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Terça-feira, 02 de setembro de 2003 - 11h24m

Animais > Bovinos

Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT)



Instituído em 2001 pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa), o Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal (PNCEBT) tem o objetivo de diminuir os impactos negativos das duas zoonoses na saúde pública e promover a competitividade da pecuária nacional. O PNCEBT introduziu a vacinação obrigatória contra a brucelose
bovina e bubalina em todo o território nacional e definiu uma estratégia de certificação de propriedades livres e monitoradas.

A brucelose - causada pela bactéria Brucella abortus - e a tuberculose - causada pelo Mycobacyterium bovis - estão disseminadas por todo o país e afetam tanto bovinos como os bubalinos. No entanto, sua prevalência e distribuição regional não estão bem caracterizadas. Sabe- se que a brucelose atinge tanto o gado de corte como o de leite, enquanto a tuberculose causa maiores
preocupações aos produtores que exploram a pecuária leiteira.

Os objetivos específicos do Programa consistem em:
a) baixar a prevalência e a incidência de novos focos de
brucelose e tuberculose; b) criar um número significativo de propriedades certificadas como livres de brucelose e tuberculose ou
monitoradas e que ofereçam ao consumidor produtos de baixo risco sanitário.

O Mapa estabelece estratégias para o programa que consistem em um conjunto de medidas sanitárias compulsórias associadas a ações de adesão voluntária. Como medidas compulsórias, recomenda-se a vacinação de bezerras contra a brucelose e o controle de trânsito de
animais destinados à reprodução, com prioridade para a primeira ação. As ações de adesão voluntária estão relacionadas com a certificação de propriedades livres e monitoradas, que por outro lado, são instrumentos que os produtores e as agroindústrias poderão utilizar para agregar valor aos seus produtos.

Também são consideradas estratégias do Programa a capacitação de médicos veterinários, tanto da rede oficial quanto da iniciativa privada. Esses profissionais contribuirão para a solução de importantes problemas de saúde pública e animal, através da integração do serviço veterinário oficial e privado e da constante melhoria do padrão dos serviços oferecidos aos pecuaristas e à população em geral. Outra estratégia é o diagnóstico e o apoio laboratorial constante a laboratórios privados e oficiais. O resultado será a normalização de exames no campo e em laboratórios, padronizando os exames de diagnóstico e procurando sempre a atualização no caso do surgimento de testes mais eficientes em relação aos recomendados.

A certificação de propriedades livres e monitoradas - de
responsabilidade do serviço oficial - será realizada mediante a realização de diagnóstico por amostragem a qualquer momento em propriedades certificadas e nos testes finais que conferem o certificado de propriedades livres. Todas estas estratégias visam à promoção da educação sanitária, onde o Mapa considera essencial a
necessidade de entendimento pelos pecuaristas e consumidores a adesão ao Programa, considerando-o como um projeto da sociedade brasileira, permitindo que as ações sanitárias sejam efetivamente aceitas e cumpridas.

A consciência, principalmente do pecuarista ao abraçar essa causa, irá contribuir para a preservação da saúde do rebanho, contribuindo com a saúde pública e com o Estado, que poderá oferecer produtos de origem animal com qualidade. O resultado são mais divisas e maior competitividade no mercado.


Por que a preocupação com a brucelose e a tuberculose?

A Brucelose é uma zoonose, isto é, uma doença dos animais transmissível ao homem. Provocada por bactérias do gênero Brucella é uma enfermidade que possui distribuição universal, acarretando muitos problemas sanitários e altos prejuízos econômicos. Nos animais, provoca aborto, nascimento prematuro, esterilidade,
baixa produção de leite e carne, contribuindo para uma considerável baixa na produção de alimentos. No homem, a sua manifestação clínica é responsável por incapacidade parcial ou total ao trabalho, além das complicações que ocorrem pela mesma sintomatologia clínica dos animais.

O PNCEBT contempla as espécies bovina e bubalina, cujo agente é a Brucella abortus, mas existem outras espécies de animais que também podem desenvolver a doença. É o caso dos caprinos e ovinos, que são suscetíveis à Brucella mellitensis. Os ovinos também são atacados pela Brucella ovis e os suinos pela Brucella suis. A Brucella canis aparece em cães e o rato do deserto é atacado pela
Brucella neotomae, além de duas novas espécies recentemente isoladas de mamíferos marinhos que estão sendo estudadas.

