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Quarta-feira, 07 de julho de 2004 - 09h53m

Agricultura > Arroz

O valor do arroz como alimento



* Por Priscila Zaczuk Bassinello

O arroz é considerado o vilão das boas dietas. Muitas pessoas acreditam que o grão não possui nutrientes e só faz encher a barriga. Por isso, o produto é um dos primeiros a ser cortado do cardápio de quem quer emagrecer. Apesar de bastante difundida, essa idéia, no entanto, não condiz com a realidade.

As recomendações para uma vida saudável incluem a adoção de uma alimentação equilibrada. Produtos de origem animal, como carnes, ovos, leite e seus derivados, devem ser ingeridos com moderação, ao passo que frutas e legumes podem ser consumidos em maior quantidade. Os cereais estão também inclusos neste último grupo, do qual faz parte o arroz.

O grão é rico em proteínas, sais minerais e vitaminas do complexo B. A título de exemplificação, a ingestão de 100 gramas de arroz cozido (quatro colheres de sopa) por crianças na faixa etária de 1 a 5 anos de idade é capaz de suprir as necessidades diárias de 14% em proteínas, 6% em cálcio, 3% em ferro e 10% em zinco.

Além disso, o cereal é uma excelente fonte energética de baixa caloria. Enquanto uma xícara de arroz (120 gramas) possui 270 quilocalorias, um sanduíche x-salada tem em média 490 quilocalorias e uma embalagem de macarrão instantâneo, 445 quilocalorias.

Portanto, o que geralmente engorda é o consumo de alimentos pouco nutritivos e altamente calóricos muitas vezes utilizados para substituir o arroz ou as refeições tradicionais.

É certo ainda que o arroz branco polido, costumeiramente ingerido pelo brasileiro, perde grande parte de seus nutrientes durante o processamento industrial, preservando carboidratos e proteínas.

A despeito disso, felizmente, esta não é a única forma possível de saborear o cereal. Vale lembrar que a combinação típica do arroz com feijão eleva a qualidade nutricional do produto.

Há também o grão integral que conserva todos os nutrientes do arroz e, quando bem feito, torna-se tão soltinho e gostoso quanto o produto convencional. Existe ainda o arroz parboilizado, cujos grãos passam por um tratamento hidrotérmico que ajuda a manter o valor nutritivo, assim como no caso do arroz integral.

E quem pensa que o produto só vai à mesa na forma de grãos se engana. Atualmente, o farelo do arroz, um subproduto da industrialização, é utilizado na elaboração de cereais matinais, bolachas e pães.

Existe até uma empresa em Santa Catarina que usa a massa alimentícia do arroz para produzir um tipo de macarrão consumido por descendentes de países asiáticos no Brasil. A vantagem deste produto sobre aquele feito a partir do trigo é justamente não conter glúten, o que permite sua apreciação por celíacos.

Um outro uso industrial é o amido de arroz acetilado, um espessante empregado para reduzir o teor de gordura de alguns biscoitos fritos. Isso porque a substância tem a propriedade de diminuir a absorção de óleo durante o preparo do alimento.

Um exemplo adicional é o de uma empresa de Los Angeles (EUA), que mistura a farinha do arroz aos populares chips. Com isso, a companhia conseguiu melhorar a textura do produto comercializado, tornando-o mais crocante e macio e não quebradiço e duro.

A classe médica, por sua vez, tem chamado a atenção para uma outra característica do arroz. Alguns profissionais apontam uma função terapêutica, a saber, o auxílio no combate à diabetes. Isso é atribuído ao modo lento e gradual em que o cereal é absorvido pelo organismo, apresentando baixo índice glicêmico.

Todos esses assuntos estão sendo bastante debatidos, principalmente, devido ao fato de 2004 ter sido declarado como Ano Internacional do Arroz pela Organização das Nações Unidas para Alimentação e Agricultura (FAO).

Inclusive, o farelo de arroz, desde que se procedam ajustes em sua conservação, poderia virar ingrediente da farinha multimistura, uma opção barata e eficaz para reverter a desnutrição de crianças atendidas pela Pastoral da Criança no Brasil.

Enfim, nada depõe contra o arroz para lhe conferir a má fama. A percepção errônea disseminada por várias pessoas não se sustenta sob argumentos e tem sua origem em algo infelizmente bastante comum: mero preconceito.

* Pesquisadora da Embrapa Arroz e Feijão


Fonte: Embrapa Arroz e Feijão
















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