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Sábado, 01 de março de 2003 - 09h07m

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Agronegócio brasileiro descobre as vantagens da produção orgânica



O agronegócio brasileiro está descobrindo as vantagens da produção orgânica, mercado que movimenta mais de US$ 20 bilhões/ano somente no Japão, Estados Unidos e Europa, segundo dados do Instituto Brasileiro de Biodinâmica (IBD).

No Brasil, trata-se de um mercado novo, mas crescente, que já gira em torno de US$ 50 milhões/ano e dobra a cada dois anos, sendo que 70% dos negócios destinam-se ao exterior. Os alimentos orgânicos, além de ser livres de agrotóxicos e aditivos químicos, resultam de sistema que concilia produção e respeito ao meio ambiente. Sua comercialização é permitida após certificação de um órgão ou empresa certificadora. Resultado: o consumidor final está tendo acesso a um produto diferenciado, seguro e que não agride o meio ambiente.

O crescimento do mercado de produtos orgânicos está gerando nichos relacionados ao sistema de produção. Um deles é o controle biológico de pragas e de doenças. Uma das pioneiras no controle biológico de pragas, a Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária Mandioca e Fruticultura (Embrapa Mandioca e Fruticultura) está registrando perante à Agência Nacional de Vigilância Sanitária o uso da vespa Diachasmimorpha longicaudata, no combate a mosca-das-frutas, Ceratitis capitata. A vespa, predador natural da mosca, foi importada em 1994 para ter sua eficácia conferida.

Em 2002, a Embrapa Cerrados, em parceria com o laboratório Fort Dodge Saúde Animal, que produz o único endectocida que não afeta o desenvolvimento do besouro, iniciou a disseminação do uso do besouro africano Digitonthophagus gazella, conhecido como "Rola Bosta", como agente de controle da incidência da mosca-dos-chifres (Haematobia irritans) no rebanho bovino. O besouro enterra as larvas da mosca contidas nas fezes dos bovinos, interrompendo seu ciclo de vida e reduzindo em cerca de 40% a infestação. Além disso, o besouro evita a evaporação do nitrogênio ao enterrar as fezes, promovendo permanentemente adubação orgânica de qualidade.

As indústrias de alimentação animal também estão investindo nesse nicho. Há dois anos a Premix - Técnicas de Suplementação, uma das principais empresas do setor, lançou o aditivo orgânico Fator Premium, formado por uma composição de leveduras que auxiliam a degradação do capim dentro do rúmen bovino, possibilitando aumento médio de 20% no peso vivo dos animais, com vantagens adicionais como o aumento da resistência orgânica às infestações de ectoparasitas, tais como o carrapato e a própria mosca-dos-chifres. O aditivo, único no mundo e certificado como produto orgânico pelo IBD, teve sua eficácia comprovada em pesquisas realizadas pelo Centro de Pesquisas de Nutrição Animal da Premix com consultoria dos docentes da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (FZEA - USP/Pirassununga (SP)), Universidade Federal de Goiás (UFG) e Embrapa Gado de Corte.

Durante o 18o Simpósio Anual da Indústria de Alimentação, realizado em Kentucky (EUA), em 2002, pela Alltech, líder mundial em biotecnologia para alimentação animal, ficou evidente a preocupação do consumidor final com o alimento posto à mesa. Segundo o especialista Frank Edens, um dos palestrantes do evento, saem de cena os aditivos químicos e ganham dimensão três classes de insumos enquadrados nas soluções naturais para alimentação: enzimas, leveduras e minerais orgânicos, sendo o Selênio a vedete dos minerais. O especialista afirma que o Selênio orgânico é essencial tanto para os seres humanos, colaborando na proteção do organismo contra o câncer, por exemplo, quanto para os animais. Níveis ideais de selênio ajudam a reduzir os problemas reprodutivos em suínos, a aumentar a fertilidade das aves, a reduzir a contagem de células somáticas nas vacas leiteiras e até a aumentar os títulos em anticorpos dos peixes. A Alltech, que possui filial no Brasil, disponibiliza aqui Sel-Plex, aditivo orgânico constituído pelo mineral orgânico, para que os produtos de origem animal - ovos, leite, peixes, frangos, carnes - repassem os altos teores de selênio aos seres humanos.


Fonte: Adilson Rodrigues/Nádia Andrade/Simone Rubim
















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