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Domingo, 08 de agosto de 2004 - 07h55m

Agroindústria > Arroz

Mais uma medalha de ouro: arroz parboilizado



Por Gilberto Wageck Amato *

No silêncio dos laboratórios e longe dos holofotes, os pesquisadores brasileiros têm alcançado importantes e permanentes avanços na qualidade e produtividade do arroz. Não é por acaso que o País retoma a posição de exportador. É o resultado de uma parceria público-privada calcada no empreendorismo do setor produtivo nacional em associação com entidades como IRGA, EMBRAPA, EPAGRI e as nossas universidades. A conseqüência principal é a de país medalhista, como o primeiro não-asiático na produção e consumo de arroz. E com qualidade e custo competitivos.

Tal como nos esportes, os brasileiros demonstram, no cotidiano, verdadeira vocação para as ações coletivas. É o caso do arroz parboilizado, onde ninguém excede o Brasil em qualidade, resultado de um trabalho conjunto entre UFPel, CIENTEC, IRGA , UFSM e EMBRAPA. Este grupamento tem sido consagrado por técnicos da FAO como o de maior densidade e eficácia no desenvolvimento de conhecimento e processos na área de parboilização. Seguramente, é uma das causas para o produto ter crescido, em duas décadas, de 4 para 25% no País (em relação ao consumo total de arroz) atingindo o mesmo patamar do mercado mundial. A UFPel, em particular, nos seus 120 anos de tradição, tem importante parceria com a Associação Brasileira das Indústrias do Arroz Parboilizado, como auditora técnica do top de qualidade no País: o Selo de Qualidade ABIAP.

No recente Congresso Brasileiro e Latino-Americano de Economia Orizícola, o representante da FAO no Brasil, o peruano José Tubino, transmitiu a um milhar de participantes de toda a cadeira do arroz a recomendação para buscar a utilização do farelo, que representa, seguramente a fração mais nobre do grão, perfazendo 10% de sua massa. Pois, novamente a parboilização traz a resposta, pois ao submeter o grão ainda em casca ao processo hidrotérmico (usa somente água e calor), incorpora 40% do farelo que iria ser destinado à alimentação animal ou, muitas vezes, deteriorar-se por ranço. E mais ainda: o processo fixa a parte mais nobre do grão, o gérmen, esta verdadeira usina de energia, vitaminas e minerais.

A parboilização recupera grãos que iriam tornar-se quebrados no beneficiamento comum, e o produto final é de grande qualidade nutricional – rico em vitaminas, sais minerais e fibras –, sem o problema do ranço a que é suscetível o arroz integral comum.

O citado Congresso trouxe à tona um novo salto em vantagens nutricionais do arroz parboilizado: a formação de amido resistente; é a novidade positiva. Trata-se de uma fração do amido que, devido a complexas interações no tratamento hidrotérmico, através de rearranjos estruturais, passa a comportar-se como as desejáveis fibras. Estas, consagradas por suas características funcionais, são capazes de influenciar positivamente na prevenção de doenças cardio-vasculares e degenerativas.

Assim, o parboilizado é um produto de boa palatabilidade e de significativo aproveitamento pelo organismo humano (biodisponibilidade). E também, devido a amido resistente, entrar como importante substituto do arroz comum na onda internacional do low carb, da redução dos carboidratos.

É o Brasil ganhando ouro com o parboilizado

Podium para a pesquisa!

Ouro para o agro-negócio!

Vitória para a saúde!

* Eng. Quím., Magister Scientiae em Tecnologia de Alimentos, Professor-Colaborador da UFPel.


Fonte: Página Rural
















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