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Por Carlo Lovatelli
“O Brasil viveu quatro séculos concentrando a exploração econômica em seu litoral, dando as costas para o seu interior. Liderado pelos pioneiros do cerrado, o país, em 2002, ultrapassou os Estados Unidos como maior exportador mundial de soja em grãos, óleo e farelo. Além disso, recentemente tornou-se o maior exportador mundial de carne bovina, superando a Austrália”.
O texto acima não é de um jornalista brasileiro, tampouco saiu em algum jornal ou revista daqui, mas foi a abertura de uma importante reportagem de capa da revista norte-americana Newsweek, publicada no início desta década.
O sucesso do agronegócio brasileiro e sua liderança na produção de açúcar, etanol, café e suco de laranja, complexo soja, aves, bovinos e suínos, dentre outros produtos, hoje têm grande cobertura lá fora, e vira e mexe ocupa as páginas dos principais veículos internacionais, como Le Monde, The New York Times, El País e Time.
Não apenas a imprensa voltada à economia, mas publicações científicas de grande prestígio, caso da Nature, destacam a excelência da pesquisa brasileira. Na semana passada, a revista lembrou, em editorial, um grande feito no campo da genômica. Há dez anos, 100 pesquisadores de 35 laboratórios do país anunciaram o sequenciamento genético da Xylella fastidiosa, bactéria causadora da praga do amarelinho, que provoca sérios prejuízos aos pomares de laranja.
Na tecnologia, o mundo admira e reconhece o grande papel da indústria brasileira de etanol, que oferece ao planeta uma solução energética limpa e renovável. A União da Indústria da Cana de Açúcar (Unica) teve que reforçar sua equipe de Comunicação para atender à demanda da imprensa internacional por informações sobre biocombustíveis.
O mundo descobriu o agronegócio brasileiro, embora por aqui ele seja pouco conhecido (e compreendido) pela sociedade, além de ocupar pouco espaço e interesse na imprensa brasileira. Marc Magolis, repórter que produziu a matéria da Newsweek, tem razão. O Brasil viveu quatro séculos ignorando o seu interior. E de costas para o interior, a imprensa brasileira perdeu o contato com o Brasil, desmontando inclusive sua equipe de correspondentes.
Comunicação é um dos principais temas do 9º CBA (Congresso Brasileiro de Agribusiness). A Abag vai apresentar um plano de comunicação para o agronegócio brasileiro, elaborado a partir de uma ampla pesquisa com vários segmentos da sociedade.
Queremos avaliar como se dá a comunicação do agronegócio com o público urbano e a imprensa nacional, hoje uma questão prioritária. Principalmente diante deste cenário de confronto e intolerância entre dois grupos que a sociedade e a imprensa convencionaram a chamar de “ruralistas” e ambientalistas, clichês que não correspondem à realidade.
Salvo exceções cada vez mais raras, quem melhor mantém a relação com o meio ambiente e trata e preserva os recursos naturais são os produtores rurais. A terra é o seu principal patrimônio.
Além do tema “Comunicação”, o 9º Congresso da Abag vai abordar o painel da “Governança” por meio da participação em vídeo dos três principais candidatos à Presidência da República, que responderão a questões levantadas pelo setor do agronegócio e que serão, logo após, debatidas pelos participantes do evento e com participação de quem estiver acompanhando via Twitter.
Presidente da Associação Brasileira de Agribusiness (Abag) - São Paulo/SP
Email: abag@abag.com.br

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