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Terça-feira, 06 de maio de 2003 - 11h00m

Agroindústria > Outros

Vinho gaúcho



Volta e meia, pela imprensa, vêm à baila notícias pouco alentadoras referentes ao setor vitivinícola do nosso Rio Grande do Sul.
São os produtores de uvas insatisfeitos com os preços fixados, são os industriais do vinho alarmados com a paralisação dos negócios e com a invasão/concorrência dos vinhos estrangeiros, são os consumidores reclamando dos altos preços dos nossos vinhos.

Essa situação de crise evidente e cíclica, geradora de tensões, temores e descontentamentos, não deveria subsistir, sabendo-se que o Rio Grande produz os melhores vinhos do Brasil.
Seguidamente, são propostas campanhas publicitárias visando incentivar e aumentar o consumo de vinhos.

A ninguém se embuçala e se obriga a consumir.

O consumidor se conquista com bons produtos e preços acessíveis.
É sabido que, fora da zona dos parreirais, o consumo de cachaça per capita é bem superior ao consumo de vinho.

“Falta tradição no consumo de vinhos!”, dirão. Lorotas!, entre duas beberagens, preferem a “mais em conta” e a que menos efeitos nocivos (aparentemente) causa. Seleção e desinformação, simplesmente.

Produzimos, na verdade, os melhores vinhos, mas o mercado consumidor é invadido, paralelamente, por torrentes de beberagens muito bem rotuladas também de bons vinhos, mas que representam um verdadeiro atentado à saúde pública, tal a sua péssima qualidade – pior do que as piores cachaças...

Existe uma gritante desuniformidade nos preços (varejo), tendendo sempre para o abuso.

Soluções? É óbvio que existem e, sabemos, não representam nenhum “ovo de Colombo”: a) Bons produtos; b) Fiscalização; c) Propaganda – não precisa nem apelar para o natural misticismo do nosso povo (“...e este é o meu sangue”...); d) Preços acessíveis.
Com essas singelas (mas importantes) medidas, a nossa excelente produção de vinhos, cuja ótima qualidade ninguém contesta, teria, sempre, um enorme e crescente mercado – segundo informações, o Brasil importa 50% do vinho que consome.

Ah!, outro fator importante que muito pesa contra os nossos vinhos é o referente à excessiva tributação – os impostos representam quase a metade do custo final do produto.

O “assunto vinho”, tal qual matungo de rédeas soltas, chegou até aqui. Vou sofrená-lo, para que não enverede por caminhos tortuosos, pedregosos ou lamacentos.

Aos verdadeiros entendidos e interessados pelo problema, agora, compete fazê-lo prosseguir, já a galope, para que, vencidas as inevitáveis dificuldades, novos e melhores horizontes surjam para a vitivinicultura rio-grandense.


Fonte: Ignácio José de Araujo Mahfuz
















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