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Sexta-feira, 26 de fevereiro de 2010 - 09h50m

Agricultura > Milho

Milho, indicadores de tendência



Por João Carlos Garcia (1) e Jason de Oliveira Duarte (2)

Situação Mundial
Poucas alterações estão ocorrendo nos mercados internacionais. Nos Estados Unidos, as previsões de uso do milho para a produção de etanol foram incrementadas em cerca de 2,5 milhões de toneladas, totalizando 109 milhões de toneladas (mais do que duas safras brasileiras). Por outro lado, a safra recorde nos EUA dá sustentação a esta situação, assim como o preço do petróleo, que insiste em permanecer acima dos US$ 70 por barril e viabiliza a produção de álcool a partir do milho. A primeira – e ainda muito preliminar – projeção feita pelo Departamento de Agricultura dos Estados Unidos indica um crescimento da área plantada com milho para a próxima safra, sinalizando uma nova safra recorde.

Na Argentina, uma estimativa da produção foi liberada pelo Ministério da Agricultura situando a produção de milho no intervalo entre 19 e 21 milhões de toneladas, superiores às previsões anteriores liberadas por entidades não oficiais. Esta convergência das estimativas indica que a safra argentina será, com toda certeza, excepcional, em função das condições climáticas muito favoráveis, principalmente. Esta situação passa um sentimento de conforto no que diz respeito ao abastecimento mundial de milho (visto que a produção de milho na Argentina é, em grande parte, exportada).

Com a situação favorável que se verifica nos Estados Unidos e Argentina existem perspectivas de aumento na quantidade disponível para exportações por estes países, o que, de certa forma, afeta o mercado externo de milho do Brasil. Por outro lado, começaram a aparecer notícias relativas a restrições de grandes importadores com respeito à qualidade do milho americano (que foi afetado pela colheita tardia). 

Importadores do Japão, que se abastecem quase que em sua totalidade de milho americano, já iniciaram negociações para compras na Argentina e no Brasil, países que dispõem de milho de melhor qualidade. Já no ano de 2009, o Japão importou cerca de 270 mil toneladas do Brasil (concentradas nos meses de novembro e dezembro) e em janeiro de 2010 foram quase 90 mil toneladas. Considerando que nos anos anteriores praticamente não ocorreram negócios com milho entre o Brasil e o Japão, poder ser que esta seja uma boa oportunidade se abrindo.

O Departamento de Agricultura dos Estados Unidos disponibilizou suas projeções de longo prazo para o setor agrícola, projeções feitas para os próximos 10 anos. Embora o que interessa para o produtor é a visão de curto prazo, pois é ela que define a sua sobrevivência, estas projeções são importantes sob o ponto de vista da política nacional, pois podem servir como uma estratégia de direcionamento para a implantação de políticas voltadas para o setor agrícola.

Algumas das previsões de longo prazo (até 2019) que se encontram neste documento são as seguintes:

a) O preço do petróleo deverá aumentar ao longo da próxima década, o que afetará os custos de produção (leia-se combustíveis e fertilizantes) no setor agrícola.

b) As políticas de subsídio ao uso do etanol e do biodiesel e de proteção ao mercado interno (via tarifa de importação) nos Estados Unidos continuarão.

c) Em função das contínuas demandas por etanol nos Estados Unidos e por biodiesel na União Européia, além da recuperação econômica nos países em desenvolvimento (que afetará a demanda por alimentos), os preços de cereais e oleaginosas se manterão em níveis historicamente altos (a transmissão destes preços para o mercado interno brasileiro dependerá da valorização do real frente ao dólar).

d) No caso específico do milho, o mercado internacional continuará crescendo, principalmente na América Latina, México, África e Oriente Médio. Considerações ambientais relacionadas à geração de dejetos de animais confinados irão restringir as importações de milho para a alimentação animal no leste da Ásia. Os Estados Unidos continuarão sendo os maiores exportadores de milho, seguidos pela Argentina, Brasil e pelos países da antiga União Soviética (principalmente Ucrânia). A China torna-se um pequeno importador líquido de milho.

e) Durante a próxima década, o Brasil continuará sendo o principal país exportador de carne de aves, além de aumentar a sua competitividade em mercados importadores de carne suína como a Rússia e países da Ásia, o que fortalecerá a importância da produção de milho para o abastecimento interno.

Situação Interna
No Brasil, as notícias sobre a quantidade produzida continuam favoráveis e deprimem os preços do milho no mercado interno. Os estoques disponíveis garantem um abastecimento relativamente folgado do mercado interno. Para os produtores de milho, resta uma análise cuidadosa da estratégia de comercialização de seu produto, que ainda fica na dependência do desenvolvimento da safrinha.

O plantio da safrinha segue acelerado e, o que é mais importante, está sendo possível de se realizar mais cedo, o que não garante, mas cria condições favoráveis para uma produtividade mais elevada do que plantios realizados no período final da época recomendável. De qualquer maneira ainda é muito cedo para se realizar qualquer inferência sobre o resultado final da produção de milho nesta época no ano de 2010.


1) - pesquisador da área de economia agrícola da Embrapa Milho e Sorgo - Sete Lagoas/MG
E-mail: garcia@cnpms.embrapa.br

(2) - pesquisador da área de economia agrícola da Embrapa Milho e Sorgo - Sete Lagoas/MG
E-mail: jason@cnpms.embrapa.br


Fonte: Embrapa Milho e Sorgo
















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