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Quarta-feira, 16 de dezembro de 2009 - 17h25m

Pesquisa > Tecnologia

Sistema de Produção Agrossilvipastoril, exemplo de Integração Lavoura-Pecuária-Caatinga



Por Marcelo Renato Alves de Araújo

As características de solo e clima da caatinga impõem severas restrições a diversos tipos de exploração agrícola de base intensiva, privilégio possível apenas para alguns setores, porém inviável na maior parte de seu território. Nesse cenário, destacam-se como atividades viáveis a ovinocultura e a caprinocultura, notadamente pela sua importância para promover a geração de renda e benefícios sociais, culturais e ambientais para a agricultura familiar.

O contingente populacional dos caprinos e ovinos do Nordeste brasileiro tem aumentado devido à rusticidade e à adaptação ao meio, caracterizado pelo clima quente e seco, e pela vegetação típica do semiárido.

A deficiência ou quase ausência de práticas de manejos adequados, que percorre o processo desde as práticas de criação, passando pelo abate, esfola, conservação e processamento compromete sobremaneira a qualidade do produto final, contribuindo para sua depreciação.

Da mesma forma, a desigual distribuição de terras para produzir na região Nordeste contribui fortemente para agravar os prejuízos de ordem ambiental. A restrição, tanto em quantidade quanto em qualidade, do uso de terra produtiva para as práticas tradicionais de exploração agrícola, pecuária e silvicultural, pelos agricultores familiares do SAB é, provavelmente, o maior fator de degradação dos ecossistemas da Caatinga, resultando no declínio generalizado da produtividade, queda de renda e da qualidade de vida dos agricultores familiares.

No itinerário da agricultura praticada no SAB, ainda predominam as práticas migratórias de derrubada total da mata e queimadas. Com o aumento da concentração de terra e a proliferação de minifúndios, o ritmo vem se acelerando, reduzindo o período de descanso da terra, a níveis incompatíveis com a recuperação das comunidades vegetais e do solo.

A pecuária concentrada nas áreas marginais em termos de solo e água e que tem no superpastoreio desordenado um de seus problemas mais angustiantes, constitui uma das causas mais ativa de enfraquecimento do solo e empobrecimento da cobertura vegetal de extensas áreas dos sertões. Por fim, o corte da madeira, principalmente para produção de lenha e carvão, a mais importante fonte de energia para consumo doméstico na região, tem contribuído significativamente para a devastação do Bioma Caatinga.

A Embrapa Caprinos e Ovinos, juntamente com a Confederação Nacional do Trabalhadores/as na Agricultura (CONTAG), as Federações dos Trabalhadores na Agricultura (FETAGs), com financiamento do Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA), desenvolveu projeto de transferência de tecnologia sobre o Sistema de Produção Agrossilvipastoril (SPA) para o SAB.

O projeto implantou no decorrer de 2008 uma rede de 16 Unidades Técnicas de Referencia (UTR), uma rede de multiplicadores em oito estados nordestinos, nos seguintes territórios rurais e ou de cidadania: Bacia Leiteira (AL), Vale do Itapecuru (MA), Sertão do Apodi (RN), Inhamuns-Cratéus (CE), Sisal (BA), Alto Sertão (SE), Sertão do Pajeú (PE) e Vale do Sambito (PI).

O projeto visa o fortalecimento da agricultura familiar do semiárido através de ações integradas e inovadoras nas atividades agrícolas, pastoris e silviculturais, objetivando a sustentabilidade dos agroecosistemas do semiárido brasileiro.

Cada Unidade Técnica de Referência – Sistema de Produção Agrossilivipastoril (UTR-SPA) já instalada tem uma área padrão de 10 ha, assim subdivididos: 1,6 ha para a agricultura, 4,8 ha para a pecuária, 2,0 ha para terminação das crias e 1,6 ha para reserva florestal.

O manejo do rebanho nas UTRs é realizado da seguinte forma: no início das chuvas, enquanto as culturas e as pastagens se estabelecem, o rebanho passa 30 dias na área de reserva florestal. Após esse período, permanece na área pecuária por todo o inverno.

No início do período seco, o rebanho retorna para a área de reserva florestal por cerca de 30 dias, para aproveitar as rebrotas. Ao término dos 30 dias, os animais são levados à parcela agrícola para aproveitar os restos culturais e as leguminosas. As matrizes receberão suplementação alimentar à base de feno de leguminosa e rolão de milho ou panícula de sorgo, ministrada à tarde.

A rede de parcerias do projeto é constituída por oito Fetag, 16 Sindicatos Rurais de Trabalhadores/as e 04 Unidades Descentralizadas da Embrapa (Tabuleiros Costeiros, Semi-Árido, Meio-Norte e Transferência de Tecnologia).


Engenheiro agrônomo, pesquisador da Embrapa Caprinos e Ovinos - Sobral/CE

E-mail: araujom@cnpc.embrapa.br


Fonte: Embrapa Caprinos e Ovinos - Sobral/CE
















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