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Entrevistas

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Terça-feira, 13 de janeiro de 2004 - 09h30m

Odacir Klein

Secretário de Agricultura e Abastecimento do RS

Para começar 2004 literalmente com "pé direito" na área agropecuária, a Página Rural traz um novo espaço de entrevistas exclusivas a partir de janeiro. Face o ano pródigo para o setor no Rio Grande do Sul, especialmente pela supersafra de grãos, o entrevistado desta semana é o homem forte da Agricultura no governo Rigotto. Trata-se do advogado e contabilista Odacir Klein, 60 anos, que comanda a Secretaria da Agricultura e Abastecimento (SAA) no Rio Grande do Sul desde o início de 2003.

Ex-presidente da Federação das Cooperativas de Trigo e Soja do Estado (Fecotrigo), de 1989 até 1992, deputado federal pelo PMDB e ministro dos Transportes durante o governo de Fernando Henrique Cardoso, de janeiro 1995 a agosto de 1996, são algumas das atividades exercidas pelo secretário nas últimas décadas, que nesta entrevista falará sobre o ano agropecuário para o Rio Grande do Sul em 2003, as metas para 2004 e de temas como acordos comerciais com a China e os resultados que a CPI das Carnes trouxe para a pecuária gaúcha.



Página Rural - O ano de 2003 foi positivo para agricultores familiares e produtores rurais gaúchos. Na sua avaliação, esta afirmação é verdadeira? Porque?
Odacir Klein - Foi positivo, porque tanto agricultores familiares como demais produtores rurais tiveram safras excelentes, de preços compensadores. Alguns setores, economicamente deprimidos no começo do ano, passaram a ter alguma recuperação, como é o caso da suinocultura. Nós tivemos, em termos de soja e trigo, safras das mais expressivas já ocorridas no Rio Grande do Sul. No setor da pecuária, tivemos avanços, inclusive com a reabertura de frigoríficos. Todos os produtores que exercem atividade na agricultura, na pecuária, em decorrência disso, foram beneficiados pelo avanço ocorrido.


PR - A SAA vem acompanhando as negociações sobre o comércio agrícola no Mercosul, na Alca e na China? Que propostas o senhor defende?
Klein - Dentro de um contexto de federação, os estados, como unidades federadas, não têm condições de influir decisivamente em mercados. As relações exteriores são desenvolvidas pelo governo da União e a iniciativa privada, através de produtores e de entidades, é quem tabula as negociações. Mesmo com essa limitação institucional, nós temos procurado participar de todos os debates que digam respeito à abertura de mercados. Só para exemplificar, nós recebemos, no decurso do ano, uma delegação chinesa que informou ao governador que tem disposição para comprar 20% da safra de soja do Rio Grande do Sul. Então, além de Alca e desses mercados comuns, há países, como a China, que merecem todo o cuidado e para os quais nós estamos atentos.


PR - Quais os avanços mais importantes da SAA nestes primeiros 12 meses de governo?
Klein - Em primeiro lugar, nós recuperamos o RS rural. Os recursos do Banco Mundial estavam no caixa único do Tesouro e o contrato terminaria em junho deste ano. Nós conseguimos prorrogação e obtivemos aplicação de RS Rural em um volume expressivo, se comparado com todos os anos anteriores. Tivemos aplicação de RS Rural no valor de R$ 56,85 milhões, só neste ano. Enquanto todos os outros anos, de 1997 a 2002, tiveram aplicação de R$ 137 milhões. Isso significa que, só em 2003, mais da terça parte do que foi aplicado em todos os anos anteriores foi distribuída para áreas deprimidas do meio rural. Recuperamos o Troca-Troca de sementes. Avançamos em projetos de fruticultura, em projetos de florestamento. Nos empenhamos decisivamente no sentido da legalização da soja transgênica no Rio Grande do Sul. Quando assumimos, tínhamos uma expressiva safra de soja transgênica ilegal. Em conseqüência da ação do governador Germano Rigotto, das entidades da iniciativa privada e da Secretaria da Agricultura, conseguimos uma medida provisória autorizando a comercialização, outra autorizando o plantio e o projeto de lei no Congresso para tratar definitivamente da biossegurança.


PR - E os desafios para 2004?
Klein - O principal objetivo da secretaria em 2004 é promover a modernização interna, para que possamos corresponder às expectativas do século 21. Nós temos necessidades por satisfazer de século 19 e temos uma estrutura, em alguns casos, até de século 19. Com dificuldades extremas no que diz respeito ao funcionamento de inspetorias veterinárias, o Departamento de Produção Vegetal (DPV). O governador Germano Rigotto tem cobrado a modernização. Então, nós estamos preparando o projeto e deve ser implementado em 2004, visando ao sistema de informática perfeito, aquisição de recursos materiais e contração, via concurso público, de recursos humanos para que tenhamos condições de fazer com que a secretaria cumpra seus objetivos.


PR - O governo do RS participa do Conselho de Desenvolvimento e Integração Sul (Codesul), que já discute soluções para os estados sulinos nos setores de Transporte, Cultura e Saúde. A Agricultura também faz parte deste grupo ou pretende fazer?
Klein - Na agricultura há uma situação diferenciada desses outros setores (transporte, cultura, saúde). Nessas áreas, os objetivos são mais ou menos comuns. No setor da agricultura, às vezes, há conflito de interesses. Por exemplo, o Rio Grande do Sul e Santa Catarina têm um conflito de interesse no que diz respeito à venda de carne bovina. Santa Catarina é livre de febre aftosa sem vacinação, nós somos com vacinação. Então, Santa Catarina resistiu à entrada de carne com osso do Rio Grande do Sul, naquele estado. Nós conseguimos que o Ministério da Agricultura abrisse essa possibilidade, embora não tenha aberto a possibilidade de ingresso de boi em pé. Então, há conflitos de interesse. Com o Paraná há uma diferença de interesse no que diz respeito à transgenia. Nós defendemos o uso da tecnologia, o Paraná não defende. Então, se você pegar transportes não há disputa, há integração. Pegar saúde, pegar cultura não há uma disputa central. Há disputas na área do setor primário, o que dificulta essa integração.


PR - A decisão do governador do Paraná, Roberto Requião, de proibir o plantio e o embarque de soja transgênica pelo Porto de Paranaguá afeta o Rio Grande do Sul? Como a SAA pretende resolver a situação?
Klein - Não afeta em nada. Por isso, não há situação a ser resolvida.


PR - Como a SAA posiciona-se a respeito do recente desfecho da CPI das Carnes?
Klein - A CPI das Carnes foi importante porque durante quase todo um ano ficou fazendo o levantamento da situação da carne no Rio Grande do Sul. E para nós, uma das conclusões fundamentais, que estamos defendendo a modernização da secretaria, foi a conclusão que nós devemos modernizar a defesa sanitária.









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