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Sexta-feira, 06 de fevereiro de 2004 - 18h53m

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A cultura do gergelim para a agricultura familiar



A cultura do gergelim, conhecida na região Nordeste há muito tempo, sempre foi vista como exploração mais de subsistência, com áreas muito pequenas plantadas nas propriedades, e sobretudo como cultura ligada à produção de medicamentos, uso medicinal. Atualmente tem-se grande demanda por alimentos e o gergelim poderá ser uma importante fonte de produção de óleo de excelente qualidade e de proteína de elevado valor biológico, tanto para o homem quanto para os animais domésticos. Com este documento, procurou-se informar sobre o cultivo desta cultura para as condições de clima e solo no semi-árido nordestino.

CLIMA E PREPARO DE SOLO

O gergelim prefere clima quente, temperatura média do ar em torno de 270C, precipitações pluviais entre 400 a 900mm, e altitude superior a 250m e não suporta solos que encharcam, salinos nem sódicos.

O preparo de solo deve ser feito com arado, de preferência de aiveca, e depois gradeado com grade leve, que não seja aradora.

CULTIVARES

Recomenda-se o uso de cultivares resistentes à seca, de ciclo médio, 90 a 110 dias e de hábito de crescimento ramificado. As cultivares CNPA G3 e CNPA G4 estão situadas dentro desta categoria, além da última ser tolerante à mancha angular, principal doença que ocorre nesta cultura no Nordeste do Brasil.

ADUBAÇÃO E CALAGEM

Para o gergelim responder bem à adubação em condições de sequeiro, é necessário que haja chuvas bem distribuídas e o solo seja pobre nos principais elementos minerais, em especial N, P e K. Recomenda-se que se faça, sempre, a retirada de amostras do solo, além de suas análises para a verificação do nível de fertilidade do mesmo e as necessidades de adubação ou não. Quanto à calagem, somente deve ser feita quando o pH for muito ácido e o alumínio também, eventos raros nos solos do semi-árido brasileiro.

SEMEADURA

O plantio pode ser manual ou mecânico, via uso de plantadeiras, a tração humana ou animal. Deve-se colocar pouca semente para evitar que se faça de dois a três desbastes ou raleamento. A Embrapa Algodão aperfeiçoou uma plantadeira manual feita com uma lata de óleo e uma madeira, que pode ser usada pelos pequenos produtores. A quantidade de sementes deve ser entre 2,0 a 3,0kg/ha.

ESPAÇAMENTO E DENSIDADE DE PLANTIO

Para as condições do semi-árido e das cultivares recomendadas deve-se usar, em regime de sequeiro, populações entre 50.000 a 150.000 plantas/ha, com o espaçamento variando entre 0,6m a 1,0m e com cinco a dez plantas por metro de fileira. Em locais mais secos recomendam-se populações menores para se reduzir a competição por água entre as plantas.

SISTEMA DE CULTIVO

O gergelim pode ser cultivado em regime solteiro (isolado) ou em consórcio com outras culturas, como o algodão e a mamona. No caso do algodão e sendo esta a cultura principal, o gergelim deve ser semeado entre 7 e 14 dias depois da semeadura do algodão, tanto em fileiras duplas como simples, o algodão no espaçamento de 1,0m x 0,2m, enquanto o gergelim no meio das fileiras do algodão ou em fileiras duplas, 1,7m x 0,3m x 0,2m, com o gergelim ocupando o meio das fileiras, com duas fileiras espaçadas entre si de 0,6 m.

CONTROLE DE PLANTAS DANINHAS

Para o controle físico e mecânico, deve-se usar a cultivar a tração animal, bem superficial, cerca de 2,0cm de profundidade e retoque com a enxada dentro das linhas. O período crítico das plantas daninhas é nos primeiros 50 dias. Quanto ao controle químico, pode-se usar os produtos diuron e pendimethalin, isolados ou misturados em preemergência da cultura e das plantas daninhas, cuja dosagem dependerá do tipo de solo, da argila, clima e complexo florístico das plantas daninhas. Existem outros produtos que podem ser usados e o produtor deve procurar um técnico para se informar sobre eles, a calibração do pulverizador, os tipos de bico que devem ser usados e outras informações.

