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Sexta-feira, 08 de setembro de 2017 - 18h09m

Luiz Vicente Suzin

Presidente da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc)

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Luiz Vicente Suzin, presidente da Ocesc

Foto: Divulgação / Ocesc



Com 64 anos de idade, natural de Videira, município catarinense localizado no Vale do Rio do Peixe, Luiz Vicente Suzin está vinculado ao cooperativismo há 40 anos. É casado com Iria Salete Perazzoli Suzin com quem tem dois filhos. Em 1989 assumiu a presidência da Cooperativa Agropecuária Videirense (Coopervil) onde permanece até hoje. Também fundou e preside a Cooperativa de Crédito de Livre Admissão de Associados do Vale do Vinho – Sicoob Videira. É membro do Conselho de Administração da Cooperativa Central Aurora Alimentos. Presidiu a Federação das Cooperativas Agropecuárias de SC (Fecoagro) por nove anos, a qual deixou para assumir o comando da Organização das Cooperativas do Estado de Santa Catarina (Ocesc).


Página Rural - Como foi sua infância no meio rural? Como surgiu o interesse pelo cooperativismo?
Luiz Vicente Suzin - Minha infância no meio rural foi junto com minha família, sou o mais novo de 6 irmãos, trabalhávamos com várias atividades, mas a principal sempre foi a fruticultura. O interesse pelo cooperativismo já vem de família; meu pai era associado à Associação Rural qual foi extinta, e criada a Coopervil. Ele tornou-se associado da Coopervil. Eu já comecei a acompanhar ele nessa época, meu pai era cooperativista e eu herdei isso dele.<


PR- - De que forma o senhor se tornou um cooperativado? Quais fatos marcaram sua vida de cooperativista neste período?
Suzin - Acredito que já nascemos cooperativistas, acompanhando e admirando meu pai, isso veio crescendo. Assumi a quota do meu pai na Coopervil me tornando associado. Fui líder de comunidade por vários anos, depois fui convidado a suplente do conselho fiscal, em seguida conselheiro fiscal. Depois fui membro do conselho de administração, vice-presidente e, em 1989, foi-me confiada a missão de ocupar a cadeira de presidente, onde permaneço até hoje.


PR-Quais foram as principais contribuições do sistema cooperativista no inicio da sua vida profissional e familiar?
Suzin - Devo muito ao cooperativismo. As cooperativas criaram excelentes oportunidades de qualificação profissional e desenvolvimento econômico para minha família e para mim, assim como para os cooperados em geral. Participei de cursos,viagens e missões técnicas de alta qualidade.


PR- E a sucessão familiar da propriedade rural. Como esse assunto deve ser tratado entre os integrantes da família para que o processo seja exitoso e sustentável?
Suzin - Essa é uma preocupação que está na pauta das famílias e também das cooperativas. Precisamos preparar novos líderes e gestores, o que ajuda a viabilizar o processo de sucessão, garantindo futuro às propriedades e ao cooperativismo. A sociedade vive uma carência de lideranças seguras, coerentes e éticas e o cooperativismo é o melhor sistema-escola. Criamos no âmbito da Ocesc o programa de formação de jovens lideranças cooperativistas para fomentar estratégias de gestão de cooperativas e viabilizar alternativas de sucessão nas propriedades rurais e nas organizações, garantindo a continuidade dos estabelecimentos rurais e o fortalecimento do sistema cooperativista.


PR-O que motivou seu ingresso no quadro de dirigentes cooperativistas e quais foram os principais avanços obtidos pela Coopervil e seus cooperados, nos últimos anos.
Suzin - Conheci, aprendi e adotei a doutrina do cooperativismo. Entendi que é essencial estimular uma cultura de integração, de concepção do cooperativismo como uma doutrina que pode e deve envolver todas as áreas da atividade humana, valorizando o trabalho, estimulando a solidariedade, premiando a participação e recompensando o esforço individual com base no compromisso coletivo. Isso inclui a educação cooperativista e encorajar os dirigentes sobre os benefícios da cooperação.


PR- Em sua passagem pela Fecoagro, o que o senhor destaca?
Suzin - Em toda a minha vida cooperativista sempre priorizei a profissionalização da gestão, o trinômio educação, comunicação e informação, a intercooperação e a preocupação com a comunidade. O dirigente precisa entender que a profissionalização da gestão compreende a permanente capacitação de todos os recursos humanos, desde os níveis estratégicos com dirigentes e alta assessoria, até o nível operacional, com colaboradores e cooperados, buscando otimizar a administração da sociedade cooperativa.


PR- Em 2016, o senhor assumiu a presidência do Sistema Ocesc/Sescoop/SC. Como foram esses primeiros 18 meses de sua gestão?
Suzin - Eu participo há muitos anos do Conselho de Administração da Ocesc, portanto, sempre acompanhei as decisões, planos e programas que inovaram e dinamizaram as atividades em favor do cooperativismo catarinense. A instituição cuja presidência assumi vive uma excelente fase e sua atuação tem ampla aprovação da comunidade cooperativista catarinense, das autoridades, da imprensa e dos órgãos de fiscalização. Assim, estamos dando continuidade ao trabalho tão bem conduzido pelo ex-presidente Marcos Zordan e seus antecessores Aury Bodanese, Luiz Temp e Neivor Canton. Na verdade, há um quadro que se repete: há oito anos, Zordan me passou o comando da Fecoagro, agora, ele me transmite a presidência da Ocesc. Manteremos todas as ações que estão em andamento e aprimoraremos o que for possível e necessário. Estamos investindo fortemente na defesa técnica e política do sistema e na formação de quadros de dirigentes, técnicos, colaboradores e associados.


PR - Quais as metas prioritárias desta diretoria para fortalecer o cooperativismo catarinense? E os principais desafios?
Suzin - Regulamentar o ato cooperativo é uma velha e justa reivindicação das cooperativas brasileiras. Apesar do imenso esforço da Organização das Cooperativas Brasileiras junto ao Congresso Nacional, verificamos, com pesar, que a imensa maioria dos parlamentares federais desconhece o cooperativismo – sua doutrina, seu papel econômico, seus efeitos sociais e a contribuição que oferece ao desenvolvimento do Brasil. Por isso, há dificuldade em aprovar as matérias de interesse das cooperativas e de imensa faixa da população. O Congresso Nacional aprovou apenas a regulamentação do ato cooperativo para os ramos (segmentos) agropecuário, crédito e transporte. Falta estender esse benefício aos outros ramos. A lei geral do cooperativismo ainda não foi votada. Ato cooperativo é a relação econômica que o associado mantém com sua própria cooperativa.


PR-Grande parte da população de Santa Catarina é movida pelo cooperativismo Qual mensagem o senhor deixa para a gente catarinense, especialmente, aos cooperativistas?
Suzin - Minha mensagem é a seguinte: Se você não for associado de uma cooperativa, associe-se; se já for, estimule a intercooperação. O cooperativismo catarinense é reconhecido e festejado pelos organismos nacionais do setor e pelo público em geral como o melhor do Brasil. Dois fatores explicam esse fenômeno. O primeiro deles é a vocação do catarinense para as diversas formas de associativismo, dos quais, o cooperativismo é o mais expressivo e aquele que produz melhores e maiores resultados. O segundo fator é o modo de atuação em rede, verticalizado e horizontalizado – aquilo que se convencionou chamar de intercooperação. Nada traduz com tanta fidelidade o nível de desenvolvimento de um sistema cooperativo como o grau de intercooperação existente entre as sociedades que o constituem.

Fonte: Página Rural








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