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Andrea Ortenzi Garcia *
Muitas vezes, os criadores brasileiros perguntam: por que precisamos registrar um animal numa associação de criadores? No mês passado, o Governo do Canadá noticiou o primeiro caso da doença da "vaca louca" na América do Norte nos últimos dez anos. Tal fato pode estar a muitos quilômetros de distância do nosso país, mas faz com que várias lições sobre o caso sejam observadas e aprendidas.
Nos próximos dias, a Câmara Setorial de Carne Bovina - órgão integrante do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, espera conseguir junto às associações de criadores - entidades responsáveis pelo registro genealógico de animais - todas as informações definitivas sobre o número de bovinos importados do Canadá desde 1995, quem foram os importadores e se houve transação comercial desses animais.
Com certeza, não podemos questionar se as exigências do Governo Federal são viáveis ou não, entretanto, sabemos que as informações são vitais para a pecuária nacional. Por isso, creio que muitos agropecuaristas não percebem ou não se dão conta da grande contribuição que estão dando para a atividade pecuária mundial!
Alguns criadores desconhecem que um simples documento de registro pode conter dados como data de nascimento, cor da pelagem, ascendência genealógica e tipagem sangüínea, e que estes são muito relevantes para a pecuária moderna.
O registro de animais por uma associação de criadores gera, além da confiabilidade das informações com o aval do MAPA, outras inúmeras vantagens para o produtor rural, e principalmente, para o consumidor: segurança alimentar; controle sanitário mais eficaz; certificação da qualidade do bovino, e consequentemente, dos produtos de origem animal, identificação e monitoramento dos animais nascidos no Brasil ou importados; e melhor conscientização sobre o meio ambiente.
A Associação Brasileira dos Criadores de Limousin conta, atualmente, com mais de 85 mil animais registrados. Este número poderia ser maior, se o criador atentasse para as vantagens acima citadas, e acreditasse que todo o processo é considerado um investimento para o criatório, ou seja, que os benefícios com os registros de bovinos compensam todos os custos para efetuá-los.
Outro fator importante é que algumas associações de criadores estão pleiteando junto ao Sisbov - Sistema Brasileiro de Identificação de Bovinos e Bubalinos - o direito de atuar como empresa certificadora no país. Algumas entidades já assinaram até contratos de parceria com a iniciativa privada. Logo, as propriedades rurais que possuem animais cadastrados no banco de dados das associações de criadores estão bem à frente dos demais criatórios.
Penso também que é necessário ficarmos atentos aos avanços da agropecuária mundial e aprendermos que os erros cometidos pelos países de outros continentes podem servir de exemplo para que possamos realizar os nossos deveres de casa.
* Zootecnista e superintendente técnica da Associação Brasileira dos Criadores de Limousin.

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