RALEAMENTO OU DESBASTE

Deve ser feito quando as plantas estiverem com 5 a 6 folhas e altura média de 15 cm, em solo úmido, deixando-se a densidade preestabelecida.

PRAGAS E SEU CONTROLE

Nas condições de clima e de solos do semi-árido, as pragas do gergelim são poucas destacando-se, como a principal, a lagarta enroladeira (Antigastra catalaunalis), que efetua a postura nas folhas novas cujas larvas se alimentam do limbo das folhas. Para o controle recomenda-se o uso de produtos à base de carbaryl, como Sevin 480 CS, 2,5l/ha ou o Carbaril 480 CS, na dosagem de 2,5l/ha, produtos comerciais. Pode-se usar também piretróides como o produto comercial Decis à base de deltametrina,. Tem-se outras pragas, como o pulgão e a cigarrinha, que são mais fáceis de controlar com uso de produtos à base de demetom metílico, tiometon ou piricarbe para a primeira e produtos sistêmicos para o segundo. Outra praga importante é a saúva, que se faz o controle logo após a emergência da plântulas, através de formicidas granulados ou em pó.

DOENÇAS E SEU CONTROLE

Nas condições do semi-árido quase não surgem problemas de doença na cultura do gergelim, ocorrendo a cercosporiose e a mancha angular, que é a principal, causada pelo fungo Cylindrosporium sesami, faz-se o controle com o uso de cultivares tolerantes, como é o caso da CNPA G4. Há outras doenças como a fusariose e a podridão negra do caule, que podem ser evitadas através de rotação de culturas e de um bom manejo da cultura.

ROTAÇÃO CULTURAL

Prática de suma importância para manter o solo produtivo e fértil. Recomenda-se, de dois em dois anos, não plantar o gergelim na mesma área mas usar uma outra cultura como o milho, o sorgo ou feijão ou, ainda, o algodão, desde que não tenha sido usado junto com o gergelim em consórcio. A mamona também é uma boa opção de rotação.

COLHEITA

Para a pequena produção a colheita deve ser feita manualmente e na época correta, quando a cultura entrar em maturidade plena, porém sem perder as sementes. As cultivares sugeridas são de frutos deiscentes e, assim, deve-se ter muito cuidado para não deixar passar o ponto da colheita. Deve-se verificar em várias plantas os frutos mais velhos, se eles estão já secos e abrindo e se as folhas mais velhas estão ficando amareladas. Na colheita manual as plantas devem ser cortadas na base e amarradas em feixes que devem ser colocados ao sol para a secagem, com os ápices das plantas para cima e, depois, deve-se bater em um terreiro limpo ou lona para soltar as sementes, que depois devem ser batidas, limpas e ensacadas. Na se faz a colheita quando estiver chovendo para não causar perda da qualidade das sementes, pois ficam úmidas, e com manchas pretas.

COMERCIALIZAÇÃO

Existe mercado interno e externo, devendo o produtor se organizar em associações para vender o produto em volume e com preço preestabelecido. No Brasil, várias são as firmas que lidam com o mercado de sementes de gergelim e que devem ser contactadas para se planejar o que pode ser plantado, sem o perigo de não vender o produto com preço justo e compensador.

EQUIPE DE PESQUISA

Napoleão Esberard de Macêdo Beltrão, Márcia Barreto de Medeiros Nóbrega, Tarcísio Marcos de Sousa Gondim, Liv Soares Severino, Waltemilton Vieira Cartaxo, Dalfran Gonçalves Vale e Gleibson Dionízio Cardoso.


Fonte: Embrapa Algodão
















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