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Sexta-feira, 06 de junho de 2003 - 13h43m

Agricultura > Outros

A terra chora



Aldo Valmor Schmidt

O maior patrimônio que um país possui é o seu solo, um recurso natural, não-renovável, essencial na viabilização das gerações futuras. O nosso solo deve ser tratado como assunto de segurança nacional, pois do seu desempenho produtivo depende a estabilidade da sociedade brasileira.

Por isso, a sua conservação, através do uso correto, eficiente, produtivo e sustentável, é fundamental para satisfazer as necessidades alimentares presentes e futuras da humanidade. Essa é a vontade de todos os técnicos e sociedade que defendem uma agricultura conservacionista.

Na região noroeste, porém, não é isso que temos visto. Devido a má conservação dos solos, principalmente nas áreas de plantio direto e que se instituiu a retirada de terraços, estão surgindo áreas extensas cuja produtividade encontra-se seriamente ameaçada por intensa erosão, que dá mostras das lágrimas desse solo, que chora pelos maus tratos.

A sua degradação, através da erosão, tem causado uma série de conseqüências econômicas, sociais e ambientais à sociedade. Entre elas destacam-se: a redução de produtividade nas lavouras devido a perda de nutrientes do solo, o aumento da manutenção de máquinas e equipamentos pelas irregularidades do terreno, as perdas na colheita e transporte pelo custo de manutenção das estradas internas, a migração e o êxodo rural em razão da diminuição do progresso social e econômico, o aumento de custos para conservação de estradas, a redução da vida útil de açudes, barragens e rios, a dificuldade no tratamento da água para consumo humano e o envenenamento das águas por pesticidas e nutrientes químicos utilizados nas lavouras.



Foto: Katia Marcon / Livro Solos do Rio Grande do Sul


O quadro de erosão e degradação se tornou ainda mais grave na região, após a ocorrência de fortes chuvas, ou verdadeiros torós, no início do mês de maio. Em algumas comunidades choveu mais de 200 milímetros em 48 horas, o que causou em muitos municípios, graves problemas de erosão, atulhamento de bueiros, estragos nas estradas, assoreamento de rios e banhados.

Mas não foi a chuva a principal vilã desses prejuízos, que afetam sociedade e o meio ambiente, mas, sim a irresponsabilidade de alguns técnicos, agricultores e autoridades que incentivaram em seus municípios a retirada de terraços, muitas vezes com equipamentos que deveriam estar sendo utilizados em outras atividades. Falo das motoniveladoras que estão sendo empregadas para este fim.

Pois dizer que a retirada dos terraços reduz custos, é muito simplista, já que em nenhum momento vimos na região alguém buscando a terra nas baixadas para fechar as crateras produzidas pela erosão.

Chega!!! Precisamos dar um basta a tamanha irresponsabilidade, denunciando esse verdadeiro crime que está ocorrendo na região. Nós, como cidadãos, devemos denunciar para no futuro não nos arrependermos por omissão. Como também seria este o momento das Promotorias Públicas, junto com a sociedade questionar os “Responsáveis”?

Isso tudo precisa ser feito pela conservação do solo, que é garantida através de uma série de práticas conservacionistas: plantio em nível, rotação de culturas, plantas recuperadoras, terraceamento, plantio direto. Práticas estas, que funcionam como um time de futebol, cada uma com sua função, e em que as curvas de níveis exercem a ação do goleiro, defendendo o solo da erosão.

Engenheiro-agrônomo e Gerente Regional Adjunto da Emater/RS


Fonte: Emater-RS
















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