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Terça-feira, 22 de dezembro de 2009 - 10h44m

Agronegócio > Milho

Poucas novidades no mercado do milho



Por João Carlos Garcia (1) e Jason de Oliveira Duarte (2)

Pouca coisa se alterou nas informações sobre o mercado internacional de milho no último mês. A colheita do milho nos Estados Unidos continua atrasada, mas isto não tem contribuído sensivelmente para afetar os preços, que têm se mantido no intervalo entre US$ 3,60 e US$ 4,00 o bushel. O etanol continua sendo o suporte para esses preços e já começaram as ações no sentido de aumentar a percentagem de etanol no combustível (de 10 para 15% nos próximos anos) nos Estados Unidos. Como o preço do petróleo não mostra sinal de queda, as condições no mercado de etanol favorecem os preços do milho.

Na Argentina, apesar da violenta redução da área plantada com milho, as condições climáticas estão muito boas e a expectativa dos rendimentos das lavouras é muito otimista.

Na Europa, as notícias sobre a safra que está findando também são favoráveis, com as estimativas de produção na Rússia e na Ucrânia sendo constantemente renovadas para cima, o que favorece o abastecimento regional, apesar da queda na produção em relação ao ano passado.


Situação Interna
No Brasil, as condições de produção na safra de verão continuam favoráveis e servirão para reduzir os efeitos resultantes da redução na área plantada na safra de verão. No caso da safrinha, que é cada vez mais significante para o abastecimento interno, o plantio antecipado da soja irá permitir o plantio antecipado também da safrinha, favorecendo a obtenção de rendimentos agrícolas mais altos. Isto inclui tanto lavouras de soja plantadas com cultivares precoces como as lavouras plantadas com cultivares de ciclo normal, que poderão ser colhidas mais cedo e liberar área para o plantio do milho em condições mais favoráveis do que nas safras anteriores. Qual vai ser a reação dos agricultores ainda é uma incógnita.

As exportações necessárias para escoar o excesso de produção apresentaram uma nova reação no mês de novembro (atingindo cerca de 1,1 milhão de toneladas), indicando que a exportação de 7 milhões de toneladas pode ser ultrapassada com o resultado do mês de dezembro. Do total exportado em novembro, cerca de 86% vieram do estado do Mato Grosso, o que demonstra a eficácia das políticas implementadas em atingir o objetivo de retirar uma quantidade significativa do milho do mercado interno. Apesar disso, o total exportado neste ano é insuficiente para retirar o excesso de produto no mercado. Dessa forma, o país chegará ao início da colheita da safra de verão com um estoque que será o maior dos últimos sete anos.

Mesmo assim, os preços internos do milho começaram a cair novamente. A passagem das festas de fim de ano e as perspectivas favoráveis, até agora, para a safra definitivamente não favorecem movimentos de alta dos preços (um acompanhamento semanal do preço do milho pode ser encontrado no site do CIMilho – www.cnpms.embrapa.br/cimilho). Como essas notícias vêm da região Sul, que realiza os plantios mais cedo, é nela que se verificam, no início do ano, as primeiras colheitas que abastecem as principais regiões consumidoras de milho do Brasil. Assim, os compradores ficam menos inseguros sobre o abastecimento regional e param de exercer pressões para compras, enfraquecendo os preços.

Dessa forma, novidades de verdade para o mercado de milho somente no princípio do ano de 2010. Até lá, o panorama dos preços continua desfavorável e apenas beneficia os agricultores com boa capacidade gerencial, que conseguem produzir (com ajuda do clima favorável) a um custo mais baixo e sobreviver neste ambiente difícil de mercado.


(1) - pesquisador da área de economia agrícola da Embrapa Milho e Sorgo - Sete Lagoas/MG
E-mail: garcia@cnpms.embrapa.br



(2) - pesquisador da área de economia agrícola da Embrapa Milho e Sorgo - Sete Lagoas/MG
E-mail: jason@cnpms.embrapa.br


Fonte: Embrapa Milho e Sorgo
















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