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Sábado, 01 de março de 2003 - 14h13m

Animais > Bovinos

Manejo certo garante qualidade da carne



O manejo errado do gado, desde a criação até o transporte, pode comprometer a qualidade da carne. Segundo levantamentos em vários frigoríficos do País, aproximadamente 40% dos animais abatidos têm algum tipo de contusão. Tratar o rebanho de forma correta e conhecer o seu comportamento pode evitar o estresse do gado e conseqüentemente reduzir esse índice para 15%.

Com o objetivo de orientar criadores, a direção do Frigorífico Mataboi, que há 54 anos atua em Araguari, decidiu promover o Primeiro Encontro de Pecuária de Manejo com ênfase no melhor aproveitamento. As palestras aconteceram no último sábado, na própria empresa, e reuniu mais de 140 pessoas. "O objetivo do encontro foi orientar para manter a qualidade sem querer gerar lucros, mas sim evitar perdas. Queremos dividir responsabilidades entre pecuaristas, a pessoa que maneja o gado, transportadores e quem conduz o animal até o abate", afirmou o diretor-presidente do frigorífico, Murilo Dorazio.

O Mataboi recebe diariamente, de segunda a sexta-feira, 500 animais em média, que vêm do Triângulo Mineiro, Alto Paranaíba e sudoeste de Goiás. Eles chegam num dia e são abatidos no outro, seguindo o regime hídrico que é norma da inspeção federal, garantindo o repouso de 12 horas no curral. Além do mercado comum, a carne está habilitada para listas de exportação como Oriente Médio e Ásia. A seleção do gado é feita com base no peso, idade e acabamento de gordura. "Quando há contusão temos que fazer um toalete no abate (corte na peça) e com isso perde o pecuarista porque vai receber descontado esse peso e perde o frigorífico que vai deixar de vender essa peça. Por isso, a importância da preocupação com o manejo", explicou Dorazio.

O diretor lembrou também que o manejo mal feito pode provocar o estresse do animal, o que colabora para a alteração do PH, que interfere na cor da carne. "A cor escura é característica de animais inteiros(não castrados) e estressados e o mercado não se interessa", destacou. Ele completou: "Além do lado sensorial, a cor também se perde na vida de prateleira do produto, que se deteriora muito mais cedo."


Comportamento

Conhecer e estudar o comportamento do gado pode ajudar e muito no manejo do rebanho. Avaliar as características típicas de cada linhagem e as necessidades dos animais permite antecipar reações, o que melhora as condições de trabalho na fazenda, pois diminui riscos de acidente tanto para o animal quanto para as pessoas e gasta-se menos tempo e esforço nas atividades fundamentais à criação.

Segundo o professor da Universidade Estadual Paulista (Unesp) de Jaboticabal e especialista em comportamento animal, Mateus Paranhos, para o manejo correto é necessário saber como o animal se relaciona com o ambiente. A partir daí, deve-se avaliar como é possível modificar o comportamento dele, por meio de técnicas de condicionamento de animais. "É preciso pensar no bovino como um ser vivo que tem vontade própria, toma decisões, sente dor, medo; enfim, não é uma coisa que você pega de um lugar, põe em outro e ela fica lá."


Pecuarista deve evitar uso de objetos que causem ferimentos

De acordo com Mateus Paranhos, os pecuaristas devem se preocupar com o valor econômico direto, ou seja, os custos que o gado que oferece mais trabalho podem representar para os negócios, principalmente em termos de tempo, trabalho e riscos de acidentes ou mesmo danos com equipamentos.

O professor explicou que um animal que dá trabalho não vai efetivamente fazer o que o criador quer ou espera que ele faça. Em conseqüência, pode acontecer que se tenha que lidar com situações às vezes bastante complicadas. "O animal pode ameaçar e até atacar uma pessoa numa situação extrema. Em outra, ele pode simplesmente não fazer o que você quer", disse.


Reatividade

O manejo ao qual o animal está submetido determina o grau de reatividade dele, ou seja, o seu comportamento perante situações diversas. Com um bom manejo é possível amansar o animal e fazer com que ele seja menos reativo. Da mesma forma, um manejo errado, agressivo, por exemplo, pode torná-lo muito reativo, o que dificulta os trabalhos. "Há também o lado genético, pois vários estudos mostram que existem linhagens dentro das diversas raças de bovinos que são mais ou menos reativas", destacou Paranhos.

O que o especialista chama de manejo agressivo é o hábito em algumas fazendas de bater no gado com porretes, pedradas ou utilizar o ferrão, um instrumento pontiagudo bastante usado e que pode criar ferimentos graves. Essa seria uma agressão direta. A indireta ocorre quando se coloca os animais em condições que não são adequadas, como, por exemplo, a falta de água ou chão muito quente sem a possibilidade de o gado se proteger na sombra. "Evitando tudo isso, aumenta-se a possibilidade de o animal ser menos reativo. Também posso proporcionar condições positivas e oferecer uma melhor qualidade de vida para o gado e ele, com certeza, vai responder a isso também", concluiu.


Perdas com má qualidade do couro chega a R$ 500 milhões

Segundo levantamentos, o Brasil perde mais de US$ 500 milhões por ano pela má qualidade ou falta de aproveitamento do couro cru. Os defeitos do produto brasileiro o desvalorizam em 50% se comparado ao americano. Este problema também está relacionado ao manejo e vai desde os ectoparasitas, como mosca do chifre, carrapato e piolho à agressão do homem.

"A marcação a fogo é hoje o principal problema, mas há também o uso do ferrão que danifica o couro, o risco de parafuso no meio de transporte e o curral, que criam lesões às vezes irreparáveis, e isso desvaloriza e muito a classificação do couro", afirmou o diretor de matéria-prima da Braspelco, José Humberto Oliveira Cunha. Ele destacou que o Brasil está de quatro a cinco classificações abaixo do couro americano e quem perde com isso é a cadeia pecuarista-frigorífico-curtume.

Buscando uma solução para isso, a Braspelco lançou um programa pioneiro de melhoria da qualidade do couro cru. A idéia é bonificar o pecuarista que fornecer um animal totalmente isento de marcação a fogo. Para isso, o gado deve ser marcado somente com brinco ou tatuagem na orelha. "Com uma marcação mais consciente e considerando que o Brasil tem hoje o maior rebanho comercial do mundo, além de genética de altíssima qualidade, acredito que a pecuária brasileira terá um grande avanço e nosso mercado será mais valorizado", encerrou José Humberto.


Dicas para melhor aproveitamento e qualidade do couro:

- Evite cercas de arame farpado. Utilize somente arame liso;
- Não use ferrão pontiagudo e nem cães para o manejo do gado;
- Faça uma manutenção periódica no combate aos ectoparasitas, ou seja, carrapatos, berne, mosca do chifre, sarna e piolho;
- Mantenha a pastagem limpa;
- Faça a descorna do gado;
- Marque o gado nos locais adequados: cara, pescoço e canela - com no máximo 11 centímetros de diâmetro. Se possível, prefira os brincos;
- Faça uma vistoria periódica nos currais e evite pontas que possam furar os animais;
- Utilize suplementos minerais para balancear a alimentação do gado;
- Para transportar o rebanho até o frigorífico, escolha um veículo adequado e evite carrocerias com pontas de madeira ou pregos.


Fonte: Braspelco
















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