de-Açúcar

Agrotóxicos em áreas com cana. Como ficam as fontes de água?



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Rômulo Penna Scorza Junior

Foto: Divulgação / Embrapa Agropecuária Oeste



Por Rômulo Penna Scorza Junior

Diante da tendência de esgotamento das fontes de energia não-renováveis no mundo, juntamente com as mudanças climáticas, a sociedade tem-se preocupado com o padrão atual de consumo dos combustíveis derivados do petróleo. Assim, tem-se concentrado esforços na busca de fontes alternativas de energia renovável, destacando-se a produção de etanol proveniente da cana-de-açúcar.

Atualmente, o Brasil é um dos maiores produtores de
cana-de-açúcar, tendo esta cultura ocupado, aproximadamente, sete milhões de hectares na safra 2008, com estimativa de aumento em torno de 10% para a safra 2009. Em particular, o Estado de Mato Grosso do Sul, tem aumentado significativamente a área plantada com esta cultura.

Para a safra 2009, a estimativa é de 322 mil hectares, o que pode representar um aumento de 17% em relação à safra 2008. Essa expansão da cultura de cana-de-açúcar em Mato Grosso do Sul tem levado à reorganização do espaço produtivo local.

Áreas anteriormente destinadas ao cultivo de grãos e pastagens têm dado lugar ao cultivo de cana-de-açúcar. Mais ainda, áreas com pastagens degradadas têm sido utilizadas para o estabelecimento da cultura. Com objetivo de assegurar a sustentabilidade da cultura da cana-de-açúcar no Estado, a Embrapa Agropecuária Oeste julga necessário que as áreas em expansão e/ou estabelecimento, não coloquem em risco a qualidade dos recursos hídricos, ou seja, as águas superficiais e subterrâneas.

O consumo de agrotóxicos na cultura da cana-de-açúcar no
Brasil é de, aproximadamente, 13% do total comercializado. Esse consumo coloca a cultura como a segunda que mais consome agrotóxicos no Brasil atualmente. Esse alto consumo de agrotóxicos juntamente com a expansão da cultura em Mato Grosso do Sul pode colocar em risco a qualidade dos recursos hídricos.

Diante disso, a Embrapa Agropecuária Oeste, em Dourados/MS, tem como uma das suas metas avaliar o possível impacto do cultivo da cana-de-açúcar sobre os recursos hídricos, principalmente com relação à possibilidade de contaminação destes por resíduos de agrotóxicos. Para tal, a Unidade desenvolve um projeto de pesquisa com objetivo de avaliar o comportamento ambiental dos dois agrotóxicos mais usados na cultura da cana-de-açúcar na região de Dourados.

O projeto iniciou-se em abril de 2009 e, recentemente, instalou-se um experimento no campo para avaliação da lixiviação (movimento vertical do agrotóxico ao longo do perfil do solo juntamente com a água da infiltração proveniente da chuva ou irrigação). Será avaliada também a persistência desses agrotóxicos no solo, bem como a capacidade deste em retê-los evitando que sejam transportados.

O projeto, financiado pela Fundação de Apoio ao Desenvolvimento do Ensino, Ciência e Tecnologia do Estado de Mato Grosso do Sul (Fundect) e pelo Conselho Nacional de Desenvolvimento Científico e Tecnológico (CNPq), tem duração de três anos. Como resultado, espera-se uma resposta sobre a sustentabilidade da cultura na região de Dourados, do ponto de vista do potencial de contaminação dos recursos hídricos por agrotóxicos.


Pesquisador da Embrapa Agropecuária Oeste - Dourados/MS

E-mail: romulo@cpao.embrapa.br


Fonte: Embrapa Agropecuária Oeste
















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