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Terça-feira, 09 de setembro de 2003 - 12h43m

Agricultura > Soja

A produção de sementes de soja na Amazônia



A ocorrência de condições climáticas desfavoráveis durante o desenvolvimento da semente ou a exposição a períodos de alta umidade e temperatura após a maturação de sementes de soja, quando ainda no campo, tem causado danos fisiológicos e, conseqüentemente, prejudicado a qualidade das sementes.

A colheita objetiva retirar do campo o produto desejado dentro das melhores condições possíveis, devendo ser efetuada no momento adequado e planejado para evitar perdas e reduzir danos. Assim, desde o planejamento da implantação da cultura, deve-se ter em mente a colheita, a disponibilidade de máquinas, depósitos, sacarias, unidades de beneficiamento, transporte, etc.

A partir da maturidade fisiológica, apenas o meio em que se encontra interferirá na umidade da semente de soja, que estando com umidade relativa de 60 a 65% e em condições ambientais favoráveis, o seu teor de água decresce para 15 a 18% em uma semana. Já com precipitações prolongadas ou umidade relativa alta, ocorrerão hidratações e desidratações nas sementes, retardando o processo de secagem natural.

As sementes de soja, sendo higroscópicas, estão constantemente trocando umidade com o ar circundante, ora ganhando, ora perdendo, procurando o equilíbrio higroscópico. Para uma mesma condição climática, as sementes aleuro oleaginosas, como a de soja, tem um ponto de equilíbrio higroscópico menor em relação as amiláceas, como o milho, visto que os carboidratos tem maior higroscopicidade que os lipídios.

Assim, a colheita é recomendada quando as sementes apresentam teor de água compatível com a colheita mecanizada, o que representa estarem entre 16 e 13% de umidade. Sendo este, o intervalo, mais seguro para minimizar as injúrias mecânicas provocadas pelas máquinas de colheita [maior que 17 (danos latentes) ou menor que 13 (danos imediatos: trincas). No momento apropriado para a colheita, as plantas apresentam-se desprovidas de folhas secas.

As perdas médias na colheita somam 10 a 15 %, podendo apresentar amplitude de 4 a 20% sedo que a média nacional está e 12 a 13%. Dessas perdas, 70% são devidas à regulagem da máquina e os restantes 30% pelo manejo inadequado. Estas perdas podem ser reduzidas desde que sejam identificadas a tempo, as causas e sejam procedidas as correções necessárias.

Outros fatores que influenciam as perdas de sementes na colheita são: características da cultivar, época de semeadura, população de plantas, presença de plantas invasoras, adubação, grau de umidade das sementes, momento da colheita (época e horário).

Na safra de 2002, em avaliações realizadas nas lavouras comerciais de produção de soja em Roraima, foram observadas perdas médias entre 0,66 e 7 sacos por hectare. Isso representa de 2,64 a 28% de perdas, o que está muito aquém do esperado, sendo os valores aceitos em torno de 9 a 10%. É preciso verificar as causas destas perdas para que na próxima safra sejam obtidos índices inferiores nas propriedades em que as perdas foram superiores a 10% (Smiderle, 2002).

São três os problemas desta etapa da produção de sementes que se destacam, a saber: momento inadequado da colheita, levando a queda na qualidade fisiológica das sementes; danos mecânicos e mistura varietal.


Momento da colheita
O ponto de maturidade fisiológica seria, teoricamente o mais indicado para a colheita, visto que neste ponto as sementes atingem sua máxima qualidade. Porém, neste momento, o teor de água das sementes é muito elevado (45 a 50%), o que impossibilita a colheita mecânica, além da elevada quantidade de massa verde que pode ser encontrada nesse período. Outro aspecto que limitaria a colheita nesta ocasião seria a necessidade urgente de secagem artificial das sementes colhidas em função do seu alto teor de água.

