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Domingo, 06 de junho de 2004 - 23h52m

Agricultura > Solo

O solo é de todos



* Por Derli Paulo Bonine

A extensão rural oficial, desde sua criação no Rio Grande do Sul, há mais de cinqüenta anos, sempre desenvolveu trabalhos relacionados a conservação do solo e da água. Práticas como o terraceamento em curvas de nível foram ensinadas aos agricultores e ainda hoje continuam a ser empregadas. A prioridade dada para este trabalho reflete a preocupação da Emater/RS-Ascar dos agricultores na conservação da maior riqueza material da propriedade, que é o seu solo.

A degradação do solo é resultado de sua utilização para a produção agrícola. Os problemas derivados deste processo de degradação atingem diretamente os agricultores pela redução do seu potencial produtivo. Mas, além dos agricultores, a degradação do solo atinge também toda a população, principalmente pelo efeito da erosão e a conseqüente contaminação dos recursos hídricos.

Nos municípios de abrangência do Escritório Regional da Emater/RS-Ascar de Estrela, que compreende os vales do Taquari, Pardo e Caí, os problemas de degradação do solo são de naturezas diversas, e as soluções buscadas e empregadas em conjunto com os agricultores levam em conta esta diversidade.

Existem situações onde o relevo é mais acidentado, como é o caso da região de transição do Vale para Serra, onde se situam os municípios de Progresso, Fontoura Xavier, Arvorezinha e Nova Bréscia, por exemplo. Nestes casos, as principais práticas utilizadas para o controle da erosão são a cobertura do solo com plantas recuperadoras, como a aveia e a ervilhaca, com posterior plantio direto ou cultivo mínimo. É realizada também a implantação de cordões em contorno vegetados, com a finalidade de reter as enxurradas.

Outra situação de degradação do solo são as áreas com cultivo de milho para silagem, principalmente nos municípios de Estrela, Teutônia e vizinhos. Nestes casos os agricultores cultivam duas safras de milho em um mesmo ano, esgotando a fertilidade do solo e causando sua compactação. A principal prática adotada pelos agricultores com a orientação da Emater/RS-Ascar é a descompactação através de implementos apropriados seguida da semeadura da aveia, bem como a rotação de culturas.

Um grave problema ocorre nos municípios onde os agricultores cultivam hortaliças, pois é intensa a mecanização, principalmente com o uso da enxada rotativa, que causa a compactação e desestruturação do solo. Estas práticas, aliadas a utilização de agrotóxicos, são potencialmente poluidoras dos rios e córregos, já que normalmente as áreas de cultivo de hortaliças se situam próximas aos cursos d’água. O cultivo de plantas recuperadoras ou de adubação verde e a redução do uso de agrotóxicos estão entre as práticas incentivadas pela Emater/RS-Ascar.

A degradação dos solos através da erosão é um problema que deve preocupar toda a sociedade, pois atinge a todos. A contaminação dos recursos hídricos afeta um recurso natural precioso. O solo carregado pela erosão pode levar junto consigo fertilizantes, agrotóxicos e dejetos de origem animal. Devemos ter em mente, que o solo, como qualquer outro recurso natural, não nos pertence. Não pertence nem aos agricultores. O solo, nós tomamos emprestado de nossos netos. E para eles devemos devolvê-lo em condições que permita a sobrevivência das gerações futuras.

* Engenheiro Agrônomo da Emater/RS-Ascar - Regional Estrela


Fonte: Emater/RS-Ascar - Regional Estrela
















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