No Brasil, a prevalência da brucelose no rebanho animal no período de 1988 a 1998, ficou entre 4% e 5%. Quanto às perdas econômicas, estimativas demonstram que esta enfermidade é responsável pelo decréscimo de até 25% na produção de leite e carne e na diminuição da produção de bezerros em 15%. Uma em cada cinco vacas infectadas aborta ou torna-se permanentemente estéril. Neste contexto deve-se considerar as perdas relacionadas com as infecções humanas, onde a literatura cita que com exceção da B. ovis e B. notommae, todas as demais já foram encontradas no homem. Além disso, as fontes primárias de infecção são os animais e/ou produtos destes. É uma doença de caráter ocupacional e as vias de transmissão do agente etiológico variam com a área
epidemiológica, com os reservatórios animais e os grupos ocupacionais expostos ao risco.

A contaminação ocorre pela ingestão, contato, inalação e inoculação acidental. A via digestiva é a mais freqüente, especialmente pela ingestão de produtos alimentícios não tratados pelo calor como leite e derivados, carne e derivados, vísceras, verduras cruas e águas contaminadas por excrementos de animais infectados. No entanto, muitos casos em humanos ocorrem pelo contato com fetos, membranas fetais, secreções vaginais, urina, fezes e carcaças. As brucellas podem penetrar pela pele e mucosas, especialmente a conjuntiva. A contaminação através da inalação ocorre por meio de substâncias dessecadas de origem animal, tais como o pó da lã, veículos de transporte, limpeza de matadouros, limpeza de instalações pecuárias (tarros de leite, estábulos, pocilgas, etc.) e limpeza de laboratórios. A inoculação acidental é bastante comum entre veterinários, vacinadores, coletadores de sangue e profissionais de laboratório. Apesar de não existirem estudos concretos de prejuízos no Brasil ocasionados pela doença, nos Estados Unidos estimou-se em 1983 perdas da ordem de 32 milhões de dólares, apesar do programa americano ter sido iniciado há mais de 40 anos.


Ações
O Programa padroniza os testes de diagnóstico tanto no campo como em laboratórios da rede privada e oficial. Cada profissional deve ter os mesmos parâmetros de controle da enfermidade. No início do combate à brucelose, uma maior atenção será dispensada à vacinação das fêmeas bovinas e bubalinas entre 3 e 8 meses de
idade, atividade obrigatória a partir de janeiro de 2004 em Rondônia. Já as fêmeas com resultado positivo deverão ser marcadas e destinadas ao abate. Com todas estas ações os pecuaristas poderão tornar as suas propriedades livres ou monitoradas para a brucelose.

A doença no ser humano apresenta um período de incubação que pode variar entre uma e três semanas a vários meses. A enfermidade pode ter uma atuação branda com evolução para a cura espontânea ou, por outro lado, até grave e prolongada, acompanhada de toxemia. Apresenta também uma fase aguda, onde prevalecem a febre, debilidade, cefaléia, dores musculares e articulares, sudorese noturna intensa, calafrios e frustração. O quadro pode evoluir para toxemia, trombocitopenia, endocardite e
outras complicações, podendo levar a morte.

A doença é dolorosa e o tratamento é demorado, realizado
através da associação de antibióticos. Portanto, ao considerarmos as inúmeras maneiras de contágio, a classe de produtores e pecuaristas devem dispensar adesão total ao Programa, tendo em vista que a origem da brucelose se encontra na condição sanitária de seus rebanhos.


Tuberculose
A tuberculose bovina é uma zoonose de evolução crônica causada pelo Mycobacterium bovis, caracterizada pelo desenvolvimento progressivo de lesões nodulares denominadas tubérculos, que podem se localizar em qualquer órgão. Apesar de associados à doença, a debilidade, emagrecimento progressivo e caquexia não são sintomas observados na maioria dos rebanhos infectados.

