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Por Leo Togashi
As mudanças que a tecnologia provoca tem sido tão grandes que exigem de nós uma nova postura sobre o que fazemos com os nossos velhos comportamentos.
Quando falamos em Tecnologia, pensamos sempre nos laboratórios onde cientistas de avental branco estão debruçados sobre um aparelho complexo, examinando alguma amostra ou experimento. Em grande parte esta imagem é verdadeira. Mas a tecnologia pode assumir a imagem de uma Caixa de Pandora, aquela da lenda em que Epimeteu abriu a caixa e libertou todos os males que se abateram sobre os homens.
Tudo o que é novo, é desconhecido, ou não o dominamos completamente. Assim também, toda nova tecnologia tem um quê da caixa de Pandora. Para que ela se torne nossa amiga, precisamos dominá-la, e este processo somente pode ser feito pela Comunicação.
“Trocar em miúdos” é uma expressão popular que torna algo difícil de entender numa coisa compreensível para nós. Quando alguém “troca em miúdos” as coisas complexas da nova tecnologia, entendemos tudo e aquilo se torna claro para nós.
Ela precisa “funcionar”, precisa produzir resultados positivos para o homem do campo, e somente quando ele vê que estas “novidades” estão fazendo com que ele possa comprar uma geladeira nova para a patroa, trocar o tratorzinho velho por um mais moderno, implantar um sistema de irrigação na propriedade, melhorar a qualidade genética do seu rebanho, e criar uma boa infra-estrutura em sua fazenda; aí ele toma consciência de que a tecnologia é boa. E por conseguinte, passa a confiar na tecnologia.
O que muitos deixam de considerar, é que a tecnologia é levada ao homem do campo pelas pessoas que tem a tarefa de divulgá-la, sejam os pesquisadores nos congressos e seminários, os extensionistas dos órgãos públicos, os engenheiros agrônomos e florestais, veterinários, zootecnistas e todos os consultores e vendedores que assessoram o homem do campo no seu negócio de produzir alimentos.
Então, como o ser humano é um ser que se baseia nas relações com outras pessoas para se situar no mundo, ele passa a confiar na PESSOA que trouxe esta Tecnologia para ele.
Mas com a velocidade que as mudanças ocorrem nos dias de hoje, as PESSOAS que interagem com o homem do campo mudam conforme as necessidades que as empresas tem de realocar sua força de vendas/técnicos em outros territórios. Até o recém-chegado conquistar a confiança do mercado local, lá se foram seis meses, um ano... É preciso mudar esta equação da PESSOA, para os processos. Não que as pessoas não sejam importantes; elas são fundamentais.
Mas o processo de adquirir informação confiável não pode mais demorar tanto. A informação está disponível para todos em muitos meios: TV, rádio, revistas, jornais, livros, vídeos e principalmente pela Internet.
Neste ponto, o campo fica em desvantagem, pois sabemos que o acesso à Web ainda não chega a algumas regiões mais distantes. Além disso, todos sabemos das dificuldades que pessoas das gerações passadas têm com a informática e a eletrônica, que cada vez mais tomam conta de nossas vidas.
A boa notícia é que a nova geração que vem aí, começando a tomar as rédeas dos assuntos nas propriedades rurais, já tem no seu DNA o necessário para assimilar as novas tecnologias.
A inclusão digital no campo deve avançar nos próximos anos, à medida que os inovadores implementam a “última novidade”, e levam seus vizinhos a ficar com “água na boca”, estas tecnologias se embrenham pelos rincões onde hoje encontramos apenas antenas parabólicas para se conectar com o mundo.
Voltando ao assunto PESSOAS, a tecnologia não é nada se não tivermos as pessoas para fazê-la funcionar.
