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Sexta-feira, 21 de maio de 2010 - 19h47m

Agronegócio > Ovinos

A ovinocultura brasileira e o Paraná



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Paulo Afonso Schwab

Foto: Divulgação / Arco



Por Paulo Afonso Schwab

Exercer a presidência da Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos, a Arco, exige a minha presença em muitas feiras, eventos, seminários. Com isto viajo bastante pelo Brasil o que me possibilita hoje, depois de analisar um pouco o cenário como um todo, dizer que finalmente, a ovinocultura despertou do seu sono mais profundo, depois de muitos anos vivendo em letargia. Digo isto porque em vários momentos fui abordado por criadores, políticos, técnicos de Governo, com o único fim de conversar sobre o tema ovinocultura.

Também pude observar o crescente movimento, em vários estados, de criadores buscando organizarem a cadeia produtiva para implantarem um projeto de produção de carne ovina. As vezes, em vôo solo, as vezes junto com outros produtores. Também os espaços na imprensa especializada cresceram e as empresas produtoras de insumos estão investindo no setor. Para somar, vemos governos criando setores ou Câmaras Setoriais para debaterem o assunto. Isto tudo acaba confirmando este sentimento positivo de que o agronegócio ovino está se encaminhando para uma nova realidade, para um novo patamar.

Segundo dados do IBGE o rebanho ovino brasileiro está em torno de 16 milhões. É um volume pequeno diante de todo o potencial que tem no País, mas é um rebanho que possui uma carga genética exportável, principalmente para países de clima tropical. Um dado que é interessante ressaltar é que diferente de pelo menos 10 anos atrás, hoje o setor ovino já pode falar que possui quatro vértices de negócios, qual seja, a lã, a carne, a pele e o leite. Alguns mais estruturados como a lã e a carne, outros ainda carecendo de formação da cadeia produtiva. Mas os produtores são organizados no processo e devem chegar lá muito em breve.

O Rio Grande do Sul ainda lidera em volume de animais seguido da Bahia. Talvez não seja demais lembrar que foi o Rio Grande do Sul que no passado, melhor estruturou a atividade, principalmente porque estava focado na produção de lã, enquanto outros estados tinham rebanhos para consumo e alguma produção de carne e pele. Mas neste momento em que estamos muito próximos de iniciar uma nova edição da Feira Nacional Rotativa de Ovinos, a Fenovinos, que pela primeira vez acontece fora do Rio Grande do Sul, eu penso que seja importante dar um certo destaque para um estado que vem, ano a ano, organizando muito bem a sua produção ovina; o Paraná. Ele já é um dos principais produtores de grãos e de aves do País e pelo modo como trabalham, muito em breve também vai ser destaque nacional em ovinocultura. Por esta razão, foi muito justa a decisão dos associados em apoiar o pleito da cidade de Ponta Grossa, PR, para sediar esta Fenovinos que inicia no próximo dia 25 de maio.

O Paraná, segundo dados da Associação Paranaense de Criadores de Ovinos, Ovinopar, possui um rebanho estimado entre 550 a 600 mil cabeças (4,12% do rebanho nacional) conduzido por cerca de 9.700 produtores em aproximadamente 17.200 propriedades. Cerca de 94% dos criadores de ovinos são proprietários. Ile de France e Texel estão entre as raças mais utilizadas pelos criadores paranaenses, não obstante a Dorper e White Dorper e também a Poll Dorset tenham mostrando um significativo crescimento, mais recentemente. O maior interesse deles reside na exploração de cordeiros para abate e os maiores rebanhos estão situados nas microrregiões de Guarapuava, Curitiba (explicado pelo aumento da demanda nos grandes centros urbanos) e Ponta Grossa. Existem atualmente 10 plantas de abate de ovinos com inspeção SIF no Estado.

Sobre o Paraná é importante mostrar também a sua maneira diferenciada de organização. Atualmente as oito cooperativas de produtores estão tornando a ovinocultura paranaense cada vez mais competitiva. Por outro lado, o agronegócio de ovinos assume caráter cada vez mais profissional e intensivo, visando a redução dos custos através da compra de insumos mais baratos, da padronização dos rebanhos e dos abates, além da negociação direta com o mercado consumidor (restaurantes e hotéis principalmente). Acredito que olhar para exemplos como este que está acontecendo no Paraná, é ter uma oportunidade de aprender como se organiza uma cadeia produtiva ou pelo menos a produção de carne ovina. Por isto acredito que esta próxima Fenovinos tem tudo para ser um importante palco de discussões sobre o setor.


Médico Veterinário, agropecuarista e criador de ovinos das raças Corriedale e Texel, em Cachoeira do Sul/RS. É presidente da Associação Brasileira dos Criadores de Ovinos (Arco).
E-mail: paschwab@terra.com.br


Fonte: Página Rural
















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