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Segunda-feira, 11 de junho de 2018 - 08h06m

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Mais uma semana tumultuada no agronegócio



Por Ivan Ramos

O setor do agronegócio brasileiro mais uma vez foi vilão das atividades econômicas do país, na semana que passou. Não bastasse os prejuízos que sofreu em função da greve dos caminhoneiros, agora já é quase consenso que foi greve das empresas transportadoras e não dos caminhoneiros. As decisões tomadas pelo governo federal, para estancar a paralisação, refletiram no total nas atividades agropecuárias.

É voz corrente que as reivindicações do setor de transportes eram justas, especialmente analisado do ponto de vista dos custos dos combustíveis. Também é de reconhecimento da grande maioria, que os caminhoneiros autônomos foram usados, pois são 30 por cento da frota do país, e que os outros 70 por cento são de transportadoras que também têm seus direitos de reivindicações, mas que exageraram na dose, prejudicando um país inteiro e até mesmo àqueles que lhes possibilitam transportes dos produtos. Foram egoístas e imediatistas.

Também, ainda pairam dúvidas se os benefícios conseguidos junto ao governo federal vão chegar à ponta final, que será a redução dos custos dos transportes. No Brasil a intermediação costuma ficar com a maior fatia do processo. Ocorrem ações que causaram problemas, mas que foram encaminhadas às soluções, embora com alto custo à sociedade, que já esta pagando a conta nos preços e nos cortes de recursos em outras áreas.As trapalhadas governamentais no anúncio das medidas provocaram outros problemas no setor agronegócio.

É bem verdade que tomar decisões sob pressão, nunca é possível acertar em todas, mas não analisar as consequências, nem a forma de operacionalizar o que se decide, e provocar as confusões verificadas, foi muito amadorismo. Além das contradições e idas e vindas dos ministros que estavam tratando desse assunto junto ao governo federal, uma hora anunciando uma data e forma de proceder com a redução dos combustíveis, e depois alterando em cima de pressões de todos os segmentos envolvidos no processo; baixando Medida Provisória e fixando preço mínimo dos fretes, fora da realidade do mercado; anunciando uma tabela de frete com valores multiplicados, totalmente inviáveis, foi uma incompetência imensurável. Será que ninguém fez conta de quanto elevaria os custos dos transportes, com os valores inicialmente anunciados? Até mesmo os transportadores que seriam os grandes beneficiados, reconheceram que a realidade era outra.Foram anúncios governamentais que só serviram para ampliar a instabilidade econômica do país, e desacreditar ainda mais o atual governo.

O setor do agronegócio parou mais uma semana, mas desta vez por falta de viabilidade de transporte. Quem fez as contas, rapidamente identificou; que dobrou o preço do frete num país continental como é o Brasil, onde as distâncias são muito elevadas, e que depende predominantemente do transporte rodoviário, foi falha inadmissível. O agronegócio parou porque não era possível comprar, nem vender os produtos com esse frete fora da realidade. As estatísticas internacionais já mostram que o Brasil tem o maior custo de transportes do mundo, principalmente se analisarmos a origem da produção agrícola até os portos.

Definitivamente estamos em maus lençóis. Cada medida anunciada teve consequência que exigiu outra medida de correção. Decidir atropelado, se decide errado. Tudo fruto da falta de planejamento e de diálogo antecipado com as categorias de cada setor.

Agora vem o Plano Safras 2018/2019. Em princípio agradando a maioria e gerando críticas de outros. Ainda vamos ver as repercussões nos próximos dias. As opiniões dos agricultores poderão respingar nos demais setores. Esperamos que mais uma vez não tenha que haver mudanças, no que foi anunciado, nisso também. Aliás, mudanças mesmo, temos que fazer nas próximas eleições com muitos políticos que estão no Poder. Vamos ver se o povo brasileiro acordou. Você também é responsável. Pense nisso.

Diretor executivo da Fecoagro/SC - Florianópolis/SC


Fonte: Fecoagro/SC
















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