Assim como os tratores e os implementos exigiram treinamento em mão-de-obra, o desafio dos proprietários, e porque não dizê-lo, dos empresários rurais, será capacitar esta força de trabalho, para trabalhar com equipamentos cada vez mais sofisticados, informatizados. Assim como o operário fabril evoluiu para operar máquinas automáticas com alto índice de informatização, assim será com os trabalhadores rurais. O desafio será não só saber o que tem de novo no mercado; mas sim o que fazer com aquilo que sabemos, lidar com as informações disponíveis será mais importante do que possuí-las, cada vez mais no HD do notebook e não no seu cérebro.
Se a velha escola se baseava na memorização da informação, onde quem se lembrava em que data houve a abertura dos portos por D. João VI acertava a questão; hoje as escolas deviam preparar os alunos para lidar com aquilo que sabem, processar os dados é uma atividade mais elevada do que memorizá-los.
Queremos ver em breve fazendeiros gerenciando suas propriedades via Internet; veterinários e agrônomos monitorando rebanhos e lavouras através de estações e sensores que darão não apenas informações meteorológicas, mas todo o perfil do rebanho ou talhão plantado, em tempo real. As chamadas Geotecnologias estão em pleno desenvolvimento, sensoriamento remoto e mapeamento para quantificar áreas ocupadas com plantios ou rebanhos serão coisa comum em breve.
Assim como temos ferramentas de gestão administrativa para grandes corporações, teremos programas e equipamentos adequados ao universo rural. Softwares de gestão aperfeiçoados, sensores e câmeras para detecção de pragas e doenças nos animais e lavouras contribuirão para maximizar os investimentos do homem do campo, fazendo a balança do custo-benefício se equilibrar a favor daqueles que trabalham melhor.
A recente crise mundial demonstra que não há mais lugar para comportamentos não-éticos.
Atitudes que levaram uma oportunidade de lucros honestos a se transformar em especulação movidos a ganância (que é um dos sete pecados capitais), mostram que não há mais impunidade para irresponsabilidade para com o futuro de todos. Alguém sempre paga a conta, e estamos chegando num ponto em que a interconexão do mundo fará com que o débito pelos nossos erros seja cobrado amanhã em nossa própria porta.
As empresas (eis aí novamente as PESSOAS) precisam mudar esta postura, entender que devem fazer o mercado como um todo crescer, para que o bolo a ser dividido seja maior e o seu pedaço (market share) seja mais generoso.
Não é a toa que o tema da Sustentabilidade e Responsabilidade Sócio-ambiental estejam na moda. A sabedoria do homem do campo já dizia: “Quem planta, colhe”, então vamos fazer as coisas do jeito certo.
Alguns dados de pesquisa junto ao homem do campo mostram um alto índice de conscientização da preservação ambiental; ele, mais do que ninguém já percebeu que não deve agredir o planeta, pois a mãe natureza pode ser muito generosa e farta, mas quando fica brava...
E Responsabilidade Sócio-ambiental é muito mais do que pagar os créditos de carbono, plantar árvores na beira do rio, ou veicular uma campanha em que o cachê de uma celebridade foi doado para uma entidade beneficente. Os princípios de sustentabilidade econômica, tão apregoados na Missão de tantas companhias, devem ser ampliados para promover o progresso do setor em que atuam; não “matar a galinha dos ovos de ouro” significa para as empresas uma nova postura empresarial, em que CEO’s e Líderes Empresariais devem mobilizar a comunidade corporativa a pensar em mais do que a previdência privada que estão reservando para ter um futuro melhor.
Se não mudarmos nossa mentalidade colonial predatória, do egocentrismo dominante, da falta de consideração para com o seu próximo, não conseguiremos acompanhar as mudanças que estão ocorrendo no ambiente em que vivemos.
Os dinossauros não sobreviveram para nos contar a história, e todos devemos temer que num futuro próximo não estaremos brigando por migalhas de um bolo; mas que poderá não haver nem um bolo velho e embolorado por que brigar...
Formado em Marketing e Publicidade, é um Conector de Negócios, na N-PAR Negócios Publicitários e Participações. São Paulo/SP
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