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Domingo, 07 de setembro de 2003 - 19h25m

Agricultura > Frutas

O caju gerando emprego e renda



A fruticultura é um dos ramos que tem expandido grandemente nos últimos anos, inclusive para exportação. Dentre as fruteiras, o cajueiro (Anacardium occidentale) apresenta grande potencial para o agronegócio, pois, no Nordeste, por exemplo, contribui para a criação de 16 mil empregos na zona urbana (unidades de beneficiamento da castanha e do pedúnculo) e 300 mil no meio rural. O agronegócio do caju gera em torno de 146 milhões de dólares anuais com as exportações de seus produtos.Esta exportação poderá ser incrementada caso seja aumentada a produção e conquistado novos mercados.

De acordo com a literatura, o cajueiro encontra-se disperso em uma larga faixa tropical do mundo, sendo que o Centro Primário de Diversidade Genética está localizado na Região Amazônica, ao passo que o Centro Secundário de Diversidade está no Planalto Central e no Nordeste. Esta espécie é a única cultivada e a de maior dispersão do gênero. Ela é cultivada em 26 países e os maiores produtores, responsáveis por 81% da produção mundial, são: Índia, Brasil, Vietnã, Tanzânia, Indonésia, Moçambique e Guiné-Bissau. No Brasil, na região Nordeste concentra-se 99% da área colhida e da produção nacional, portanto há a necessidade de incrementar a produção de caju na região Norte, principalmente agregando valores aos seus produtos primários e secundários. Roraima tem condições edafoclimáticas propícias à produção de caju que poderá constituir um
importante agronegócio, contribuindo para a geração de empregos e de divisas para o estado.

Em virtude da sua localização geográfica, este estado poderá também se tornar um importante pólo de exportação,
inclusive de outras fruteiras nativas. Os principais produtos do cajueiro são a amêndoa da castanha e o pendúnculo. A amêndoa da castanha é considerada uma das nozes mais preferidas no mercado. Da amêndoa da castanha pode ainda ser extraído o líquido da casca da castanha, a casca da castanha, a película (rica em tanino) e o óleo da amêndoa. O líquido da casca da castanha pode ser
aproveitado como fonte de fenol, empregado para diversos fins nas
indústrias de plásticos, verniz, isolantes, tintas e na indústria
automotiva (formulações das lonas de freio). O pedúnculo é consumido in natura ou industrializado, para fabricação de sucos, sorvetes, doces diversos (compota, cristalizado, ameixa, massa), licor, mel, geléias, cajuína, refrigerantes gaseificado e aguardente. O pedúnculo tem alto valor nutritivo, pois concentra altos teores de vitaminas e sais minerais, apresentando inclusive teores de vitamina C cinco vezes maiores do que na laranja, além de cálcio, ferro e fósforo.

Outro produto potencial é a goma do cajueiro que produz uma cola de madeira quando misturada com água, com grande utilização na encadernação de livros. Também apresenta ação fungicida e inseticida e há pesquisas visando seu emprego na fabricação de tintas e vernizes. Esta goma é obtida da exsudação natural ou através de incisões efetuadas nos troncos e ramos da planta.

Por outro lado, a agroindústria do caju estruturou-se em torno da
exploração extrativista com pouca ou nenhuma organização dos produtores, que, por sua vez, não utilizam tecnologias agroindustriais, acarretando uma baixa produtividade. As principais causas da baixa produtividade consiste no uso de material genético de qualidade inferior; manejo e tratos culturais inadequados; implantação da cultura sem estudos de impactos ambientais; uso de áreas ecologicamente desfavoráveis ou com restrições para a cultura e; baixo preço da castanha pago ao produtor.

Em Roraima inclui nesta relação a ocorrência de queimadas que destroem muitas plantas. Portanto, para desenvolver o agronegócio do caju é preciso vencer muitos desafios. E isto a pesquisa já vem fazendo, pois nas últimas décadas foram desenvolvidas e aprimoradas tecnologias que permitem mudanças do
atual perfil da exploração do cajueiro. O desenvolvimento de clones de cajueiro do tipo anão precoce, pela equipe da Embrapa Agroindústria Tropical localizada no Ceará, proporciona novas perspectivas para a cultura, visto que a produtividade é superior a 1.300 kg/ha de castanha em regime de sequeiro, contra os atuais rendimentos médios de 220 kg/ha.

Além do desenvolvimento de pesquisas na área de melhoramento genético, outras também vêm sendo efetuadas na área de propagação, sistema de manejo, fitossanidade, pós-colheita e processamento. A pesquisa visa ainda o desenvolvimento de clones com maior resistência e conservação pós-colheita (objetivando aumentar o tempo de prateleira) e de melhor qualidade. Dentro deste contexto, a preservação da diversidade genética desta espécie, é fundamental para o desenvolvimento de pesquisas e,
conseqüentemente, para gerar conhecimentos, processos e produtos de modo a viabilizar a sustentabilidade do agronegócio, mantendo o equilíbrio da biodiversidade e com menores impactos ambientais.

Porém, é preciso também ações decisivas nas áreas de assistência técnica, crédito, financiamento e efetiva participação de produtores e industriais.


Fonte: Maria Aldete Justiniano da Fonseca Ferreira e Otoniel Ribeiro Duarte
















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