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Segunda-feira, 04 de agosto de 2003 - 20h16m

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Nenhum país tem a pecuária que nós temos



Por Luiz Eduardo Batalha *

A pecuária brasileira passa por um momento de extrema vitalidade, mas de definições importantes. Se por um lado as exportações de carne bovina não param de crescer, batendo recordes seguidos e colaborando decisivamente para aumentar o superávit comercial do País – apenas em carne in natura foram vendidos no exterior mais de US$ 400 milhões entre janeiro e maio –, por outro a atividade enfrenta grandes desafios para encontrar o seu caminho ideal. E, nesse processo, envolve-se em discussões paralelas, que ganham repercussão e acabam prejudicando todo o processo de desenvolvimento da cadeia produtiva.

Estou me referindo, por exemplo, à discussão sobre qualidade da carne. Por mais que os criadores de raças de origem européia e instituições públicas e privadas com credibilidade afirmem e reafirmem sempre que o cruzamento industrial é uma dádiva ao Brasil porque une duas linhagens distintas de animais – bos taurus e bos indicus – e que, por isso mesmo, os produtos resultantes incorporam as melhores características dos seus pais, as informações levadas ao grande público nem sempre são corretas sob o ponto de vista estritamente científico.

Resultado: uma grande confusão, que acaba colocando a pulga atrás da orelha do consumidor final, esse importante agente da cadeia, que tem o poder de definir os caminhos dos nossos projetos pecuários.

O que fazer? Massificar a informação. Mais do que nunca é preciso reforçar os conceitos de marmoreio, sabor, maciez e suculência. Recentes pesquisas feitas com consumidores confirmam que carne macia e saborosa são os objetos de desejo do apreciador da proteína vermelha. E essas, caros colegas, são as características principais do bos taurus e dos seus cruzamentos com o zebu. Aliás, essa é a carne desejada pelo mundo.

As exportações brasileiras são o melhor exemplo do que estou falando. O Brasil está batendo recordes de vendas, mas os preços estão baixos. Aliás, são os mais baixos do mundo. Por que? Porque vendemos quantidade e não qualidade. Afinal, somos o único país do mundo em condições de suprir as necessidades dos importadores após os casos de vaca louca na União Européia e de aftosa na Argentina e no Uruguai.

O grande desafio é manter o crescimento das exportações, mas agregar valor, levando ao mercado internacional carne de melhor qualidade – resultado do cruzamento industrial. Aí, sim, a pecuária nacional terá atingido o patamar ideal em volume e em receita.

Sem dúvida, a questão requer empenho e muito trabalho de todos. Mas as oportunidades para o Brasil são fantásticas. Nossos principais competidores enfrentam problemas internos sérios. A Austrália, líder em exportação de carne bovina até o ano passado, deve perder essa posição no ranking em 2003 porque enfrenta uma terrível estiagem. Organismos do próprio país estimam recuo de até 10% nas vendas externas já este ano. E, dizem, a situação não deve se alterar muito em 2004. Bom para nós. Os Estados Unidos, segundo maior exportador, convivem com pressão ambientalista e redução das áreas de criação. Isso sem dizer que estão, também, entre os maiores importadores de carne do planeta.

Esse cenário aponta os holofotes para o Brasil. E a nossa pecuária está, aos poucos, conquistando espaço. Mas é preciso que não perca o foco em seu diferencial mais relevante e festejado pelos importadores: a diversidade de opções de cruzamento industrial, que proporciona a oferta da carne que o mundo quer, com a necessária espessura de gordura, com maciez e suculência sem igual, com rastreabilidade e certificação de origem.

Nesse sentido, nós, pecuaristas, temos um papel absolutamente fundamental. Precisamos manter o rumo e continuar trabalhando forte para produzir essa carne de qualidade, aproveitando a rusticidade do bos indicus e utilizando cada vez mais o bos taurus, seguindo a tendência mundial do cruzamento industrial – os principais fornecedores de carne bovina no mundo trabalham com cruzamento –, mas sem hormônio, com alimentação à base de capim e criação extensiva. Estes, sim, os diferenciais que só o Brasil tem.

* Proprietário da Chalet Agropecuária e formado em engenharia civil


Fonte: Texto Assessoria de Comunicações
















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