Bom dia!
26/09
 

Artigos

Voltar
Terça-feira, 06 de maio de 2003 - 10h38m

Biotecnologia > Outros

Biotecnologia: uma ciência multidisciplinar



Por Vinícius Carvalho e Roberta Morais

Desde o advento da tecnologia do DNA recombinante a ciência vem avançando rapidamente, sendo incorporada, por essa técnica, em diversos setores que diretamente poderão afetar a vida humana, bem como a animal e a agricultura. Nunca, na história da humanidade, uma ferramenta científica mostrou-se tão promissora, mas também tão polêmica.

Desde que os primeiros produtos da moderna biotecnologia chegaram ao mercado, diversas discussões, considerando eficiência, ética, valores morais, étnicos e religiosos, bem como segurança começaram a ser discutidos. Criou-se uma polêmica mundial em torno do tema e, ao mesmo tempo em que a ciência evolui numa velocidade muito rápida, sua aplicabilidade está comprometida pela não conclusão das discussões que consideram os aspectos acima referidos.

A multidisciplinaridade da biotecnologia é evidente, ao mesmo tempo em que as discussões isoladas, estabelecidas por profissionais de diversos segmentos, parecem não contribuir para que as incertezas sejam dirimidas. Com isso, as dúvidas tomam conta da opinião pública, a comprovação da segurança dos produtos derivados da biotecnologia está comprometida e o segmento principal, o público consumidor, não consegue, sequer, entender a revolução tecnológica pela qual passa a humanidade.

Mas como conseguir que biotecnólogos, agrônomos, biólogos, advogados, economistas, médicos, nutricionistas, profissionais de mercado, especialistas em política, nacional e internacional, entre outros, falem a mesma língua? Esse é o grande desafio da comunidade acadêmica mundial. Cada profissional, independente de seu expertise, deve entender a biotecnologia num contexto mais amplo, considerando todas as variáveis que envolvem essa ciência. Não adianta discutir, isoladamente, a tão debatida biossegurança, sem considerar questões de mercado, legislação e comércio internacional. E, nesse sentido, os profissionais do setor parecem que não estão preparados.

Mas a revolução tecnológica não tem volta e a humanidade precisa progredir, fazendo uso dos avanços das técnicas da biotecnologia moderna. Suas aplicações são muito amplas, e vão desde o desenvolvimento de plantas geneticamente modificadas, que podem ser mais resistentes à fatores ambientais adversos, menos dependentes de insumos e mais produtivas, até a ainda teórica terapia gênica, sem esquecer o potencial de desenvolvimento de novos medicamentos e curas de doenças que, até o momento, são impossíveis para a medicina.

Para que isso aconteça, os profissionais precisam ser melhor preparados, independente de suas áreas de atuação. Deve-se aliar diversos setores do conhecimento na formação da nova geração acadêmica, para que as discussões possam ter começo, meio e fim. Só assim a revolução do DNA recombinante poderá ser implementada na prática. E essa revolução precisa ultrapassar as bancadas dos laboratórios e chegar, não só aos cursos universitários, mas também aos estudantes de nível básico e médio. Em outras palavras, é chegado o momento da revisão das disciplinas que são abordadas nas universidades, nos cursos de pós-graduação e nas escolas de primeiro e segundo grau. A biotecnologia precisa fazer parte da formação de todo e qualquer profissional, para que possa ser entendida desde seus princípios básicos, até a sua adequação ou não à política comercial do país.

Eng. Agrônomo, MsC Entomologia UFV, Pós graduando em Marketing - Universidade Mackenzie-SP – Vinicius.carvalho@cib.org.br

Advogada, MsC Direito Econômico UFMG – rjmorais@gold.com.br


Fonte: Vinicius Ferreira Carvalho e Roberta Morais
















© Copyright 2018, Via Informação - Todos os direitos reservados
Proibida a cópia e reprodução total ou parcial sem a citação da fonte.
Site desenvolvido por Grandes Idéias

Skype: paginarural

E-mail: paginarural@paginarural.com.br

h t t p : / / w w w . p a g i n a r u r a l . c o m . b r