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Terça-feira, 06 de maio de 2014 - 09h55m

Neri Geller

Ministro da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa)

Imagens

Neri Geller

Foto: Divulgação / Mapa



Articulação forte e habilidade para sensibilizar os ministérios da Fazenda, Planejamento e a própria presidente Dilma Rousseff a implementar programas para o campo foram mais que necessários para o novo ministro Neri Geller (PMDB), 45 anos, ganhar um lugar ao sol no Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (Mapa). Ainda que uma forte estiagem abateu-se sobre as lavouras, além das dificuldades no escoamento da produção não estivessem nos planos, o conhecimento do campo prevaleceu na tomada de medidas efetivas por parte do peemedebista, chancelado por seu perfil técnico e avalizado pela indicação política de partidos da base aliada. Quando a pauta passava pelo agronegócio, não havia pergunta sem resposta para o gaúcho de Selbach, mas com base em Lucas do Rio Verde (MT) desde 1984.

O vasto conhecimento e vivência junto à terra como produtor rural, no plantio à comercialização, deixam Geller muito à vontade para sustentar suas convicções, seja no Congresso Nacional ou pela Esplanada dos Ministérios, em Brasília. Ao desatar nós e impasses políticos, desobstruiu engrenagens que emperravam que o recurso chega-se ao campo, reforçando ações de defesa, armazenagem, seguro e custeio.

Não faz muito tempo, Geller ainda como secretário de Política Agrícola do Mapa em 2013 já externava sua preocupação com uma política de crédito justa e eficiente que contemplasse o homem do campo. Passados dois ministros (Mendes Ribeiro Filho e Antônio Andrade), o então agricultor, empresário – e também parlamentar – se credenciou a assumir desafios para garantir uma comercialização dos produtos que estavam abaixo do preço mínimo, no caso da uva no Sul do país, da laranja no Sudoeste e do milho no Centro-Oeste. Os resultados logo apareceram.

Nesta entrevista ao portal Página Rural, em seu gabinete na Capital Federal, o ministro Geller fala sobre sua trajetória, perspectivas e metas em abrir novos mercados e priorizar questões como sustentação de preço mínimo, estoque regulador, entre outros temas.

Página Rural Como o senhor iniciou a vida de produtor rural? De forma resumida, conte como foi a sua história no Estado do Mato Grosso até os dias de hoje? Aonde e o que produz?
Neri Geller – Sou natural do município de Selbach (RS), mas foi em Lucas do Rio Verde (MT) que construí a minha carreira profissional e política. A localidade ainda era um assentamento rural quando cheguei, em 1984, aos 15 anos, para trabalhar. Lá dirigi trator, caminhão, fui frentista e gerente de posto de gasolina. Tive uma longa trajetória até me tornar um produtor rural. Atualmente, planto e comercializo grãos, como soja e milho, em minha propriedade no Mato Grosso. Também tenho uma empresa no setor de combustíveis. Fui vice-presidente da Associação dos Produtores de Soja e Milho de Mato Grosso (Aprosoja), além de deputado federal em 2007 e 2011. Exerci, ainda, mandato de vereador em Lucas do Rio Verde (1996 e reeleito em 2000). Antes de assumir a pasta da Agricultura, estive à frente da Secretaria de Política Agrícola do Mapa desde janeiro do ano passado.

PR – Todas as atenções do segmento rural se voltam para o Plano Agrícola e Pecuário 2014-2015? Quais as novidades para este ano? Os recursos alocados serão maiores e com juros mais acessíveis?
Geller – Estamos na reta final da construção do plano e temos aproximadamente mais 30 dias para terminar o processo. Estamos em um momento de consolidação da agricultura, buscando uma agricultura mais sustentável. Sem dúvida nenhuma esse Plano Agrícola e Pecuário vai ser firmado, trazendo grandes avanços, não só do ponto de vista de crédito e financiamentos, mas também de novos projetos especiais. Hoje existem dois fatores que indicam que precisamos aumentar os recursos de financiamento. O aumento no custo da produção na ordem de 10% até 15%. Com isso automaticamente significa que o produtor vai precisar de maior caixa. Outro fator é que provavelmente vamos ter um aumento da área plantada. Esses dois fatores juntos jogam uma demanda maior para mais recursos.





