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Quarta-feira, 09 de julho de 2003 - 16h23m

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O porquê das migrações



Os produtores e a população rural constituem parte vital da Nação e têm direito a uma vida digna e decente.

Como todos os outros segmentos da população, também precisam de boas estradas, água potável, saneamento, serviços de saúde, educação, lazer, comunicação e energia.

Esses são os requisitos básicos e necessários para que as pessoas vivam e trabalhem com dignidade.

Precisam de boas estradas para estar em contato com os centros maiores, para o escoamento da produção, para o transporte de insumos e de outros bens.

Precisam de bons serviços de saúde, uma vez que somente pessoas saudáveis, sadias e bem nutridas conseguem viver condignamente, trabalhar e produzir com eficiência.

Precisam de um bem estruturado serviço de educação, pois, aqui também, educação e cultura são fundamentais.

O êxodo populacional das áreas rurais em geral e do trabalhador agrícola em particular é um fato real, observado amiúde no Rio Grande do Sul.

O motivo principal é a deterioração das condições sócio-econômicas no meio rural, baixos rendimentos provenientes da agropecuária, escassez de facilidades de emprego em outros segmentos, além de várias dificuldades enfrentadas em diferentes setores da vida.

Não há dúvidas que os Governos reconhecem essa situação. Falam sobre ela e fazem (ao menos dizem que fazem e tentam fazer...) alguma coisa para equacionar esses problemas, mas, francamente, esses esforços são muito pequenos e ineficazes para resolver questões de tal magnitude.

No nosso Estado, grande parcela da população vive no meio rural e subsiste da agropecuária e/ou de ocupações relacionadas com ela.

No entanto, a parcela dos orçamentos públicos destinada a esse importante e vital setor é inversamente proporcional e relativamente muito pequena, em relação com aquela destinada aos outros segmentos da sociedade.

Quase não existem facilidades de crédito e, quando essas existem, as condições e exigências são tantas e tão complexas que ficam fora do alcance e da capacidade de pagamento da maioria dos produtores rurais.

Essa situação só será mudada com a criação e estabelecimento de uma política agrícola que estimule, através de meios financeiros, técnicos e outros, o verdadeiro desenvolvimento do setor primário no Rio Grande do Sul e no Brasil.

Uma política que promova as pequenas indústrias nas áreas rurais, agroindústrias e outras, estabelecendo, também, facilidades de crédito, a fim de que os produtores possam investir, com confiança e segurança, na atividade agropecuária.

Acordos de comercialização adequados devem ser estabelecidos, para permitir que os produtores rurais comercializem sua produção com lucro razoável, sem a interferência nociva dos intermediários.

As regiões Norte e Nordeste do Rio Grande do Sul são um exemplo vivo desse “status quo”: a sua grande produção de milho, aves e suínos, atravessando o rio Uruguai, é que, via de regra, viabiliza as indústrias instaladas no Oeste de Santa Catarina.

Ao mesmo tempo, a nossa “metade sul” continua abandonada, empobrecendo cada vez mais.

Em vez de “promover a ocupação” da Campanha Rio-Grandense com assentamentos e mais assentamentos de “sem-terra”, os quais , a bem da verdade, não passam de uma imensa massa de coitados, ideologicamente iludidos e manobrados, os governos deveriam, isso sim, investir no sentido de, em primeiro lugar, dar condições para que os verdadeiros homens do campo continuem produzindo comida, gerando progresso e desenvolvimento ao Rio Grande do Sul e ao Brasil.

Como é corriqueiro, a zona produtora fica com o ônus da produção, gerando progresso, desenvolvimento e riqueza para outros rincões.

Como reverter essa situação? Não é difícil.
Basta ter, como outros Governos tiveram (e têm), determinação e vontade política, muita vontade política.

Basta, a par de investimentos em infra-estrutura (estradas, educação, saúde, energia e comunicações), utilizar, com competência e seriedade, os instrumentos creditícios do Estado (o FUNDOPEM, por exemplo), para incentivar e incrementar a instalação e/ou ampliação de indústrias nas próprias regiões produtoras, ao contrário do que é feito hoje, quando, cada vez mais, há a concentração industrial no entorno dos grandes centros.

Só o desenvolvimento do parque agroindustrial nas regiões produtoras criará meios para, além de evitar as migrações rumo aos cinturões de miséria das cidades maiores, proporcionar que grandes “contingentes de retirantes” retornem aos seus pagos.

Mais do que nunca, urge atacar as causas e não só os efeitos das crescentes migrações ora verificadas no Rio Grande do Sul.

Somente dessa maneira é que teremos uma verdadeira reforma agrária, ao invés da atual ideologia agrária que (teimosamente) estão implantando...


Fonte: Ignácio José de Araujo Mahfuz
















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