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Quarta-feira, 08 de setembro de 2004 - 04h09m

Agricultura > Frutas

Comercialização e marketing do pêssego em calda



Por João Carlos Medeiros Madail *

O sucesso de qualquer atividade econômica depende do seu desempenho no mercado. Quando se trata do segmento agrícola e mais especificamente da fruticultura, com vida útil, após implantada, ao redor de 15 anos, exposta a riscos naturais (granizos, geadas, vendavais ou secas prolongadas), é imperiosa a necessidade de retornos econômicos capazes de, no mínimo, remunerar os fatores de produção utilizados.

No caso do pêssego destinado ao processamento industrial, mais de 90% está concentrado na região de Pelotas. Ao longo dos anos tem havido um deslocamento das margens de participação nos preços finais da produção do campo para o setor pós-porteira, ou seja, para a indústria e comerciantes finais.

Num mercado de livre concorrência onde o preço se forma a partir da lei da oferta e da procura, em se tratando de produto perecível como o pêssego a desvantagem sempre será do ofertante que possui pouco poder de barganha para estender a negociação. O termômetro histórico na definição do preço estabelece uma barreira de produção ao redor de 30 a 35 mil toneladas. Acima disso o preço deve baixar porque o consumo nacional de compotas é de tão somente ¼ de lata por habitante no ano.

Parece que a maioria dos produtores rurais e industriais do pêssego não se deram conta dos anseios da classe consumidora e das tendências da comercialização. Mudanças estão ocorrendo onde o enfoque comercial mudou para poder dar sustentação econômica ao negócio agrícola. Para isso é necessário que se reconheça a demanda, que seja estimulada pela promoção e venda e se atinja a satisfação. Se antes o foco da comercialização era o produto, hoje é o consumidor. Os meios para se atingir o consumidor são as técnicas de venda (marketing) e o objetivo que antes era o de influenciar os consumidores, hoje é o de servir e/ou encantar estes consumidores com um produto desejado por ele.

Pêssegos em compota não têm contra-indicação, pelo contrário são consumidos duas vezes, pelos olhos e pela boca. Tanto que o consumo médio per capita dos europeus e americanos é de 20 kg/hab/ano. Na Grécia o consumo é de 25 kg/hab/ano, na Argentina 12 e no Uruguai 4 e cresce na medida que aumenta a população. No Brasil, por volta de 75% da população não consome pêssegos em calda. Talvez por não consiguir vê-los, no interior de uma lata um tanto ultrapassada, difícil de ser aberta e nada atrativa. O preço de uma compota no mercado, se comparado a alternativas similares, é um dos mais baixos, visto que uma lata, em geral, é suficiente para uma família de até cinco componentes.

Cabe ressaltar que num mercado de competição perfeita onde interagem um grande número de compradores e vendedores de produtos com certa similaridade e, por conseguinte, não se tem controle dos preços, faz-se necessário atuar-se com competência, utilizando-se das ferramentas modernas de apelo ao consumo, valorizando o produto e todos os elos da cadeia que a compõem. A criação, em Pelotas, da Cadeia Agroindustrial de Frutas e Hortaliças, CAFH foi um grande passo para alcançar este objetivo. Portanto, cabe-nos valorizá-la como fonte indutora do fortalecimento de um dos nossos principais produtos, símbolo da cidade dos doces.

* Pesquisador da Embrapa Clima Temperado - Pelotas, RS


Fonte: Ana Luiza B. Viegas
















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