PR – Novamente o setor se depara com o problema crônico de escoamento da safra em decorrência da estiagem? Sobretudo para a soja no Rio Grande do Sul, por exemplo. O que o Mapa pretende fazer para minimizar o problema?

Geller – O governo federal criou um grupo interministerial de trabalho formado por representantes das pastas da Agricultura, dos Transportes e da Secretaria de Portos para acompanhar o escoamento da safra, discutindo e oferecendo soluções aos entraves ocorridos nos últimos anos. Por parte do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento, há um departamento específico para tratar do assunto, que está articulado diretamente com os órgãos responsáveis pela formulação e execução das políticas públicas de transportes e portuárias. Pelas medidas adotadas pelo grupo de trabalho, os problemas diminuíram consideravelmente.

PR – Qual experiência como secretário de Política Agrícola do Mapa você traz para aplicar entre suas ações como ministro?
Geller – Como agricultor vindo do maior estado produtor e exportador da agropecuária brasileira, conheço a importância da política agrícola. Como secretário da pasta, pude atuar na implementação das políticas de crédito rural e apoio a comercialização da agropecuária no país. A montagem e o apoio ao Plano Safra, as operações de garantia de preços mínimos e a concessão do prêmio do seguro rural são fundamentais para o desenvolvimento da atividade rural no país. Dessa forma, a experiência como secretário me conferiu uma grande familiaridade no manejo dos principais instrumentos de apoio ao agricultor.

PR – Sua proximidade com a presidente Dilma revigorou as esperanças do homem do campo para as políticas mais efetivas do Governo. O produtor pode apostar em políticas consistentes para a produção agrícola do pequeno e médio produtor?

Geller – Sim, já no ano passado, como secretário de Política Agrícola, participamos ativamente na implementação do Plano Safra que disponibilizou R$ 136 bilhões para o produtor. A presidente Dilma colocou em público que a agricultura teria os recursos que fossem necessários para o seu desenvolvimento no país. Especificamente para os pequenos produtores, o governo federal vem implementando a mais de uma década o Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf), que na verdade é operacionalizado pelo Ministério do Desenvolvimento Agrário, mas teve início no Ministério da Agricultura. Os recursos deste programa têm sido suficientes para suprir a demanda dos pequenos agricultores.

Para o médio produtor foi implementado o Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp), que temos atendido de forma acentuada. No Pronamp tivemos um implemento significativo de R$ 13,2 bilhões, um aumento de 18,4% em relação ao anterior. Os programas inseridos no Plano Safra também têm ajudado o produtor. Como programas de compra de máquinas, de modernização da infraestrutura, de programa de armazenagem, sendo todos acessíveis ao médio produtor rural. Em resumo, o governo federal tem atendido cada vez mais de forma consistente as demandas do pequeno e médio produtor rural.

PR – Como gaúcho de Selbach e com vivência no Mato Grosso, as regiões Centro-Oeste e Sul receberam algum auxílio estratégico especial em decorrência do aumento da produção agrícola?
Geller – As regiões Centro-Oeste e Sul são as principais produtoras de grãos no país e sem dúvida nenhuma vêm recebendo apoio do governo federal, mas não só elas. Todo o Plano Safra e as atenções do Ministério da Agricultura são para o país como um todo. Evidentemente, por serem maiores produtoras, elas naturalmente recebem mais recursos.

