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Quarta-feira, 06 de agosto de 2003 - 21h48m

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Cooperativas de SC: como seguir crescendo



Por Luiz Hilton Temp

As variáveis que determinam o cenário político e econômico deste novo século tornam imprevisível o panorama do futuro próximo, mas as tendências desses tempos de globalização são inequívocas: competição acirrada e constante versus busca permanente da eficiência.

Inclusas nessa contextura, as cooperativas jogam o jogo das mudanças e transformações e obedecem às regras seculares do mercado. Todo o lirismo e a poesia do ideário cooperativista – incluídos os nobres, edificantes e indispensáveis princípios e valores – são solenemente ignorados pelo mercado. Resultados positivos é o que querem todos, a começar pelos cooperados.

Sob essa ótica, o crescimento do faturamento das cooperativas de Santa Catarina, nos últimos três anos, surpreende a todos. Os ramos que capitanearam o crescimento mais expressivo foram as cooperativas de crédito e as agropecuárias.

Fortes investimentos na qualificação de seus quadros profissionais e de direção, liberação gradativa de amarras legais que impediam o seu desenvolvimento, especialmente das de crédito, e o despertar do agronegócio em nosso país foram decisivos para atingir-se essa performance. O avanço só não foi maior em função de restrições e tributações que alguns ramos ainda enfrentam e que se constituem em percalços para sua expansão.

As cooperativas catarinenses tiveram um excelente resultado em 2002, ano em que, no conjunto, faturaram R$ 4,5 bilhões de reais, registrando uma evolução da ordem de 34,62% em relação ao ano anterior. O segmento de maior expansão foi o agropecuário com 44,24% de crescimento e movimento de R$ 3,3 bilhões. Esses números revelam a face mais valorizada do cooperativismo barriga-verde: seriedade de gestão, eficiência gerencial e sintonia com os desafios dos novos tempos. A seriedade pode ser avaliada pelo recente expurgo de 89 cooperativas que deixaram de fazer parte do sistema porque, de alguma forma, infringiram norma legal essencial (lei 5.764/71) do cooperativismo. Nos últimos cinco anos foram expurgadas 266 organizações que deixaram de ser reconhecidas como cooperativas e que, ou foram extintas, ou continuaram funcionando como empresas comerciais.

A eficiência gerencial vem sendo perseguida tenazmente através de arrojados programas de treinamento e capacitação de técnicos e dirigentes, financiados pelas próprias cooperativas, diretamente ou via Sescoop, o Serviço Nacional de Aprendizagem do Cooperativismo. A sintonia com os novos tempos exige uma permanente leitura das mudanças e transformações no Brasil e no mundo, conhecimento e contato com outras realidades culturais, seminários e viagens de estudo.

E daqui para frente será possível manter esse nível de crescimento? Para responder é preciso ter em mente os grandes desafios contemporâneos do cooperativismo catarinense: sustentabilidade para evitar surto de forte crescimento em determinado período, seguido de profunda crise financeira.

Precisamos crescer sem desequilibrar as bases estruturais de nossas cooperativas. Espasmos de euforia normalmente são seguidos de ressaca. É importante crescer, mas com equilíbrio e sustentabilidade. A recente e súbita “onda” de fervor e paixão ao cooperativismo deve ser tratada com cautela. Muito cuidado com a onda de incentivo ao surgimento de novas cooperativas. Isto já ocorreu no passado e temos até hoje reflexos graves nas distorções que gerou no cooperativismo nacional, principalmente com as “cooperativas de fachada”.

A eleição do presidente Luiz Inácio Lula da Silva e a anunciada prioridade ao cooperativismo recolocou esse tema na agenda nacional. A recente reinstituição da isenção da Pis/Cofins sobre o ato cooperativo (embora, por enquanto, apenas para as cooperativas agropecuárias e de eletrificação rural) foi um sinal positivo para o setor. Uma das antigas reivindicações da Ocesc – que as cooperativas de crédito sejam autorizadas a receber tributos estaduais e a pagar aposentadorias e pensões como os bancos comerciais – está próxima da realidade.

A história das cooperativas vitoriosas recomenda que o cooperativismo surja sobre bases sólidas, caso contrário estaremos criando organizações que deixarão marcas negativas em todos nós. Infelizmente, quando uma cooperativa não é bem gerida, acaba afetando todo o sistema.

É inegável a importância da comunicação para unir e interagir esse multifacetado universo. O cooperativismo por muitos anos usou esta importante ferramenta para se comunicar quase que exclusivamente com seus públicos internos. Atualmente com maior freqüência, observa-se iniciativas elogiáveis de externalizar as iniciativas que plasmaram sua cultura organizacional.

O cooperativismo adotou em 1944 o sétimo principio, que trata da preocupação do sistema com a sociedade onde ela está inserida, deflagrando de vez os programas de integração e interação com a comunidade, exigindo dos quadros dirigentes novas formas de relacionamento com a imprensa, numa parceria de integração entre público, meio de comunicação, direção e colaboradores.

Presidente da OCESC – Organização das Cooperativas do Estado de SC


Fonte: MB Comunicação
















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