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Quarta-feira, 06 de janeiro de 2010 - 20h13m

Insumos > Agricultura Familiar

A floresta como alternativa de renda à pequena propriedade



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Jorge Antonio de Farias

Foto: Divulgação



Por Jorge Antonio de Farias

A existência de florestas e a vida humana são indissociáveis. Para isso, há vários exemplos na história da civilização humana que demonstram essa ligação fundamental entre o homem e a floresta. A própria evolução da espécie humana ocorreu em um ambiente florestal. Esse fato se explica por que foi justamente na floresta onde as primeiras civilizações encontravam alimento, abrigo e, principalmente, água. Não há como não relacionar a disponibilidade de água sem a existência de florestas.

Posteriormente, quando o homem deixou de ser nômade e passou a ser sedentário, as florestas foram um obstáculo para o estabelecimento da agricultura e pecuária, paradoxalmente, também continuavam a ser fonte de alimento, energia, abrigo, etc.

O papel da floresta vai muito além de produção de produtos madeiráveis, a sua importância não é percebida pela imensa maioria da população, uma vez que seus benefícios podem ser:

Além de econômica e socialmente importante para o Brasil, a floresta tem papel essencial na qualidade de vida da população pelos benefícios ambientais que proporciona. A cobertura florestal protege o solo, os mananciais de água e a fauna, evita enchentes, captura dióxido de carbono proveniente, principalmente, do uso de combustíveis fósseis, aumenta a vida útil de reservatórios hídricos que geram energia ou fornecem água potável e propicia a existência da biodiversidade. À margem das estatísticas deve-se também considerar que existe forte interação do homem com as florestas, onde ele tem frequentemente sua fonte de alimentos, remédios, materiais para construção e renda. (FERREIRA & GALVÃO, 2000).

Atualmente as florestas ainda podem se constituir em mola propulsora do desenvolvimento. Para que ocorra o crescimento econômico de uma região, é necessário disponibilidade financeira, que é obtida via poupança, empréstimos ou pelo extrativismo. No sul do Brasil, temos várias regiões que podem ilustrar esse fato. Seria possível imaginar a região de Lages e Caçador, em Santa Catarina, se não fosse pela enorme disponibilidade de araucárias, ou Caxias do Sul e Vacaria, no Rio Grande do Sul, e toda a região metropolitana de Curitiba, no Paraná?

Essa importância das florestas está muito presente na região sul e, sem dúvida, que “a indústria madeireira, mesmo na concepção extrativista pela qual se desenvolveu, foi precursora da industrialização e financiou, em grande parte, o desenvolvimento de Santa Catarina” (SZÜCS et al, 2002).

No Rio Grande do Sul, por exemplo, Brena (2006) deixa claro que “o aproveitamento da madeira oriunda do desmatamento, especialmente do pinheiro-brasileiro, alavancou a instalação e o desenvolvimento do primeiro ciclo da cadeia produtiva de base florestal, contribuindo substancialmente para a consolidação da matriz econômica do Estado”.

Dessa forma, a atividade florestal na região do Vale do Rio Pardo sempre teve uma característica econômica relevante, basicamente por que a lenha constitui-se em insumo importante no custo de produção da cultura do tabaco.

Talvez em função desta importância, criou-se na região um conceito de que a atividade florestal resume-se na produção de lenha, e principalmente de que as florestas de rápido crescimento, especialmente o gênero Eucalyptus sp, teriam melhor uso para essa finalidade.

Entretanto, a região tem uma ampla vocação florestal na melhor acepção do termo, em função da sua topografia, fertilidade, regime pluviométrico e logística. Além disso, o crescimento de algumas cidades no Vale, como Santa Cruz do Sul, Vera Cruz, Venâncio Aires e Sobradinho, determinaram o aumento de consumo de produtos florestais, além dos destinados a energia, principalmente para processamento em serrarias.

Um exemplo desta mudança de mercado são as florestas plantadas na região Centro-Serra do Vale, tendo como Sobradinho o município destaque. Nessa região, as florestas de Eucalyptus sp, que originalmente foram plantadas para energia, passaram a ser comercializadas também como varas para a construção civil em Santa Maria, permitindo uma remuneração maior para o proprietário rural, em comparação a venda como lenha. Além disso, a produção de pallets e outras embalagens de madeira têm tornando a atividade florestal muito interessante do ponto de vista econômico.

Atualmente, os reflorestamentos com Eucalyptus sp nesta região estão sofrendo uma enorme pressão, em virtude da sua qualidade e disponibilidade, pelas serrarias especializadas na produção de pallets, o que resultará na antecipação de rotações de florestas com potencial de produção de toras de grandes dimensões, conseqüentemente isso garantirá uma valorização do produto no futuro.

Nessa região, a estrutura fundiária é típica de pequenas áreas, tendo como média 18 hectares, evidenciando o predomínio da agricultura familiar, aspecto muito presente em toda a região de produção de tabaco.

A dependência econômica dessas propriedades e famílias em relação ao tabaco é enorme, as opções de diversificação agrícola, considerando toda a estrutura social são limitadas, porque os produtos agrícolas de consumo em massa são commodities, não permitindo que pequenos produtores consigam estabelecer-se em função da escala, para formarem preços e serem competitivos. Nessa linha de raciocínio, a lenha também se torna uma commodities, por conseguinte, a atividade florestal não pode se resumir a produção de lenha, pelo contrário, a lenha deve representar um dos itens, talvez o menor, em termos de oportunidade e rentabilidade para o produtor florestal.

Dessa forma, o desafio que se coloca é comprovar que o dito popular de que não se deve colocar todos os ovos na mesma cesta, aplica-se aqui, no sentido de que a atividade florestal, independente do tamanho da propriedade rural, seja mais uma opção viável de obter renda, gerar emprego e dar uma melhor condição de vida para as populações rurais, principalmente, e às urbanas.


Engenheiro florestal, Mestre em Engenharia Florestal, Doutorando em Engenharia Florestal e Gerente de Produção Agroflorestal da Associação dos Fumicultores do Brasil (Afubra).

E-mail:
farias@afubra.com.br


Fonte: Afubra
















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