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Por Maria Lúcia Abreu Pereira *
O investimento em melhoramento genético na pecuária é determinante para a obtenção de melhor retorno econômico ao produtor. Essa questão independe se o projeto objetiva seleção de gado puro ou para cruzamento industrial. Assim, mais importante do que discutir qual seja a raça ideal, é almejar resultados cada vez melhores em termos de produtividade.
Há pouco mais de uma década, a idade média de abate dos bovinos no Brasil superava os quatro anos de idade. Atualmente, quem não consegue preparar os animais para o frigorífico com menos de três anos está perdendo dinheiro. O Brasil é um país continental e os produtores têm de analisar com muito cuidado as dezenas de opções disponíveis. Se a raça não se adaptar às condições tropicais, se não ganhar peso com rapidez e se as fêmeas não gerarem uma cria por ano, esse não é o caminho da atividade.
Quanto ao acasalamento entre duas raças diferentes, o vitorioso é o que cruza um animal de linhagem européia (bos taurus) com um zebu (bos indicus). O choque de sangue, ou heterose, une no produto resultante as características mais importantes das duas raças utilizadas. No entanto, é preciso ter muito cuidado, pois tem de saber perfeitamente o que se deseja. Ressalto alguns pontos importantes para isso: traçar um objetivo; considerar a localização geográfica da propriedade e as peculiaridades climáticas, escolhendo uma raça propicia a produzir nessa região, e ainda conhecer bem o manejo da própria fazenda.
Dessa forma, fica mais fácil encontrar a melhor opção entre as diversas raças taurinas disponíveis. O passo seguinte é saber quais os seus atributos determinantes, como adaptação, fertilidade, rendimento de carcaça, temperamento, facilidade de parto, habilidade materna e precocidade. Vale lembrar que é imprescindível adquirir genética provada a pasto; mas somente de criatórios que façam seleção, já que estes submetem os animais a severa avaliação e possuem DEPs (Diferenças Esperadas na Progênie) comprovadas para atributos essenciais ao aumento da produtividade.
Como opções rentáveis, as raças adaptadas estão em ascensão no Brasil por possuírem adaptabilidade, sangue europeu e carne de qualidade, com a maciez e a suculência tão cobiçadas pelo mercado internacional. A Fazenda Mariópolis, localizada em Itapira (SP), aposta nas qualidades do Caracu, e estamos obtendo sucessos consecutivos. Em termos de precocidade sexual, por exemplo, as fêmeas estão emprenhando aos 14 meses de idade, assim como os machos já estão aptos a reproduzir aos 14 meses. Nossa taxa de prenhez alcança índice de 95%. Nessa sucessão de boas notícias, recentemente sete dos nossos melhores reprodutores estiveram em coleta na central Bela Vista e tiveram produção média de 250 doses de sêmen industrializadas por coleta, com picos de 550 doses. Agora, imaginem todas essas qualidades associadas ao zebu.


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