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Segunda-feira, 25 de setembro de 2017 - 10h16m

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Menos milho na próxima safra



Por Ivan Ramos

As previsões começam a se confirmar: na próxima colheita teremos menos milho em SC, no sul do Brasil e talvez no país inteiro. O interesse pelo plantio do cereal nesta safra está menor do que o ano passado. Na última semana a Secretaria da Agricultura divulgou a sua primeira expectativa de plantio do cereal, baseado nos levantamentos de campo realizado pelo Cepa da Epagri. Os primeiros números mostram redução de área de mais de 12%. A redução de colheita deverá ter percentual ainda maior: 16%. Isso quer dizer menor produtividade e certamente pela redução do uso de tecnologia. O avanço nesse setor conseguido no ano passado com o Programa de Incentivo ao Plantio acaba sendo neutralizado.

Os números da Epagri são conservadores segundo contatos mantidos com as cooperativas que distribuem sementes. Precisa ainda ser considerado que aumentou a área destinada ao milho silagem, e nas cooperativas se estima que a redução total de área ultrapassará 20%. Os motivos todos nós sabemos: os preços praticados nesse ano frustraram os agricultores que no ano passado tiveram outra realidade. Fora do normal, é bem verdade, mas tanta diferença assim, não se esperava. Acreditavam que pelo menos a variação dos custos de produção pudessem ser considerados.

A Fecoagro, as cooperativas e a Secretaria da Agricultura do Estado bem que tentaram motivar as agroindústrias e os consumidores de milho que precisaria ter um programa de incentivo de compra antecipada com preços remuneradores para estimular o plantio, mas não foram ouvidas. Plantadores, porque queriam mais que R$ 30,00 por saco, e consumidores porque queriam pagar para o milho da próxima colheita os preços atuais, que estão bem defasados. Resultado: o plantio está sendo reduzido, e a área é destinada para a soja, e a possibilidade de aumentos de preços lá em fevereiro de 2018 é real. Segundo informações de operadores de mercado, hoje já se tem relatos de que para o mercado futuro, em janeiro, o milho estará sendo negociado a R$ 35,00 por saco nas bolsas.

O agravante é que com esses níveis, muitos produtores brasileiros tendem a exportar o milho aqui produzido. Consequentemente a oferta no nosso mercado na próxima colheita se reduzirá. A lei de oferta e procura entrará em ação. Menos oferta, maior preço.

Ao lado disso precisa ser considerado que em nosso estado o milho para silagem aumentou a demanda. Com o crescimento da bacia leiteira, mais milho em silagem vai ser consumido. Consequência: redução de oferta de grãos para ração. Ainda corre por fora, o risco climático no Brasil e em outros países produtores. Qualquer anormalidade no decorrer do desenvolvimento das lavouras, pode implicar em redução de produtividade e de produção.

Infelizmente a gangorra se repete. Num ano o produtor ganha mais e a indústria menos. No outro o inverso. E a disposição de se fazer uma média de ambos os lados fica sempre dificultada. A modalidade de venda e de compra antecipada, pelo menos parte das necessidades, levando em conta os custos de produção, não avança. Enquanto isso, ficamos sempre dependentes do comportamento do mercado, e reclamando um segmento do outro. Será que um dia vamos ter um meio termo que atenda os dois lados? Será que a ganância não vai ser vencida pela realidade dos preços? Pense nisso.

Diretor executivo da Fecoagro/SC - Florianópolis/SC


Fonte: Fecoagro/SC
















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