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Domingo, 08 de agosto de 2004 - 11h27m

Agricultura > Trigo

A Embrapa e a qualidade tecnológica do trigo brasileiro



Por Eliana Maria Guarienti *

Segundo o Levantamento de abril/2004, realizado pela CONAB, a expectativa de produção desta safra de trigo, no Brasil, é de 5.898.600 toneladas, que serão insuficientes para abastecer a demanda de mercado, projetada para 10.111.000 toneladas. A necessidade de importação, neste contexto, é obvia.
A expectativa de produção poderá ser um pouco maior, motivada, principalmente, pelo resultado positivo da safra de trigo do ano passado e pela frustração na colheita das culturas de verão.

Em se tratando de consumo, de acordo com informações da Associação Brasileira das Indústrias de Trigo - ABITRIGO, 70% da farinha de trigo consumida no Brasil, é destinada à fabricação de pães (55%) e massas (15%) e ultrapassa, em equivalente quantidade de trigo, a expectativa de produção deste ano.

Juntos, o Paraná e o Rio Grande do Sul, produzem 90% do trigo brasileiro. Tendo como base a disponibilidade de semente para o plantio da safra de 2004, o Paraná dispõe de 87% de sementes de cultivares de trigo classificadas comercialmente como Pão ou Melhorador, e, no Rio Grande do Sul, aproximadamente 41% das sementes disponíveis são da Classe Pão, ou seja, àquelas variedades que, em tese, melhor se adaptariam para a produção de pães, massas e outros produtos que exigem maior força de glúten.

Após estas considerações iniciais, parece claro existir a necessidade de melhorias no agronegócio Trigo, a começar pelo aumento da produção nacional. A Embrapa Trigo, nestes quase trinta anos de existência, tem se dedicado ao desenvolvimento de tecnologias que aumentam a produtividade do trigo, seja pela melhor adaptação das cultivares às condições ambientes, seja pela seleção de materiais com melhor tolerância às pragas e doenças, bem como, através do uso de práticas agrícolas que buscam otimizar a produção de grãos. Com estas constantes preocupações, até o presente momento, foram recomendadas 67 cultivares de trigo.

Desde 1990, outra grande oportunidade se abriu para a pesquisa de trigo no Brasil - a demanda por qualidade tecnológica.

Todos os segmentos do agronegócio Trigo, depois da porteira, alavancados pelos segmentos moageiro e de panificação, requeriam cultivares com aptidão tecnológica definida: trigos com qualidade específica para serem usados em panificação, trigos com qualidade específica para serem usados na fabricação de bolachas e biscoitos, trigos para uso doméstico etc.
Para o atendimento deste grau de especificidade, a Embrapa tem realizado cruzamentos e selecionado cultivares que se aproximam, ao máximo, das características solicitadas pelos diversos segmentos de mercado.

O avanço na pesquisa em qualidade tecnológica, nestes quatorze anos, foi muito grande. E, a partir deste ano, será dado um passo muito maior nessa área, pois, estão sendo adquiridos equipamentos para determinação de cor de farinha e de dureza de grãos, os quais são de fundamental importância para o aperfeiçoamento de uma das grandes demandas dos segmentos armazenador e moageiro - a segregação de trigo.

A segregação de trigo por qualidade, consiste na separação, nas unidades armazenadoras, de lotes comerciais que apresentam características comuns. Como por exemplo, já vem sendo praticada por várias empresas, a separação de lotes de cultivares de trigo classificadas comercialmente como Brando, Pão e Melhorador.

Atualmente o mercado sinaliza para o refinamento de características de qualidade, como a cor da farinha e a dureza de grãos. Estas informações podem representar um diferencial a mais no trigo gaúcho.

Em se tratando de especialização de trigo, outro trabalho iniciado recentemente, na Embrapa Trigo, consiste na obtenção de cultivares com características específicas para o mercado de bolachas e biscoitos. Novas técnicas de laboratório, implantadas a cerca de um mês, com o apoio de pesquisadores da University of Idaho e da Kraft Foods – Latin America, auxiliarão a equipe de melhoramento genético na identificação dos materiais promissores para este segmento de mercado.

Associados a estes trabalhos já em andamento, a Embrapa Trigo está adquirindo, via FINEP – Financiadora de Estudos e Projetos, equipamentos de última geração para o desenvolvimento de trabalhos de pesquisa em biotecnologia associada à qualidade tecnológica de trigo.

A aplicação destes modestos recursos financeiros, na pesquisa realizada pela Embrapa, repercutirá, com certeza, no agronegócio Trigo, fazendo com que, este produto, seja mais competitivo no mercado nacional e internacional, tanto em termos quantitativos, quanto qualitativo. O tempo já mostrou e, em breve, mostrará o resultado dos novos trabalhos.

* Pesquisadora da Embrapa Trigo, Passo Fundo/RS


Fonte: Embrapa Trigo
















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