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Sexta-feira, 04 de abril de 2003 - 08h24m

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Deixem o produtor rural em paz!



A todo momento temos notícias de que o Brasil é ou será o maior produtor ou exportador agrícola, com grande qualidade de determinado produto agrícola. Quem, de fora, recebe as notícias da pujança do nosso setor primário não tem idéia do que passa um produtor rural para cumprir o seu papel.

Muitas vezes o produtor não sabe, em função do clima, se vai poder colher e quando colhe não sabe se vai poder vender. A comercialização de sua lavoura fica na dependência de questões jurídicas e, para completar, não sabe se vai poder entrar em casa depois de um dia de trabalho, porque o fantasma das invasões ronda sua propriedade.

O que entristece é que estes empecilhos, que geram atraso e muitas vezes impedem o setor primário de se tornar cada vez mais competitivo, são criados pelos próprios brasileiros, estejam eles ligados a governo, ONGs, movimentos sociais ou partidos políticos. Na linguagem futebolística, estamos jogando contra o patrimônio.

Aí é que se percebe a força de quem produz, pois estes só não lutam contra São Pedro. Contra a falta de política agrícola e fundiária definida ou ações de governos eles vão e produzem cada vez mais e melhor.

É preciso ter paz no campo! Visitei recentemente Santana do Livramento, Júlio de Castilhos e Pantano Grande. Lá, os produtores, ao invés de estarem no campo produzindo, estão tentando evitar que suas terras sejam tomadas. A cena das barracas de lona preta do MST afrontando o direito à propriedade é o prelúdio do terrorismo. Aliás, uma cena inóspita: duas coxilhas, dois acampamentos, e um terceiro, de onde a Polícia Militar controla os ânimos das partes envolvidas.

Há duas semanas, vivi uma experiência que é um contra-senso para uma Nação que quer matar a fome de seu povo. Durante a Expodireto, em Não-Me-Toque, maior exposição de agrodinâmica do Brasil, o que mais marcou foram as manifestações dos produtores que lutam para poder comercializar a maior safra do Rio Grande e para poder utilizar as novas tecnologias.

O Governo Federal proíbe o cultivo de soja geneticamente modificada, como se desconhecesse que esta tecnologia está presente em muitos outros produtos consumidos pelos brasileiros. Desestrutura a Comissão Técnica Nacional de Biosegurança (CTNBio), órgão responsável pelas questões relacionadas à biotecnologia, tirando-lhe o caráter científico e tornando-o um braço político-ideológico.

Vamos adiante. O presidente da Embrapa fala em esterilizar experimentos de organismos geneticamente modificados (OGMs) de mais de 20 anos. E o ministro do Desenvolvimento Agrário, Miguel Rossetto, admite que nomearia o principal líder do MST, João Pedro Stédile, para cuidar da reforma agrária e afirma que o melhor modelo é a estatização das terras.

O mais recente capítulo desta longa novela tragicômica aconteceu no dia 26 de março, com a publicação da Medida Provisória 113. A MP estabelece normas para a comercialização da produção de soja da safra 2003. O texto é contraditório e ambíguo. O governo Lula não seria irresponsável de permitir a venda externa e interna se soubesse que a soja transgênica faz mal à saúde e ao meio ambiente. Até o dia 31 de janeiro de 2004 pode tudo. Depois, retoma o processo inquisitório.

É chegada a hora de encontrarmos soluções, o Brasil não pode perder para si mesmo. Quem ganha são os interesses macroeconômicos e os países do primeiro mundo. E mais uma vez deixamos de promover inclusão social através da pacificação do setor primário, capaz de gerar emprego, renda e divisas suficientes para dar dignidade a todos os brasileiros.

Deputado Estadual pelo PPB e presidente da Comissão de Agricultura, Pecuária e Cooperativismo da Assembléia Legislativa


Fonte: Assembléia Legislativa do RS
















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