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Segunda-feira, 14 de dezembro de 2009 - 17h01m

Política > Terras

Questão indígena, um problema social



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Ademar da Silva Junior

Foto: Divulgação / Famasul



Por Ademar da Silva Junior 


Toda vez que o assunto da questão de posse de terras, se indígenas ou dos produtores rurais, vem à tona é comum colocar pecuaristas e agricultores de um lado da corda e os índios da outra.

Essa inimizade é novidade para quem está nas propriedades há mais de dez anos. A convivência sempre foi pacifica. O que sempre me questiono é como se iniciaram esses processos e se os índios têm interesse em continuar da forma que estão: tutelados pela Funai, sem qualquer possibilidade de enfrentar dignamente o advento das novidades do século XXI, sem acesso aos bons empregos e cargos de direção nas empresas, sem direito ao trabalho digno e à educação?

Não é que eles precisem deixar de lado suas raízes, seus costumes. Mas todos nós, índios, brancos, asiáticos, negros temos algum hábito cultural ou preservamos uma cultura como é o caso dos japoneses em Campo Grande, por exemplo. Os descendentes fazem uma festa, o Bon Odori, e se misturam aos demais, sem preconceitos. A culinária dos árabes continua a ser parte desses descendentes mesmo que eles morem no Brasil. Eles não deixam de ter sua origem preservada porque estão inseridos no País.

A questão de expropriação de terras que se prorroga no campo, na justiça e na política é um assunto diminuto quando observo que a discussão é maior do que simplesmente tirar dos brancos e entregar aos índios. O trágico nesta situação consiste em que os indígenas e os empreendedores rurais têm, em suas respectivas posições, razão. Os primeiros lutam por melhores condições de vida, enquanto os segundos possuem direitos de propriedades assegurados. O próprio Supremo, em recente decisão a propósito de Raposa Serra do Sol, estabeleceu “fato indígena”, a saber, o marco para demarcação de terras como sendo a data da Constituição de 1988. A linha divisória consiste em terras efetivamente ocupadas naquela data.

Indígenas têm direitos, empreendedores rurais têm direitos. Os problemas indígenas são basicamente sociais. Clamam, com toda razão, por melhores condições de saúde, educação, moradia. Basta vermos as vestimentas dos índios mostrados na televisão, para constatar que são brasileiros, que não vivem dignamente e são aculturados, ou seja, não precisam de reservas para caçar ou pescar e praticar a agricultura como se fossem tribos nômades.

A Famasul quer participar da solução desse problema social. Para isso é preciso equilibrar o jogo. Se o problema for falta de terras para os índios, o governo deverá comprar terras ou indenizar produtores rurais pelo valor de mercado, mas é preciso uma solução e uma solução definitiva, que favoreça não só os índios ou só os produtores, mas todos nós, brasileiros e sul-mato-grossenses!


Produtor rural, médico veterinário, presidente da Federação da Agricultura e Pecuária do Mato Grosso do Sul (Famasul) e vice-presidente de Finanças da Confederação da Agricultura e Pecuária do Brasil (CNA)

E-mail: famasul@famasul.com.br


Fonte: Famasul
















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