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Sexta-feira, 05 de fevereiro de 2010 - 11h43m

Agricultura > Milho

Esperando definições do milho safrinha



Por João Carlos Garcia (1) e Jason de Oliveira Duarte (2)

A situação continua normal nos mercados internacionais. As cotações do milho refletem uma situação de segurança no abastecimento, resultante de uma safra recorde nos Estados Unidos, e o sentimento de que o crescimento da quantidade utilizada para a produção de etanol não abalará o mercado, pelo menos no próximo ano. Já é possível visualizar o preço de referência do milho um pouco abaixo de US$ 4,00 por bushel (os preços mais recentes estavam um pouco acima de US$ 3,60), que é um patamar semelhante ao que se verificou entre meados de novembro de 2006 e o início de dezembro de 2007, quando os preços do cereal iniciaram sua escalada.

Na Argentina, a estimativa da área plantada foi revisada para cima e as condições climáticas têm sido muito favoráveis até o momento, conduzindo a uma previsão de cerca de 18 milhões de toneladas, com um incremento de 5 milhões de toneladas frente às estimativas iniciais (segundo a Bolsa de Cereais de Rosário). A Associação dos Produtores de Milho e Sorgo da Argentina (Maizar) estima um valor ainda superior: 19,5 milhões de toneladas. A partir destas informações já começam solicitações de maior liberdade para exportação do milho a ser colhido nesta safra naquele país, que é fortemente controlado pelo governo argentino com o objetivo de conter o crescimento dos preços internos deste cereal.

Na Europa, as condições também estão normais, com aumento de exportações pela Ucrânia, assim como de outros países da antiga União Soviética, o que indica a progressiva reorganização do setor agrícola nestas regiões produtoras que entraram em colapso após a desarticulação do regime comunista.

Do lado do consumo, a eterna esperança representada pelas exportações da China fica adiada. Existem indícios de que os planejadores do governo deste país se voltaram para garantir o abastecimento interno de arroz e de milho (para assegurar a segurança no setor de criação animal). Para o que falta nesta equação, que é a soja (também para alimentação animal), ficou definida a importação. Resta saber até que ponto os ganhos de produtividade, que têm sido conseguidos na produção de milho, permitirão a manutenção desta estratégia.

Com a situação favorável que se verifica nos Estados Unidos e na Argentina, existem perspectivas de aumento na quantidade disponível para exportações por estes países, o que de certa forma afeta o mercado externo de milho do Brasil.

Situação Interna
No Brasil, as exportações do ano de 2009 foram cerca de 1,4 milhões de toneladas superiores às do ano de 2008 (as importações em 2009 foram 400 mil toneladas superiores às de 2008). Apesar do crescimento, as exportações ainda foram insuficientes para escoar o excesso de estoque deste cereal no mercado interno, e os preços continuaram deprimidos.

Os estoques foram reduzidos em apenas 1 milhão de toneladas e o país chegará ao início da colheita da safra de verão com um estoque que será o segundo maior dos últimos nove anos. O estoque de passagem (10,9 milhões de toneladas, segundo estimativas da Conab) é suficiente para afetar o mercado de milho durante todo o ano de 2010 e, dependendo do desdobramento da safra de verão e da safrinha, ainda exercer influência sobre o início de 2011.

A safra de verão já está praticamente definida no Centro-Sul do Brasil, com condições climáticas muito favoráveis para as lavouras de milho, o que compensou, em parte, a redução da área plantada nos principais estados produtores. Melhor ainda foi a recuperação da produção nos estados da região Sul, o que favorece o abastecimento na principal região consumidora. A proximidade dos portos e a facilidade de transporte também podem favorecer a exportação a partir dos estados desta região. Desta forma, aumentos de produção na região Sul podem ser mais administráveis do que os que ocorrem na região Centro-Oeste, na safrinha.

A safrinha, por enquanto, é uma incógnita. O total da área que será plantada ainda está indefinido. O sétimo levantamento de safra realizado pela Céleres indica um crescimento da área plantada em todos os estados produtores, com exceção do Paraná. O Departamento de Economia Rural (Deral), da Secretaria da Agricultura do Paraná, já havia verificado uma possível redução na área plantada na safrinha neste estado (ressalva-se que podem ocorrer modificações).

O Instituto Mato Grossense de Economia Agropecuária (Imea) indica um possível recorde na área plantada com milho na safrinha, no Mato Grosso. Melhores definições virão nas próximas semanas. Entretanto, caso este crescimento se verifique, aliado ao fato de que o plantio do milho safrinha neste ano está sendo possível de ser realizado mais cedo, aumentam as perspectivas de uma safrinha com bons rendimentos agrícolas. Entretanto, tendo em vista que os plantios de milho na safrinha são sempre acompanhados por uma indefinição muito forte em relação ao clima, ainda é muito cedo para projeções quanto a isto.

Esta situação de produção no Centro-Oeste pode conduzir a uma repetição do que aconteceu em 2009, sendo necessária uma intensa intervenção do Governo Federal para sustentar os preços do milho, principalmente considerando-se que os preços mínimos, mesmo para estas regiões, foram reajustados para cima nesta safra.

Em decorrência destes fatos, os preços do milho têm se mantidos estáveis, em níveis relativamente baixos, e pouco remuneradores (um acompanhamento semanal do preço do milho pode ser encontrado no site do CIMilho – www.cnpms.embrapa.br/cimilho).

Deve-se assinalar que como grande parte da melhoria dos rendimentos das lavouras de milho na safra de verão foi resultante de situações climáticas favoráveis (que não tem custo), a situação pode não ser assim tão desfavorável, em termos de renda.

De qualquer forma, a melhor definição em relação aos preços do milho, mesmo nos próximos meses, vai depender das informações sobre o andamento da safrinha de milho. Primeiro quanto à melhor definição da área plantada e depois tendo como parâmetro o comportamento do clima durante os períodos mais críticos desta época de plantio.

1) - pesquisador da área de economia agrícola da Embrapa Milho e Sorgo - Sete Lagoas/MG
E-mail: garcia@cnpms.embrapa.br

(2) - pesquisador da área de economia agrícola da Embrapa Milho e Sorgo - Sete Lagoas/MG
E-mail: jason@cnpms.embrapa.br


Fonte: Embrapa Milho e Sorgo
















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