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Terça-feira, 29 de junho de 2010 - 10h41m

Agronegócio > Milho

Nada de novo no mercado de milho



Por João Carlos Garcia (1) e Jason de Oliveira Duarte (2)

Situação mundial
Não se verificaram ocorrências no mercado internacional do milho, nos últimos meses, que conduzissem a alterações profundas no mercado mundial deste cereal. Neste período de início de plantio nos Estados Unidos, a ainda não liberação da estimativa de área plantada (os dados em uso no último relatório do Usda são de 31 de março) e a constatação de que o plantio se encontra adiantado com as lavouras em condições favoráveis até o momento mantiveram a flutuação dos preços na faixa de US$ 3,5 a US$ 4,00 por bushel (mais próximos do limite inferior desta faixa). Como não existem grandes novidades, a situação tende a se estabilizar e a refletir com maior clareza a real situação do mercado.

O aumento da área plantada nos EUA necessita ser confirmado nos próximos levantamentos do Usda (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos) e, embora os indicativos iniciais sejam favoráveis, ainda existe um longo caminho até a definição final dos rendimentos agrícolas das lavouras, que somente poderão ser verificados nos próximos meses, na medida em que os plantios evoluírem.

A primeira estimativa de intenção de plantio para a próxima safra nos EUA foi liberada no dia 31 de março e indica um incremento de cerca de 2,5 % na área plantada com milho (projetando para a terceira maior área com este cereal na história) e também um incremento na área plantada com soja.

Estes números preliminares dão tranquilidade ao mercado na medida em que projetam um atendimento satisfatório à demanda interna dos Estados Unidos, mesmo com o crescimento da utilização do etanol como combustível nesse país. Como ocorreu no Brasil no início do Pró-Álcool, a maior parcela do etanol consumido como combustível nos EUA é na forma de mistura na gasolina. O limite autorizado está em 10% e segue a discussão sobre a elevação deste limite para 15%, o que fornecerá novos incentivos para aumento do processamento do milho para produção de etanol. Somente para comparação, a mistura autorizada no Brasil tem variado na faixa de 20% a 25%, dependendo da oferta interna de etanol.

Na Argentina, os dados mais recentes confirmam uma colheita recorde, e, torno das 22 milhões de toneladas de milho. Como a demanda interna se encontra plenamente atendida, o governo vem liberando as cotas de exportação (e reajustando-as à medida que novas informações sobre a safra são disponíveis), reconduzindo a Argentina a seu papel de importante player do mercado internacional deste cereal, que tinha sido abalado em decorrência da frustração na safra de 2008/09. Esta retomada certamente afetará o cenário para colocação dos excedentes do milho brasileiro no exterior.

Do lado europeu, não existem sinais, até agora, de problemas de abastecimento interno. As necessidades de importações dos países da Comunidade Europeia são baixas em relação ao consumo e a situação agrícola dos países da ex-União Soviética e Ucrânia continuam a se normalizar, estabilizando o abastecimento regional de milho.

Em resumo, uma situação calma nos mercados mundiais, o que indica dificuldades para a condução das políticas de regularização do mercado brasileiro do milho, que estão fortemente dependentes do mercado externo.

Situação interna
No Brasil, as exportações necessárias para escoar o excesso de milho estocado apresentaram resultados desanimadores em maio (cerca de 93 mil toneladas), atingindo um total de 2,05 milhões de toneladas nos primeiros cinco meses de 2010. Este total representa 64% das exportações de milho no mesmo período de 2009 e indica dificuldades para atingir o nível de exportações necessárias para regularizar o mercado interno brasileiro. Os principais países importadores do milho brasileiro, até o mês de maio, foram o Irã, o Japão e Taiwan.

A próxima definição com relação à produção de milho está nos resultados finais da safrinha. Já se mostram cada vez mais consistentes os sinais de quebra na safrinha de Mato Grosso. Esta quebra significa uma grande redução em relação ao esperado no início do plantio (a partir de projeções com base em um acréscimo de 21% na área plantada), porém a produção é apenas pouco menor do que a que foi obtida no ano passado, não refrescando muito a situação de mercado neste estado. Por outro lado, no Paraná, os resultados da safrinha seguiram o caminho inverso, com as condições climáticas favoráveis levando ao aumento da produção, embora houvesse redução na área plantada.

As perdas na produção de milho na safrinha em Mato Grosso estão sendo confirmadas, porém afetaram pouco o preço recebido pelos agricultores neste estado, em decorrência, principalmente, dos estoques ainda disponíveis (um acompanhamento semanal do preço do milho pode ser encontrado no site do CIMilho - www.cnpms.embrapa.br/cimilho), e da produção ainda muito superior às necessidades de milho em Mato Grosso, ainda que crescentes. Os preços verificados, por exemplo, em Lucas do Rio Verde perderam neste mês tudo o que havia ganho no mês anterior e voltaram para o nível de R$ 9,00 por saca. Nos outros estados do Sudeste e do Sul, os preços ensaiam uma reação ainda pequena.


(1) - pesquisador da área de economia agrícola da Embrapa Milho e Sorgo - Sete Lagoas/MG
E-mail: garcia@cnpms.embrapa.br

(2) - pesquisador da área de economia agrícola da Embrapa Milho e Sorgo - Sete Lagoas/MG
E-mail: jason@cnpms.embrapa.br


Fonte: Embrapa Milho e Sorgo
















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