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Quarta-feira, 31 de março de 2010 - 20h38m

Agronegócio > Economia

2010 promete!



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Leo Togashi

Foto: Divulgação



Por Leo Togashi 

A Copa do Mundo de 1970, no México foi um divisor de águas para o Futebol Mundial. Ninguém levou em conta a altitude da Cidade do México, apenas o time do Brasil estava preparado fisicamente para suportar esta característica. Não que isto tire o mérito do time. Aos que viram os jogos, foi um privilégio ver o que Pelé, Tostão, Jairzinho, Rivelino, Gerson e seus companheiros fizeram naquele longínquo Julho de 1970, 40 anos atrás. O que tem a Copa de 70 com os nossos dias e o agronegócio do Brasil?

Apesar da crise mundial, vamos fechando mais uma safra, com boas perspectivas de produção. De olho neste ano, muitos analistas já projetam crescimento e infundem um bom animo nos produtores, para se planejarem para o próximo plantio. Preparação é então um ponto chave para obter bons resultados.

Mas o tema deste artigo não são os números agrícolas, ou as tendências de comercialização ou cotações das commodities. Vamos abordar as tendências do modo como afetam as pessoas. Afinal são elas que fazem o agronegócio acontecer.

Pressão de todo lado.
Percebemos que a competitividade dos mercados leva a uma cobrança cada vez maior dos colaboradores. Jornadas estendidas, viagens, trabalho sob pressão em busca de resultados, estão levando a um stress cada vez maior. Ao mesmo tempo em que se fala em qualidade de vida, a cobrança em todos os níveis hierárquicos é muito alta. Os ambientes corporativos não estão tão saudáveis assim. Prova é que algumas empresas já têm Assistência Psicológica para Presidentes e Diretores.

A tecnologia elimina postos de trabalho no campo, quando máquinas e equipamentos substituem diversos profissionais de trabalho braçal, provocando o desemprego como vemos na colheita mecanizada de cana-de-açúcar. Ao mesmo tempo, o incremento de tecnologia provoca uma demanda cada vez maior por profissionais mais qualificados, para operar equipamentos mais complexos, informatizados e que necessitam de treinamento para sua correta operação. A mecanização da colheita de cana já chegou a 50% das lavouras, e o número de trabalhadores contratados no setor sucroalcooleiro cresceu 39% entre 2003 e 2008, segundo pesquisa recente da Universidade de São Paulo (USP).

A tecnologia beneficia a todos. Mas tem o seu preço.

As máquinas e equipamentos agropecuários já têm uma alta carga de informática embarcada, muitas fazendas já operam diversos softwares de controle das atividades agropecuárias. O produtor ou criador vai se digitalizando, e o mesmo acontece com seus funcionários. A produtividade do campo não é feita de grandes saltos, mas de pequenos incrementos que somados, produzirão o rendimento final positivo ao fechar as contas da safra ou quando se vende o rebanho.

Ganha-se uma Copa vencendo cada jogo, e não apenas um só.
O crescimento do acesso à Internet pelo homem do campo é inegável. Da última pesquisa sobre Hábitos de Mídia feita pela ABMR&A indicava 35% do público conectado à Internet em 2005; arrisco dizer que hoje este percentual deve estar na casa dos 60 ou 70%.

Do lado dos custos, a tendência é de alta. A tecnologia custa caro. Insumos, biotecnologia, genética, processos e novos equipamentos precisam amortizar os investimentos feitos em pesquisa, daí, os preços altos das novidades, que vão barateando à medida que outros fornecedores passam a produzir tais itens. Por isso, prepare seu bolso!

Há um forte interesse de estrangeiros pela aquisição de terras brasileiras para plantar aqui, tanto pessoas físicas como jurídicas, indicando uma maior presença internacional que pode alterar drasticamente o perfil de algumas culturas ou os patamares mais tecnificados das grandes culturas. Os “brasiguaios” que se cuidem!

A globalização chega ao campo.
Também, diversos grupos estrangeiros estão comprando Usinas, total ou parcialmente, num processo similar ao que ocorreu no mercado de autopeças. Lá fora não há mais como crescer, os investidores vão buscar investimentos em mercados que ainda tem potencial para crescer, exatamente o caso do Brasil.

Assim como a concentração dos frigoríficos, por um lado aumenta o potencial da carne brasileira de competir no exterior, pode deprimir os preços pagos ao criador, gerando problemas na cadeia e causando uma evasão dos criadores para outras atividades. Quem produz leite sabe do que estamos falando. Um tiro no pé, a longo prazo!

As discussões sobre a preservação ambiental devem continuar, e se o agronegócio não souber administrar este problema, seja com lobby, ou esclarecimento da população e dos políticos, através de uma forte ação de comunicação, será muito triste ver o produtor e o criador vestirem a carapuça de vilão da história. Muitos estão atrás apenas de um bode expiatório!

Mesmo com todos os problemas de clima, financiamento, tecnologia, flutuação de preços na comercialização, uma certeza tenho: o Brasil continuará produzindo riquezas no campo. Se o mercado aperta, o criador e produtor diminuem o passo, mas segue em frente. Se o horizonte é favorável, ele acorda mais cedo ainda, para aproveitar as oportunidades.

Então 2010 poderá ser um ano brilhante para quem trabalha sério, investe em tecnologia, faz a gestão adequada dos recursos que tem em mãos, e vai colher os frutos do seu trabalho árduo.

A única coisa que não muda, são as mudanças.
O que devemos levar em conta é que o mundo está mudando, muito rápido; a velocidade do campo já foi mais lenta, mas está aumentando. As novidades surgem como pipocas estourando na panela, de repente e fazendo um barulhão. Cabe ao criador/produtor prestar atenção, para poder avaliar corretamente se aquela inovação será boa para o seu negócio. A postura que ele precisa é conhecer melhor o que vem por aí, se antecipar à novidade tecnológica, para poder julgar e implementar rapidamente só o que contribuirá para um retorno melhor do seu investimento na propriedade.

Lembrando da Seleção de 1970, quem estiver melhor preparado será o campeão.



Publicitário, dirige o Núcleo Agro da F3 Propaganda, agência especializada em Comunicação Inteligente para o Agronegócio
E-mail: Leo.togashi@f3agencia.com.br


Fonte: Página Rural
















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