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Domingo, 09 de janeiro de 2005 - 14h47m

Animais > Ovinos

Ovinocultura: desafio e oportunidades para 2005



Adayr Coimbra Filho*

A ovinocultura, uma das mais tradicionais riquezas da pecuária do Rio Grande do Sul, sempre desempenhou importante função socioeconômica para a Metade Sul do Estado. Quer produzindo lã para exportação e geração de divisas; oportunizando empregos e renda para assegurar a permanência do homem no campo e produzindo carne, quer fornecendo alimento básico das pequenas e das grandes propriedade da região.



Adayr Coimbra Filho
Foto: Teca Gasparotto


A lã, exportada em estado bruto e em diversos produtos manufaturados (tops, fios e tecidos) abastecia importantes indústrias de tecidos da Inglaterra, Alemanha e Itália, gerando mais de US$ 80 milhões por ano, quando a produção da fibra atingia 35 milhões de quilos.

Mais recentemente, com a retração do consumo mundial de lãs, ocasionada pela grande expansão das fibras sintéticas, formaram-se grandes excedentes da fibra ocasionando queda dos preços e drástica redução do efetivo ovino mundial. Como reflexo, o rebanho gaúcho, que no seu auge ultrapassava a 13 milhões de cabeças, foi reduzido para menos de 4,0 milhões de cabeças, enquanto a produção de lã despencou para menos de 12 milhões de quilos.
Hoje, com a duplicação dos preços, tanto da lã como da carne ovina, a ovinocultura ressurge como uma das mais promissoras atividades da agropecuária. É um dos poucos negócios que conseguem aliar rentabilidade, com baixo risco e elevada liquidez, mesmo no curto prazo.

Essas virtudes, aliadas às características de pequeno porte e docilidade dos ovinos, o que facilita o manejo dos animais entre as árvores, credenciam a ovinocultura como alternativa para integração com cultivos vegetais, em regime de consorciação silvopastoril, com o propósito de tornar os sistemas de produção mais diversificados, dinâmicos e com maiores possibilidades de se tornarem sustentáveis ao longo do tempo. Nesse contexto, a integração da ovinocultura, atividade tradicional da Metade Sul, com as novas culturas que estão se instalando na região, em particular a fruticultura e o florestamento (segmentos que contam com elevadas somas de recursos nos próximos anos), seria vantajosa sob vários aspectos.

Os inconvenientes da elevada imobilização, do prazo de retorno do capital e da inexistência de renda durante o período de maturação dos cultivos vegetais (típicos de atividades como a fruticultura e o florestamento) seriam compensados pelo curto ciclo de produção da ovinocultura, pela pequena inversão de capital e pelo seu rápido retorno, que possibilita a geração de renda para o suporte financeiro dos primeiros anos de implantação dos cultivos vegetais.

A integração animal/vegetal seria, também, uma estratégia para intensificar e racionalizar o uso da terra (diminuindo a ociosidade dos espaços entre árvores), com os propósitos de agregar valor e de gerar renda adicional ao sistema. Além de contribuir para a expansão mais equilibrada da fruticultura e do florestamento, diminuindo seus impactos ambientas de médio e longo prazos, a integração da criação ovina com esses dois segmentos se constituiria em grande oportunidade para a reestruturação da cadeia produtiva regional da ovinocultura.

Mais do que um desafio, a conquista desse espaço é de fundamental importância para o futuro da criação de ovinos na Metade Sul do Estado. Uma grande oportunidade não pode ser desperdiçada.

* Engenheiro Agrônomo da ASCAR-EMATER/RS


Fonte: Teca Gasparotto
















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