A soja é uma das espécies cujas sementes são mais sensíveis aos efeitos das condições ambientais durante o processo de maturação e após a maturidade fisiológica, devido a sua estrutura e composição química rica em lipídeos. Sendo assim, a partir do ponto de maturidade fisiológica, a qualidade da semente irá decrescer em conseqüência de processos deteriorativos, portanto, quanto maior o retardamento da colheita após este ponto maior a probabilidade da ocorrência de perda da qualidade das sementes em função de variações nas condições ambientais, principalmente pela alternância de dias chuvosos e secos.


Danos mecânicos
Os danos mecânicos são um dos principais problemas que afetam a qualidade fisiológica das sementes, sendo influenciados no seu grau de ocorrência pela umidade das sementes e por características da colhedora.

Os menores percentuais de dano mecânico ocorrem nas sementes de soja que são colhidas com umidade na faixa de 12 a 15%. O percentual de sementes trincadas e quebradas aumenta quando o teor de água está abaixo de 12%, e os danos por abrasão aumentam quando o teor de água está acima de 15%.

Devido ao dano mecânico ser um dos principais problemas que afetam a qualidade fisiológica da semente de soja na colheita, a sua monitoração é importante, sendo que, um bom indicador de sua ocorrência é o teste de hipoclorito de sódio (Brasil, 1992). O teste revela a ocorrência de danos mecânicos, permitindo os ajustes necessários na colhedora (velocidade do cilindro batedor e abertura do côncavo), bem como a decisão do destino do lote colhido, pois se o índice de dano mecânico ultrapassar 10% neste teste, não se recomenda à utilização deste lote para semente.


Mistura Varietal na Operação de colheita
A colheita pode ser uma importante fonte de mistura varietal, se os seguintes procedimentos não forem considerados:
a) isolamento mínimo entre campos de sementes de diferentes cultivares (para permitir operações de manobra da colhedora);
b) limpeza adequada da colhedora.
A partir do ponto de maturidade fisiológica a qualidade da semente já começa a declinar, com intensidade variável em função das condições de manejo antes, durante e após a colheita. O processo de deterioração envolve uma série de transformações, principalmente fisiológicas, bioquímicas e físicas, de modo progressivo e irreversível.

São necessários conhecimentos básicos sobre a fisiologia das sementes e dos fatores que afetam seu comportamento antes e durante o período de conservação. Durante este período, as sementes podem sofrer alterações químicas, respirar com alta intensidade, provocando aquecimento da massa e consumo de reservas, e podem sofrer infestação de insetos e microrganismos patogênicos.

O potencial de armazenamento da semente é grandemente influenciado por condições anteriores ao armazenamento, por exemplo:
a) estádio de maturação: semente completamente maduras conservam-se melhor que as imaturas;
b) secagem adequada;
c) injúrias mecânicas;
d) sanidade;
e) beneficiamento: materiais verdes e sementes danificadas constituem-se em focos de proliferação de microrganismos e fontes de aquecimento do lote, pela maior taxa respiratória.


Considerações sobre a operação de colheita
a) Uso de dessecantes
O uso de dessecantes, por promover a queda das folhas e perda de água pelas sementes sem redução de seu peso de matéria-seca, possibilita a colheita em época mais próxima à maturidade fisiológica, geralmente dispensando a secagem artificial (Smiderle, 2002). Esta técnica permite redução de perdas decorrentes da exposição das sementes às condições climáticas adversas, possibilita uniformidade de secagem das plantas, redução da incidência de insetos e doenças, aumento do rendimento da colhedora, obtenção de sementes mais limpas e menores perdas.
b) Perdas antes e durante a colheita mecanizada
É normal que ocorram algumas perdas antes e durante a operação da colheita, mas é necessário reduzi-las a fim de maximizar o lucro do produtor.

Alguns fatores devem ser considerados para minimizar as perdas na colheita: planejamento da colheita, preparo do solo, época de semeadura, espaçamento e densidade, cultivares, plantas daninhas, retardamento de colheita, umidade da semente e regulagem e condução da colhedora.


Fonte: Oscar José Smiderle/Pesquisador da Embrapa Roraima
















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