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Quinta-feira, 05 de agosto de 2004 - 11h28m

Agricultura > Trigo

Momento de observar o oídio em trigo



Por Leila Maria Costamilan

O oídio, causado por Blumeria graminis f. sp. tritici, é uma das primeiras doenças foliares a aparecer no trigo durante a safra, sendo de fácil identificação, pois desenvolve uma espécie de pó branco sobre folhas e colmos. Ocorre em todas regiões tritícolas do mundo, especialmente aquelas localizadas sob clima temperado. No Brasil, pode ser encontrada na Região Sul e em lavouras sob sistema irrigado nas Regiões Centro-Oeste e Sudeste.

Em Passo Fundo, RS, há registros de danos entre 10% e 62% no rendimento de grãos, porém, na média de anos normais de ocorrência da doença, os danos alcançam de 5% a 8%. Os principais componentes de rendimento afetados são o número de espigas por área (quando a doença ocorre em estádios iniciais de desenvolvimento de plantas) e o número de grãos por espiga e o tamanho de grãos, em fases mais tardias.

Acredita-se que o inóculo primário do oídio mantenha-se, na entressafra, sobre plantas voluntárias de trigo, sendo disseminado pelo vento. O ciclo da doença é bastante rápido, pois a germinação, a infecção e a produção de novos esporos são completadas entre 5 e 25 dias.

Os métodos mais eficientes para controle de oídio em trigo são o uso de cultivares com resistência genética e a aplicação de fungicidas, em tratamento de sementes ou na folhagem.
A busca de cultivares comerciais de trigo com resistência genética é constante nos programas de melhoramento da Embrapa Trigo. Anualmente, são realizados testes de avaliação da reação de plântulas e de plantas adultas, sob condições de inoculação naturais e artificiais. Há disponíveis, no mercado, várias cultivares lançadas pela Embrapa Trigo com bom nível de resistência a oídio, como BRS 194, BRS Figueira, BRS Camboatá, BRS Guatambu, BRS Tarumã e Embrapa 52. Como o fungo desenvolve raças, tornando-o capaz de infectar cultivares consideradas resistentes em anos anteriores, são também realizadas, nessa Instituição, avaliações de efetividade de genes de resistência de trigo, através da análise de várias populações de oídio coletadas em diferentes estados do Brasil.

O controle químico de oídio de trigo em cultivares suscetíveis é mais econômico via tratamento de sementes do que por meio de aplicação de fungicidas nos órgãos aéreos, além de conferir proteção por 30 a 45 dias após a emergência. O monitoramento do desenvolvimento da doença deve iniciar a partir do afilhamento. A pulverização de fungicida deverá ser realizada quando a incidência foliar for de 20% a 25%, a partir do estádio de elongamento, ou através do cálculo do limite de dano econômico, conforme apresentado no Boletim “Indicações Técnicas da Comissão Sul-Brasileira de Pesquisa de Trigo - 2004”.

A rotação de culturas não é efetiva para controle de oídio, já que o patógeno encontra-se presente em qualquer período do ano. Deve-se evitar adubação em excesso com Nitrogênio, que torna as plantas mais suscetíveis. Semeaduras mais precoces podem diminuir os danos da doença, pois as plântulas ficam expostas a menores quantidades de inóculo justamente em estádio de desenvolvimento mais suscetível à doença.

* Pesquisadora da Embrapa Trigo


Fonte: Embrapa Trigo
















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