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Domingo, 05 de setembro de 2004 - 06h42m

Animais > Bovinos

A contribuição das sintética/compostos na pecuária de corte



Por Joal Brazzale Leal *

O Brasil é hoje o líder mundial de exportações de carne e avança para quase dois bilhões de dólares em vendas externas. Este número somado ao mercado interno, com consumo estimado em 35 quilos por habitante mostra a importância da pecuária de corte na economia do país.

As raças zebuínas e suas cruzas dominam este panorama basicamente em função do clima tropical. O sul do Paraná, Santa Catarina e Rio Grande do Sul, com clima temperado/subtropical, abriga as raças européias. O desenvolvimento das raças sintéticas, nos últimos 30 anos, passou a competir com as tradicionais hereford, angus, charolês, devon. Análise do perfil genético do gado gaúcho mostra hoje o uso intensivo de cruzamentos com zebuínos, cerca de 50%, mas de forma não sistematizada. Este fato ocasiona queda no vigor híbrido e a falta de padrão é alta.

Padrão deficiente é hoje grande queixa da indústria frigorífica. O mosaico genético dos rodeios gaúchos necessita de programas com touros testados no seu mérito reprodutivo e genético, que melhoram o nível de produção e padrão das carcaças nos frigoríficos.
Com base em dados científicos temos defendido a utilização das "sintéticas/compostos" como alternativa viável nos atuais sistemas de produção. Brangus, braford, canchin e montana desenvolvido no estado venderam em 2003 mais de 200 mil doses de sêmen, o que mostra o avanço destes biotipos.

Nos últimos dez anos, o conceito de animais "compostos" busca se afirmar como algo mais consistente, pois retém mais heterose que aqueles oriundos de cruzamentos e raças sintéticas. Ao partir do princípio de que a heterose é importante em determinadas características econômicas, tais como reprodução, habilidade materna, sobrevivência do terneiro, longevidade da vaca e taxa de crescimento, compreende-se por que os cruzamentos hoje são a base da produção de carne no mundo.

A complementariedade das raças deve ser explorada no sentido de melhores respostas biológicas. O exemplo mais clássico de complementariedade é o do "touro grande" versus "vaca pequena", em que o macho produz ganhos de crescimento e a fêmea requer menos alimento para sua manutenção e produz animal de forma mais econômica. Nos rebanhos comerciais, este produto estaria próximo do ótimo. Muitos exemplos poderiam ser citados, todavia o touro grande versus vaca pequena é o mais comum.

Os compostos, foram basicamente desenvolvidos no Roman L. Hruska U.S. Meat Animal Research Center, com as siglas de Marc I, II, e III. Segundo, J. S. Brinks da Colorado State University, os principais passos para formar os "compostos" seriam:

- decidir o número de raças envolvidas no processo e que características escolher para produzir tipo biológico desejado. Sempre lembrar que o animal deve se adaptar à condição climática em que vai viver;

-decidir o percentual de cada raça para produzir o tipo biológico desejado;

- desenhar os esquemas de acasalamento para em um período curto de tempo obter a percentagem desejada. Touros cruzados são requeridos;

- armazenar dados dos animais para calcular as diferenças esperadas nas progênies (DEPs), que orientam futuras decisões no processo de seleção e prover informações aos compradores. As grandes populações, geralmente têm seu rebanho de elite, na Região Sul chamados de plantéis, de onde saem os touros para os rebanhos comerciais.

Para finalizar, insistimos que os compostos podem servir para "desazebuar" rodeios com grau elevado de zebu e manter heterose alta. Desta maneira, entendemos que os compostos podem seguir contribuindo para elevar a produção e a qualidade nos rodeios.

* Pesquisador do Centro de Pesquisa Embrapa Pecuária Sul


Fonte: Diário Popular
















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