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Quarta-feira, 06 de agosto de 2003 - 09h33m

Agricultura > Frutas

Estiolamento de mudas e podridão preta do mamão



Por Antonio Alberto Rocha Oliveira e Hermes Peixoto Santos Filho *


Estiolamento de mudas
O estiolamento ou tombamento de mudas é uma doença que ocorre normalmente em viveiros e é causada por fungos de solo cuja etiologia varia de região para região, porém apresentam o mesmo quadro sintomatológico. Embora a doença seja atribuída a complexos de Pythium, é fato conhecido a participação de outros patógenos como Rhizoctonia solani, Fusarium sp e Phytophthora sp., entre outros. O ataque desses fungos é facilitado em função das condições de umidade elevada, em face do adensamento das plantas. Em viveiros muito adensados as plantas podem morrer em poucos dias chegando a mais de 80% a quantidade de perdas.

Os sintomas manifestam-se através de podridões de raiz e por uma mancha de aspecto aquoso nos tecidos da região do colo que aumenta de tamanho, seguida de uma constrição e apodrecimento úmido. Consequentes sintomas reflexos são observados na parte aérea, tais como amarelecimento, redução de crescimento, seca de folhas, tombamento e morte das mudas afetadas. Iniciada a podridão no colo da plântula, torna-se difícil controlá-la. As plantinhas jovens são muitos suscetíveis, tornando-se resistentes quando mais velhas.

A doença também pode ocorrer na fase inicial de crescimento dos mamoeiros no local definitivo, geralmente em terrenos encharcados ou de difícil drenagem. Neste caso, quando os plantios são efetivados seguidamente na mesma área, o replantio torna-se fator limitante se os campos não tiverem pelo menos três anos sem serem cultivados com mamoeiros. Em áreas com terrenos muito rochosos o problema se agrava ainda mais. As plantinhas, ao invés de se fixarem no solo, apresentam declínio típico como resultante do apodrecimento das raízes causado pela infecção do complexo fúngico.

A principal medida de controle é o uso de sementes comprovadamente sadias. O viveiro deve ser implantado em local ensolarado de modo que as mudas recebam 50% de intensidade luminosa, longe de plantações que possam transmitir doenças ao viveiro e com menor densidade de plantas. Nos recipientes utilizados para produção de mudas utilizar solos nos quais não se tenha cultivado mamoeiro por 5 anos. O solo deve ser tratado por fumigação ou por esterilização via calor a 82° C/ 2 horas. A irrigação deve ser controlada e deve-se evitar locais com risco de encharcamento. No momento de levar as mudas para o campo devem ser escolhidas aquelas que não apresentarem lesões.

Em caso de ataque muito intenso, recomenda-se o tratamento com fungicidas seletivos, dependendo do patógeno envolvido na etiologia da doença. O conhecimento dos agentes causais é importante para o estabelecimento da metodologia de controle porque os fungos envolvidos no processo exigem métodos de controle diferentes, o que dificulta a escolha do método mais adequado em função da semelhança dos sintomas.


Podridão preta do mamoeiro
Antigamente descrita como ascoquitose, esta é uma doença importante para as regiões tropicais, causando sintomatologia variada em folhas, frutos, pedúnculo (pós-colheita) e tronco. A doença ocorre com mais severidade em regiões com baixa umidade relativa seguida de chuvas, proporcionando maior facilidade de penetração do fungo. O ataque intenso pode até mesmo causar a morte de plantas.

O agente causal da doença é o fungo Phoma caricae papayae (Tarr) Punith e o seu teleomorfo é Mycosphaerella caricae H. Sydow & Sydow. Anteriormente a doença era atribuída ao fungo Ascochyta caricae Pat (Hire) e M. caricae-papayae Terr. O agente etiológico coloniza folhas velhas e pecíolos, produzindo abundantes corpos de frutificação que servem de fonte de inóculo primário, no campo.
Os sintomas podem ser observados nos frutos, nas folhas e nos troncos do mamoeiro. Nos frutos, a podridão aparece em forma de manchas pequenas, circulares e aquosas que se juntam formando áreas escuras com pontuações negras que são numerosos picnídios.

Com o desenvolvimento da doença, a lesão torna-se deprimida e dura podendo ser extraída facilmente. Nas folhas, observa-se uma lesão necrótica pardacenta, com visualização de pontos negros rodeando as suas margens que são picnídios do fungo, embebidos no tecido. Com o envelhecimento da lesão, aparece na sua superfície um micélio esponjoso acinzentado. O fungo pode ser encontrado no ápice do mamoeiro, contribuindo com outros agentes para a queda das folhas e até morte da planta.

A disseminação dos esporos se dá na forma de ascosporos, que se multiplicam e colonizam os tecidos mais rapidamente quando existem condições de alta umidade e temperaturas amenas. Na fase de pós colheita, as manchas são maiores se aprofundam no pericarpo e mesocarpo do fruto, chegando até às sementes.
Como a doença pode afetar diferentes partes da planta, algumas medidas de controle têm que ser feitas de modo integrado.
As folhas muito atacadas ou senescentes devem ser retiradas e destruídas no local, não devendo ser arrastadas pelo pomar, evitando-se a dispersão de esporos. Em caso de ataque muito intenso recomenda-se a aplicação de fungicidas apropriados. Deve-se evitar ferimentos nos frutos por ocasião da colheita, embalagem e armazenamento.

Pesquisas têm demonstrado a resistência da espécie Carica gaudotiana a quatro isolados do fungo, enquanto C. cauliflora e C. papaya mostraram diferentes graus de suscetibilidade.


*Engenheiros Agrônomos, Ph.D e M.Sc., Pesquisadores da Embrapa Mandioca e Fruticultura.


Fonte: Antonio Alberto Rocha Oliveira
















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