O que o governo tem tentado implementar de forma sustentada para o setor, além dos planos agrícolas, é uma tentativa na melhoria do escoamento da safra, porém no Centro-Oeste onde os produtores escoam boa parte da safra pelo portos do Sudeste do país, como Paranaguá e Santos, a melhoria da infraestrutura e da operação dos portos se faz muito importante. Isto o governo como um todo já vem fazendo, mas para o escoamento da safra da região Centro-Oeste o que o país precisa são as saídas para o norte como a BR-163, a hidrovia do Rio Madeira, o Porto de Miritituba no Pará. Tudo isso são ações do governo federal de médio e longo prazo que, com certeza, vão fortalecer a renda do produtor do Centro-Oeste do país.

PR – O Plano ABC, bastante prestigiado pelo setor agrícola, apresentou resultados convincentes para recuperação de pastagens, plantio direto ou Integração Lavoura-Pecuária-Floresta?

Geller – Os resultados convincentes do Plano ABC podem ser indicados, em parte, pelo desempenho da linha de crédito do Programa ABC, que vem apresentando crescimento significativo e constante ao longo dos últimos anos. Um exemplo pode ser a comparação do período de 2010/2011 com o de 2013/2014 (considerando dados até fevereiro de 2014) do qual o valor total dos projetos financiados saltou de R$ 418,5 milhões para R$ 1,5 bilhão. Ainda sob esta ótica, considerando os últimos quatro anos safra, o valor total empregado em projetos no Programa ABC foi de aproximadamente R$ 6,4 bilhões. Nestes dados estão incluídos projetos com iLPF (Integração Lavoura-Pecuária-Floresta), plantio direto e recuperação de pastagens, sendo, portanto, um indicativo de aumento da adoção destas tecnologias em todo território nacional.

Outros indicadores de resultados positivos do Plano ABC são o número de pessoas capacitadas, cerca de 20 mil, entre técnicos, agentes bancários e produtores rurais, bem como a conclusão da constituição dos grupos gestores estaduais do plano nos 26 estados e no Distrito Federal (DF), com 12 planos ABC estaduais elaborados, nos quais estão contempladas as ações e metas de cada estado. Ressalta-se que o Plano ABC tem um horizonte temporal até 2020, período no qual espera-se, como resultado dos esforços de implementação, uma ampliação ainda maior das diversas ações componentes do plano, dentre as quais pode-se citar o aumento da área de adoção das tecnologias preconizadas. Desse modo, o Brasil não somente cumprirá com seus compromissos de mitigação de gases de efeito estufa, como também terá proporcionado a consolidação de um modelo de agricultura mais sustentável.

PR – Ainda que em 2013 a agricultura alavancou o Produto Interno Bruto (PIB) brasileiro, outros indicadores revelam a estagnação da economia brasileira e até o rebaixamento. A agricultura este ano poderá repetir os indicadores do ano passado?
Geller – Sem dúvida nenhuma o agronegócio no país tem sido um setor de forte apoio à economia como um todo. A agropecuária da porteira pra dentro teve um crescimento de 7,2 % no PIB, um pouco mais que três vezes o crescimento do PIB como um todo, logo o setor tem dado suporte a economia do país. Acreditamos que isso continue acontecendo nos próximos anos, pois a demanda internacional, as necessidades de infraestrutura no país, vão dar mais consistência para o crescimento da economia como um todo.

PR – Um assunto um tanto controverso, como é estabelecer o preço do álcool, não reforçaria o papel do Mapa ou mesmo readequaria a produção do setor sucroalcooleiro?
Geller – Os preços dos produtos sucroalcooleiros são livres entre produtor e distribuidora, depende de oferta e procura, como acontece, por exemplo, com a soja e o milho. Na economia liberalizada em que vivemos, não é possível que o ministério imponha preços.

PR – Considerações finais sobre os projetos a serem implantados até o final do ano?
Geller – Pretendo deixar encaminhadas importantes ações do ministério em favor da produção agropecuária. Entre elas, desburocratizar o processo da análise de agrotóxicos do governo federal, reforçar o trabalho da defesa agropecuária nacional e aproximar ainda mais o setor privado do governo federal para que possamos dar andamento mais eficientes às demandas do campo e da agroindústria.

Fonte: Página Rural








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