Autores reforçam que o termo tuberculose deve, contudo, ser reservado para designação da doença causada pelo Micobacterium tuberculosis, M. bovis e M. avium, agentes etiológicos da tuberculose humana, bovina e aviária,respectivamente. O M. bovis, patogênico para praticamente todos os mamíferos, inclusive o homem, apresenta características imunológicas muito afins com o bacilo humano. A distribuição da tuberculose é mundial e a sua prevalência é mais alta nos países em desenvolvimento devido à ausência de controle e erradicação eficientes, fazendo com que os focos da
doença se perpetuem. Nos países que implantaram programas de controle da tuberculose animal ao longo do século passado, baseados em tuberculinização e sacrifício de animais reagentes, o número de animais infectados foi reduzido drasticamente. No Brasil, dados oficiais indicam a prevalência média nacional de 1,3% de
animais reagentes à tuberculina no período entre 1989 e 1998.

Como a tuberculose bovina é uma doença crônica e não apresenta sinais clínicos alarmantes como aborto, febre alta, queda abrupta da produção, citando sintomas de doenças de caráter agudo, não motivou os médicos veterinários, criadores, autoridades sanitárias e
consumidores de produtos de origem animal para o seu controle. No entanto, os prejuízos econômicos são altos se considerarmos a diminuição na produção de leite, carne, descarte precoce, eliminação de animais de alto valor zootécnico e condenação de carcaças no abate. Estima-se que os animais infectados percam de 10 a 25%
de sua eficiência produtiva, além da perda de prestígio e credibilidade da unidade de criação.

A tuberculose bovina é também responsável por graves perdas econômicas em outros animais domésticos e de reconhecido perigo para a saúde humana, causando as mesmas formas clínicas e lesões patológicas que o M. tuberculosis. A prevalência da tuberculose humana de origem animal tem diminuído nos países onde a pasteurização é obrigatória ou onde existem campanhas de
combate à enfermidade bovina. Naqueles países onde ocorre o costume de consumo de leite, quando derivados e carne passam por um processo de fervura ou cozimento, a incidência da infecção por M. bovis tem sido mais baixa.

É importante frisar que 90% das infecções pelo M. bovis em bovinos e bubalinos e outras espécies animais e também no ser humano se dá através da via respiratória, a partir da inalação de aerossóis contaminados pelo microorganismo. A literatura acusa que o exame clínico e a baciloscopia do escarro não permitem a diferenciação entre a infecção pelo M. bovis e M.tuberculosis no homem. Essa diferenciação só é possível pelo isolamento e identificação do agente. Portanto, a triagem realizada para a tuberculose humana é de suma importância, pois se estas pessoas residirem no meio rural e tiverem contato com animais, certamente teremos animais infectados. Nessa hipótese, deverão ser descartados. Em caso
contrário, o foco persistirá e o tratamento humano não
terá resposta positiva.

O controle da tuberculose bovina deve ser realizado por intermédio dos exames em bovinos e bubalinos, controle da saúde dos trabalhadores, espécies animais que se encontram em cada propriedade e a utilização de instalações com boa ventilação e com exposição direta à luz solar. A higienização deve ser realizada com
desinfetantes apropriados, como o hipoclorito de sódio, fenol, formol cresol, etc. O consumidor deve somente adquirir carne de estabelecimentos que comercializem produtos com inspeção federal, estadual ou municipal.


Encefalopatias Espongiformes Transmissíveis (EET)
O Programa Nacional de Controle e Erradicação da Brucelose e Tuberculose Animal contempla ainda outra categoria de enfermidades: Noções sobre as Encefalopatias Espongiformes Transmissíveis (EET), que são doenças de caráter nervoso como a raiva, a doença da vaca louca e outras, transmissíveis também aos seres humanos. Os médicos veterinários são responsáveis pela
caracterização das mesmas, práticas de coleta e envio de materiais para diagnóstico laboratorial, além de fornecerem informações sobre laboratórios credenciados para diagnóstico e os procedimentos em caso de resultados positivos.

Todas essas particularidades compõem o Programa do Mapa,
que procura atender uma lacuna tão importante em âmbito
nacional: a sanidade animal. A categoria engloba a qualidade dos produtos de origem animal com um relevante papel econômico e de reflexo imediato na saúde pública, esperando, entretanto, o comprometimento total dos órgãos oficiais e formadores de opinião, da classe produtora, pecuaristas e consumidores, para aderirem
maciçamente ao Programa.


Fonte: Francelino Goulart da Silva Netto/Médico Veterinário Embrapa Rondônia
















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