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Segunda-feira, 12 de março de 2018 - 07h45m

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Mais um golpe contra o agronegócio





Por Ivan Ramos

A história se repete: vira e mexe e o setor agropecuário é atingido por ações que afetam a atividade. Quando não é o clima, são os preços, quando não são preços é o clima, são ações pontuais que atingem o global. Na semana que passou mais uma vez o agronegócio foi atingido por problemas que quer queiramos, quer não, vai afetar a toda a cadeia de carnes. O episódio da BRF, sem dúvida se tornou o assunto da semana, que até mesmo entre pessoas dos meios urbanos, pouco informadas com o sistema de produção, tem sido assunto para discussões em diversas rodas.

Os consumidores de carnes, pelo temor de estar comprando frango com salmonela; os órgãos de controle porque podem ter sido considerados negligentes; as agroindústrias porque pode haver interpretação generalizada do problema; e os produtores rurais porque temem que sobre pra eles o resultado da retração dos mercados internos e externos. Não deixam de ter razão. Afinal, se já estava ruim escoar a produção de carnes no país e no exterior, com mais essa “bomba”, os importadores terão maior restrição nas compras e os consumidores no Brasil temerosos com a doença.

Embora o assunto tenha sido tratado como casos pontuais, há que se reconhecer que muita gente será atingida. Precisamos separar o joio do trigo. Não se pode afirmar que todos os frigoríficos têm problemas, que todas as empresas são desonestas e que todos os laboratórios e fiscais federais são delituosos.

Se tiver que penalizar os infratores que se faça, mas não se pode atribuir o problema a todos, e nem penalizar uma grande empresa, que emprega muita gente, que reúne milhares de integrados, que gera números expressivos para nossa economia; que é muito importante para o estado de SC e para o país. Pessoas erram e essas são as que têm que pagar por eventuais ações de gestores.

O que se teme é que agora, a concorrência internacional se aproveite da situação para denigrir a imagem dos produtos brasileiros para tomar alguma fatia do mercado de carnes, tão difíceis de serem conquistados.

Se houver retração de mercado certamente haverá redução de abates, e, por conseguinte redução dos preços não apenas dos frangos, mas também dos suínos. Aliás, mesmo que não seja por isso, mas nessa semana houve redução nos preços dos suínos em nível de produtor. Justamente no momento em que o milho e a soja, principais grãos da alimentação animal estão em alta.

E mais uma vez lá vai o agricultor pagar a conta. O caso da BRF, embora não seja novo, pois se trata da terceira fase da famigerada “Carne Fraca”, é um caso para ser tratados com o devido rigor. Não se pode antecipar julgamentos, já que as prisões realizadas e os fechamentos de fábricas foram para realização de investigação, portanto, ainda sem julgamento final. Deve ter algo de errado, mas há necessidade de cautela nas acusações e divulgações, pois se não se confirmarem na extensão que a mídia está dando, tende muito mais a prejudicar no contexto geral, do que ajudar a esclarecer e punir infratores. Fiscalização e controles são importantes e necessários, especialmente quando se trata de produtos alimentícios, mas que se penalize quem errou e não se atribua isso a todos os atores do processo agroindustrial. Senão, muitos inocentes poderão ter que pagar pelos pecadores. Pense nisso.

Diretor executivo da Fecoagro - Florianópolis/SC


Fonte: Fecoagro/SC
















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